De novo a conversa sobre o fair play … ou de novo o choro de torcedor

 

Por Vicente Criscio

O texto abaixo foi publicado em 18 de janeiro de 2018. Nessa data eu explicava o tal Fair Play financeiro. Mas como alguns dirigentes de clubes (e jornalistas) voltaram novamente com a história sobre Fair Play, cabe republicar o post.

Lembrando apenas alguns detalhes que complementam aquele post de janeiro de 2018:

  • O Palmeiras foi o clube que mais arrecadou com bilheteria em 2018, mais de R$ 37 milhões (somente no campeonato brasileiro). Foram mais de 618 mil pagantes em 19 jogos em casa. Ticket médio disparado o maior do mercado. O Allianz Parque faz a diferença, e a torcida do Palmeiras também!
  • O Palmeiras não ganhou de graça seu estádio e nem a WTorre teve subsídios por conta de Copa do Mundo; foi feito um contrato ousado de ambas as partes mais de 10 anos atrás, estádio inaugurado no final de 2014 e operando hoje a pleno vapor, inclusive com shows que garantem a sustentabilidade financeira do negócio;
  • O Palmeiras tem um programa de sócio torcedor vitorioso, com 130 mil associados;
  • O Palmeiras não tem patrocínio de nenhum banco estatal; o patrocinador é uma empresa privada que tem seu retorno pela exposição gerada pelo clube;
  • O Palmeiras não é privilegiado no contrato com os direitos de transmissão na tv aberta; Flamengo e Corinthians são os maiores beneficiados;
  • O Palmeiras nem de longe é beneficiado por federações, confederações e comissões de arbitragem; nunca vamos esquecer 8 de abril de 2018.

Por outro lado, existem alguns mandamentos fortes no futebol do século 21.

  • Estádio próprio com capacidade adequada e gerador de receitas;
  • patrocinadores fortes que geram valor pro clube e conseguem retorno proporcional ao investimento;
  • Torcida engajada;
  • Contas em dia, assim pagamos em dia jogadores e seus benefícios sociais;
  • Governança e profissionalização;
  • E por último mas não menos importante: ganhar títulos.

O resto é choro de mau torcedor. Recomendo aos dirigentes de clubes, antes de falarem bobagens sobre fair play, trabalharem pra conseguir o que o Palmeiras conseguiu por seus méritos próprios.

Saudações Alviverdes!

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Fair Play Financeiro e o Choro de Torcedor

Por Vicente Criscio
18/01/2018

A contratação de Gustavo Scarpa no Palmeiras despertou em parte da imprensa um assunto que estava esquecido havia algum tempo: o tal do Fair Play Financeiro.

Alguns jornalistas menos atentos aos detalhes dessa prática instituída na UEFA em 2010 travestiram o termo “Fair Play Financeiro” para “abuso de poder econômico da Crefisa”.

Pura bobagem.

Primeiro vamos esclarecer. O Fair Play Financeiro foi criado na Europa para se evitar exatamente o que a enorme maioria dos grandes clubes brasileiros – exceto o Palmeiras – pratica: o não pagamento de dívidas com jogadores, outros clubes e afins. Digo exceto o Palmeiras porque hoje o Palmeiras tem sua dívida equacionada e não dá calote nem em marmiteiros nem em conta de energia. Salários estão em dia, diferente por exemplo do Fluminense, que perdeu exatamente o Scarpa por não pagar salários e 13o. E ainda assim o Fluminense tenta provar na justiça que a lei não se aplica para ele. Outro assunto….

Então o Fair Play Financeiro visa em primeiro lugar impor regras para que os clubes não criem dívidas acima de sua capacidade de pagamento. Quer ver mais detalhe sobre isso clique aqui e leia.

Em segundo lugar, aí sim, aparece a auditoria que a UEFA faz para evitar que bilionários pelo mundo comprem um clube e deem uma turbinada no time através de injeção de dinheiro fora do contexto do futebol. Por exemplo, no PSG o xeque catari meteu uma grana alta para Neymar mudar de Barcelona para Paris. Como entrou esse dinheiro? Foi patrocínio? Aporte? Empréstimo? O investimento fazia sentido? Há retorno? Lá o investimento em apenas um jogador foi de R$ 823 milhões, quase duas vezes o faturamento anual do Palmeiras.

O Presidente do clube parisiense e dono, entende (e com certa dose de razão) que com Neymar vai aumentar suas receitas de marketing e com isso valia o investimento (leia mais no Estadao.com clicando aqui). Aparentemente ele quer o PSG ganhando uma Champions League e isso não tem preço, como diria a propaganda. Nesse contexto a UEFA tem a preocupação com o desequilíbrio do investimento mas também tem outra questão: como evitar a lavagem de dinheiro no milionário mundo do futebol. Por isso a UEFA vem impondo auditorias cada vez mais pesadas nos clubes, principalmente aqueles que eram “não tão grandes” e se tornaram milionários (PSG, City, Chelsea e outros). Problemas deles lá….

E no Brasil?

Em 2015 a ex-Presidente Dilma Roussef sancionou a lei do Fair Play Financeiro, que basicamente foca nas dívidas dos clubes ou seja …

“determina que os clubes cumpram uma série de pré-requisitos, tais como comprovar o pagamento dos vencimentos acertados em contratos de trabalho e dos contratos de imagem dos atletas, apresentação de Certidões Negativas e de certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O não cumprimento de tais leis pode acarretar no rebaixamento da equipe. Em 2015, a CBF incluiu nos regulamentos das Séries A, B, C e D o “Fair Play Trabalhista”, que prevê punições aos clubes que atrasarem salários. No entanto, a lei se mostrou ineficaz nesta temporada. (fonte: globoesporte.com; leia mais clicando aqui).”

No regulamento do Campeonato Brasileiro de 2016 essa lei foi incluída. Claro que sabemos que não pegou, como muitas que não pegam no Brasil, caso contrário, alguns clubes, dentre eles o campeão brasileiro de 2017, teria sido rebaixado no final de 2016 porque atrasou pagamento de salários.

 

Então volta pro tema atual: quando um jornalista da Fox, da ESPN, da Globo, do Lance, vem falar em fair play financeiro e cita o Palmeiras como anti-exemplo, estão sendo levianamente parciais na análise  ou desconhecem a lei que estão tentando explicar.

Quando focam apenas na Crefisa, olham parte do assunto, aquele que lhes é mais conveniente. Mas a Crefisa não é problema. O seu investimento no Palmeiras está retornando. Basta olhar seus resultados econômicos e financeiros. E mesmo do ponto de vista de imagem. Ou alguém falava na empresa e nas suas faculdades antes do Palmeiras?  Na apresentação de Mina no Barcelona, mais de 100 milhões de seguidores do clube catalão viram a marca Crefisa. Subjetivo? Pode ser. Mas o retorno de imagem é um fato.

Outro ponto que precisa ser discutido: a maioria que hoje vem cobrar o tal fair play ignora por completo a perversa disparidade entre o que a Globo paga a Flamengo e Corinthians versus o que paga a Palmeiras e outros grandes clubes para ter o monopólio do campeonato brasileiro. Esse sim está errado. A Globo não só induz a quem ela quer que seja grande (pagando mais) como valoriza a marca mostrando mais jogos em horário nobre (em 2018 prometem uma regra que deve dar mais equilíbrio à grade; a conferir).

Portanto se querem discutir o fair play do ponto de vista de receitas, deveriam começar por aí.

Mas nem tudo são trevas na imprensa. Alguns poucos jornalistas mostraram o outro lado da moeda.

Rica Perrone: www.ricaperrone.com.br/a-patrocinadora/

Alexandre Praetzel: blogdopraetzel.uol.com.br/…/palmeiras-nao-e-apenas-o-time-mas-o-clube-a-ser-batido

Conclusão! Conclusão?

História, maior campeão nacional, 3a maior torcida do país, melhor estádio da América Latina, melhor contrato de estádio do Brasil, sócio torcedor, contas em dia, e um patrocinador que aporta e extrai valor de uma parceria que  já rendeu e vai render muitos frutos mais para todos. O resto é choro de mau jornalista-torcedor.

Saudações Alviverdes!