Estamos perto ou estamos longe?

 

Por Vicente Criscio

Neste sábado dia 16 o Real Madrid ganhou a final do Mundial FIFA nos Emirados Árabes sobre o Grêmio. 1×0.

O resultado não reflete a enorme superioridade dos espanhóis sobre o time brasileiro. Aliás parecia até que o time de Cristiano Ronaldo jogava treinando.

O Real já havia sido campeão em 2016 e em 2014, e em 2015 tinha dado Barcelona.

Apesar do baixíssimo nível dos adversários – Grêmio, Pachuca e Al Jazira estão em outra divisão do futebol mundial – olhando os números desse torneio, é inegável que os espanhóis atualmente possuem a hegemonia do futebol mundial. Nas oito últimas edições do Mundial FIFA,  em cinco vezes eles levantaram a taça (Real em três vezes, Barça em duas vezes). Reflexo de sua força na Champions League, classificatório para o Mundial. Vamos a alguns números curiosos da principal competição europeia, essa sim, de alto nível.

Nas oito últimas edições, dentre 32 clubes que fizeram as semifinais:

  • 15 clubes espanhóis chegaram nas semifinais (Real 7x, Barça 5x, Atlético 3x);
  • 8 clubes alemães jogaram as semi (Bayern 6x, Borussia 1x, Schalke 1x);
  • 4 clubes ingleses (2x Chelsea, onde foi campeão em uma delas e deu no que deu no Mundial);
  • 3 clubes italianos;
  • 2 clubes franceses.

E na final da Champions? Em 8 edições vimos:

  • 7x clubes espanhóis;
  • 4x alemães;
  • 3 italianos;
  • 2 ingleses.

O Real Madrid é sem dúvida o clube de maior sucesso nessa década. Em 7 anos consecutivos esteve nas semifinais. E participou de 3 finais da Champions nos últimos 4 anos. E foi campeão nas 3 (contra o Atlético em 14 e 16 e contra a Juve em 17).

Mas vou mais além. Olhem o modelo de gestão dos clubes que estão no “top 2” de participações em semifinais da Champions:

  • Real Madrid: 7 semi, 3 finais e 3 títulos;
  • Bayern: 6 semi, 3 finais, 1 título;
  • Barcelona: 5 semi, 2 finais, 2 títulos.

Não vou ser simplista. Explicar as diferenças de estrutura do futebol espanhol ou alemão com o brasileiro não cabe num simples post. Há deformações lá também – corrupção, concentração de receitas de tv, … – mas aqui o buraco é mais embaixo.

Mas olhando apenas UM vetor de toda essa análise, deposito meu olhar na maneira como Real e Bayern tratam o futebol. É um negócio que envolve paixão. E como negócio possuem estruturas profissionais para gerir esse “negócio”. O Real Madrid é um clube social e tem seu Presidente e Diretoria eleitos por seus sócios. O Bayern (onde tenho minha preferência pelo modelo utilizado) tem uma estrutura um pouco mais complexa, com acionistas (sócios do clube, além de empresas como Adidas, Allianz e Audi). Em comum entre eles a gestão profissional.

Ponto!

E o que isso tem a ver conosco?

Muito!

O Palmeiras passou depois de 2013 aquilo que em outros mercados chamamos de “tempestade perfeita”. No bom sentido. Deu tudo certo. Allianz, Crefisa, reestruturação da dívida, investimentos em infra-estrutura do futebol (a Academia é hoje um dos mais bem estruturados centros de treinamento do mundo), receitas recorrentes, torcida engajada. Algumas coisas “deram certo” (o caso da entrada da Crefisa no Palmeiras é simbólico). O Allianz foi um divisor de águas. E mesmo entre erros e acertos da gestão de 2013 a 2016, foi possível reestruturar a dívida e principalmente a partir de 2015 com Crefisa e Allianz, crescer receitas.

Com isso nos tornamos o clube com maior receita e maior investimento no futebol. Por isso se há um clube hoje na América Latina em condições de brigar contra espanhóis e alemães, esse clube é o Palmeiras. Talvez não ainda no mesmo nível – uma vez que a estrutura do futebol nesses países ainda é superior à estrutura do futebol brasileiro – mas num nível bem próximo. Por que o Palmeiras pode e o Grêmio não? Nem entro nessa discussão, mas para o palmeirense parece óbvio. A Libertadores (uma das mais fáceis dos últimos anos) caiu do céu no colo do Grêmio (por pura incompetência alviverde). Da mesma forma que o Brasileiro para o outro time…

Então o que falta para estarmos nós na próxima final contra Real (ou Barcelona? Ou Bayern? ou quem sabe o emergente PSG?) ?

No curto prazo falta o que é mais fácil e o que não tivemos em 2017: planejamento, competência e organização. Contratar corretamente, ter profissionais competentes e uma profissionalização que não seja tratada de forma vulgar deixando tudo nas mãos de um super-executivo.

No longo prazo falta o que é mais difícil: implementar a governança e profissionalização que tanto cobramos aqui. Que explica em boa parte o sucesso recorrente e continuo de times como Real e Bayern.

Estamos perto. Mas ainda estamos longe!

Saudações Alviverdes!