Votar pelo futuro

 

 

Por Vicente Criscio

Eu estava tentando me segurar para não falar de política nessa reta final do campeonato brasileiro. Mesmo com a vitória desta última 4a feira à noite no Allianz por 4×0 sobre o América e com o título bem encaminhado – porém, ainda não está matematicamente confirmado – minha disposição em falar de política nesse momento era muito pequena.

Mas não dá… leio tantas análises superficiais, carta aberta, desabafos e desatinos, que tenho que me manifestar.

Primeiro porque para quem ainda não sabe tenho quase 8 anos de conselho. Conheço como funciona aquela máquina…

Segundo que – como o nome desse site diz de forma pretensiosa: Terceira Via Verdão – eu e outros poucos amigos tínhamos a visão de um dia colocar o Palmeiras na vanguarda da gestão do futebol mundial. O Palmeiras tem história, marca, torcida, ativos suficientes para isso. E há muitos anos eu e um seleto grupo de amigos estudamos e pensamos sobre isso.

E terceiro: na última eleição, aquela de 2016, de Maurício Galiotte, eu poderia ser o candidato. Aliás, alguns amigos me desafiaram com essa ideia. Não quis sair candidato porque tive a convicção, em conversa com Maurício Galiotte – antes mesmo dele ser indicado a concorrer – que ele era a melhor solução para a transição entre Paulo Nobre (pra relembrar leia essa matéria de Jorge Nicola de 28/09/2016) e algum nome que deveria surgir após um ou dois mandatos dele. Eu poderia sair candidato? Sim! Ganharia? Provavelmente não! Seria legal pro ego? Talvez. Ajudaria o Palmeiras naquele momento: com certeza não! Então, não saí!

Portanto, com esse histórico, me auto credencio a falar sobre o atual momento político da SEP e a eleição para Presidente que teremos no próximo sábado, dia 24.

Primeiro, sobre o atual Presidente. Maurício é agregador, tem uma visão de Palmeiras menos centralizadora que seu antecessor, enxerga a necessidade de fazer a gestão com colaboradores, valoriza a profissionalização, e entende que estamos no meio de uma transformação. Aquela que levará o Palmeiras a um plano muito superior de seus adversários.

Hoje já somos protagonistas no futebol brasileiro. Disputamos em 2018 todos os títulos. Estamos prestes a ganhar um campeonato brasileiro. Campeão em 2015 da CB, em 2016 do Brasileiro, vice campeão em 2017, e se os deuses do futebol assim permitirem em mais 10 dias estaremos levantando a taça no Allianz Parque.

Parênteses: curiosamente esse desempenho vem depois de dois grandes eventos: Allianz Parque no final de 2014 e Crefisa em 2015. Voltemos ao texto!

Pegando o gancho sobre parceiros: o atual Presidente Maurício Galiotte não cria conflitos com parceiros de valor. Ao contrário: ele valoriza e sabe que temos que preservá-los e construir mais valor juntos, para todas as partes.

Ora, nossos adversários fariam fila na porta da Crefisa e WTorre para tê-los como parceiros. Vejam no futebol brasileiro. Quem é patrocinador da camisa dos grandes clubes? Quanto pagam para colocar a marca na camisa desses clubes? Quantos estão dispostos a colocar dinheiro novo para fazer o centro de treinamento mais moderno da América Latina? E sobre o Estádio? Qual o modelo do Itaquerão? Quem vai pagar essa conta?

Mas alguns palmeirenses não: veem mais riscos ou problemas do que oportunidades. Por esse motivo Crefisa e WTorre são tratados por alguns como “inimigos” da SEP.

Quer um exemplo? Leio hoje uma coluna do PVC (pvc.blogosfera.uol.com.br/…/o-grande-debate-sobre-o-futuro-do-palmeiras).

Se fosse aquela análise de certos jornalistas com viés clubístico contra o Palmeiras, eu até entenderia. Mas com enorme respeito que tenho pelo palmeirense PVC, a análise em questão é rasa, sem profundidade, feita da mesa do escritório, sem vivenciar o dia a dia de um clube da dimensão do Palmeiras. A análise não se aplica à nossa realidade.

Alguns não conseguem entender que a Crefisa é patrocinadora, coloca o maior investimento de marketing num clube de futebol na América Latina, é de palmeirenses apaixonados, reconhecem o valor que esse patrocínio traz para a marca, e por terem entrado na vida política compreendem bem os desafios que temos hoje e as mudanças que são necessárias.

Trazer o debate para “o bem contra o mal”, para “ter Crefisa ou não ter Crefisa”, é de uma ausência de conteúdo que vem da própria campanha da oposição. A Crefisa, diferente de Parmalat, é patrocinadora. SE e QUANDO um dia ela sair, os gestores palmeirenses terão que procurar um novo patrocinador master. Pode ser da própria rede de parceiros que está se desenhando. Pode ser fora dessa rede. E isso será tão desafiador quanto foi em anos anteriores. Porém, com uma diferença. Nossas receitas, graças ao Allianz Parque, e graças a ações que estão em andamento pela atual gestão, estão equilibradas. Não estão concentradas em uma fonte.

Outro engano que cometem: achar que o Avanti é a salvação de tudo. Não, não é. O Avanti tem um limite. E esse limite chegou antes do Presidente Maurício assumir a gestão. Ele sofre variações de inadimplência porque seu apelo está em ofertar cadeiras no Allianz para dias de jogos. Como a capacidade do estádio é limitada (42 mil MENOS camarotes MENOS espaço para torcida adversária MENOS 10 mil cadeiras da WT) o limite que temos para oferecer é de ~28 mil lugares. Já temos mais de 100 mil adimplentes. Não haverá um Avanti maior do que esse enquanto o apelo for “cadeira em dia de jogo”. Aliás, a discussão é muito mais profunda e não dá pra ser debatida em apenas um post.

Portanto as análises, cartas, desabafos, são rasas ou oportunistas. Usam o desconhecimento profundo da maioria dos torcedores (que não são obrigados a entenderem o “economics” do futebol) para transformar o pleito deste sábado numa discussão sobre “soberania” e modelo “auto sustentável”. Chega a ser estúpido! Perda de soberania é pegar dinheiro emprestado de presidente pra pagar as contas, porque ficamos sem patrocinador e doamos jogadores para outros clubes (remember Barcos e Kardec). Perda de soberania é quase ser rebaixado no ano de centenário.

Quero andar pra frente. Quero um futuro para o Palmeiras melhor do que o presente e muito melhor do que o passado.

Nesse pleito estamos muito próximos de darmos um novo salto. De sairmos do protagonismo (que já estamos) no cenário nacional, para o protagonismo no cenário internacional. De nos nivelarmos em termos de gestão e conquistas aos maiores clubes do mundo. O trabalho para transformar isso tudo é grande e levará anos. Mas estamos no caminho e temos que continuar na direção do futuro, e não voltar ao passado.

Eu neste sábado dia 24 vou votar na chapa 100 de Maurício Galiotte porque olho pro futuro e aquilo que o Palmeiras poderá ser de melhor.

Saudações Alviverdes!

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