Que esse dia fique marcado na memória

 

Por Vicente Criscio

Amigos palestrinos bom dia.

Esse espaço tem 11 anos. Nesse período tivemos alegrias e tristezas. Algumas das tristezas foram na bola, e outras com erros de arbitragem. Talvez a mais dolorosa até a data de ontem tenha sido aquela fatídica partida contra o Fluminense em 2009 e o gol de Obina anulado por Simon.

Até ontem.

O que aconteceu no Allianz Parque aos 28 minutos do 2o tempo deste domingo foi algo para envergonhar o futebol brasileiro. Não apenas por toda a irregularidade. O árbitro Marcelo Aparecido viu um pênalti, apitou o pênalti, o jogador palmeirense se colocou na marca para bater o pênalti, e então alguém da Federação (o tal Sr. Dionisio, de acordo com a ESPN), informa ao 4a árbitro que não deve ser marcado o pênalti. E então começa a palhaçada.

Mas a vergonha que me refiro deve-se menos ao fato em si. A vergonha maior está na reação de quem gira em torno do futebol. Ninguém – exceto pelos dirigentes e torcida palmeirense – ficou indignado.

Vou copiar as palavras de um grande amigo palmeirense que prefiro não citar o nome.

“O establishment manifestou-se favorável a essa flagrante irregularidade. Aliás como sempre tem feito, quando o assunto é Corinthians. Se o gol foi de mão, ninguém viu, é um erro do futebol. Mas se o erro é contra o Corinthians (se é que o pênalti foi realmente mal marcado), muda-se a regra. O auxílio externo passa a valer. A Federação na sequência deu apoio ao juiz. A Globo – representante máxima da mídia nacional – tratou o tema até com euforia. Olhando de longe, o que parece é que esse tal estabilishment decidiu tempos atrás que teríamos dois grandes clubes no futebol brasileiro – Flamengo e Corinthians – e os demais seriam coadjuvantes. E os poderes constituídos apoiam isso. A mídia de maneira geral aceita isso. E a imprensa se cala quando acontece um absurdo desses como se viu ontem no Allianz.”

Alguns poucos veículos e seus comentaristas mostraram um quase indignação. Destaque na ESPN para o ex-árbitro Sálvio Spínola, que mostrou o momento que o diretor de arbitragem da Federação orienta o 4o árbitro. Até o ex-árbitro Carlos Eugênio Simon publicou um outro post dizendo que o lance foi irregular.

Atribuir a derrota deste domingo e a perda do título Paulista ao que aconteceu nesse lance talvez seja um exagero. O time poderia ter jogado mais bola, poderia ter tido mais competência para furar a retranca do adversário, que encontrou um gol aos dois minutos e não fez mais nada o jogo inteiro. Mas – repetindo as palavras de um comentarista do 3VV no post do pós jogo – depois dessa vergonha feita pelo árbitro e por dirigentes da Federação, não dava pra exigir mais nada dos jogadores.

Portanto ignorar a gravidade do que aconteceu no domingo à tarde no Allianz é aceitar a completa manipulação de um esporte que movimenta bilhões! É chamar de idiota o torcedor que paga ingresso, paga pay per view, compra camiseta.

O Brasil está doente. Corrupção, desfaçatez, falta de vergonha na cara, mentiras, acordos espúrios, é isso que o brasileiro está vendo. O futebol é um microcosmo dentro desse ambiente perverso. É natural que se contamine. Mas tudo tem um limite. E o que fazer quando se chega no limite?

O Palmeiras deveria informar que não joga mais o Campeonato Paulista com seu time principal. Use o sub-20. Deveria cortar relações com a Federação. Talvez entrar na justiça comum contra árbitro, auxiliar e a própria Federação pelos danos causados na tarde deste domingo. Vai dar em nada? Pode ser. Mas alguma reação tem que haver. De forma institucional, mas dura. Muito dura!

E pensar numa estratégia de longo prazo para não aceitar essa imposição de sermos  coadjuvantes.

O dia 8 de abril de 2018 deveria ser tratado pelo palmeirense como o dia que se abriu uma guerra aberta contra o tal establishment.