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Opinião: arrumem outro formato

Vicente Criscio

O assunto já tem quase uma semana. Sete dias nos tempos de hoje passa a ser notícia velha. Mas a tesoura que Scarpa levou na partida Palmeiras 2×0 Bragantino, é para mim o retrato desse campeonato.

Mas ele é tem que ser martelado até as últimas. Os campeonatos regionais acabaram. Por quê? Prende o grito:

  1. Renda e público pagante baixíssimos: tire fora os jogos cujo mando foram dos quatro “grandes”. Em 34 partidas que analisamos até o início da R07, o público médio foi de 3.162 testemunhas. Quer piorar o cenário? Tire os grandes quando eram visitantes. O público médio cai para 1.751 almas. Em 11 partidas, tivemos menos de mil torcedores no estádio. O pior público pagante foi RBB 1×1 Bragantino, na Arena Barueri, com 283 esforçados torcedores. A renda bruta foi menos de R$ 3 mil. Se bobear não pagou o aluguel do ônibus pra levar o time ao estádio.
  2. Arbitragens fracas: o que estamos assistindo na arbitragem do futebol brasileiro é bizarro. Outro dia em uma partida da Ponte Preta pela Copa do Brasil o bandeirinha e o árbitro fizeram uma lambança digna de final do campeonato paulista. Essa entrada que o Scarpa sofreu não rendeu um mísero amarelo pro jogador do Bragantino. O risco dessa impunidade é uma lesão séria que pode afastar um jogador do nível do Scarpa, Dudu, Goulart, que estão aqui para conquistar outros títulos.
  3. Um campeonato sem lógica competitiva: são 16 clubes. Em 4 chaves. Dois se classificam. Os grandes são estrategicamente separados para evitar um desastre. Os times jogam contra aqueles fora de sua chave. Em turno único. O que é pior: mesmo não havendo simetria (todos jogando contra todos, com turno e returno) essa pontuação serve para o rebaixamento. Além de sabermos antecipadamente que Palmeiras e seus “co-irmãos” irão se classificar, pelo menos em segundo na chave.
  4. Uma Premier League em 4 meses: esse campeonato por ser previsível até as semi finais acaba obrigando os grandes clubes, que vão disputar 38 partidas no Brasileiro, até 14 partidas na Libertadores, e mais outras tantas na Copa do Brasil, a disputarem 12 partidas na fase de grupos absolutamente desnecessárias. Mais ainda: a área geográfica do Estado de SP é 248 mil km2 enquanto que a da Inglaterra é de 130 mil. Os times precisam viajar muito mais do que o Liverpool ou o Manchester City para ser campeão inglês. Prato cheio para lesões que serão percebidas apenas no final da temporada.

Por essas e outras o Campeonato Paulista não faz o menor sentido. Pelo menos não nesse formato. Se querem usar como uma grande pré temporada, que organizem melhor o calendário, coloquem os times do interior numa liga intermediária até chegar num torneio com no máximo 8 clubes, e aí vamos fazer um regional mais competitivo e menos desgastante para times que investem muito com prioridades bem maiores que o Paulista.

Enquanto isso? Que o Palmeiras preserve seus atletas e use o Paulista para dar experiência pra base e ritmo aos reservas.

Concordam? Discordam? independente de sua opinião aqui no 3VV você tem o direito de falar. Deixe seus comentários. Saudações Alviverdes!

10 respostas em “Opinião: arrumem outro formato”

Todos os clubes tem que jogar. Nào adianta ver o melhor pros grandes e quebrar os pequenos acabando com os estaduais.
Pra mim o brasileiro tinha que ter 16 clubes nas séries A, B e C. Turno único classificando os 8 primeiros com o primeiro indo pra libertadores ou garantindo o acesso. Na sequência mantém-se os pontos e inverte o turno nas 7 rodadas. Na parte de baixo caem 2 direto e os 4 acima jogam mata mata com do terceiro ao sexto da divisão de baixo, valendo acesso/rebaixamento. Com isso, todos jogariam de 22 a 24 partidas ao invés das chatíssimas 38.
Com esse espaço, poderiam voltar a copa dos campeões e os Rio São Paulo e Copa Sul e do nordeste da vida no começo do ano enquanto tivesse uma primeira fase dos estaduais com os pequenos. Depois dos regionais, um estadual com 10 a 12 partidas entre os times dos regionais (grandes) e os classificados na primeira fase.

Simples assim: Brasileirão de fevereiro a dezembro, 34 clubes (turno e returno), 3 rebaixados e jogos aos fins de semana. No meio de semana, Libertadores/Sul-Americana e Paulistão com 8 equipes – excluindo sempre o representante do estado na Libertadores. O melhor time dessa fase do Paulista se classifica para oitavas de final da Copa do Brasil, se juntando aos times que estão na Libertadores

Tem algum erro de digitação nesse texto, né? Trinta e quatro clubes em turno e returno dariam 66 rodadas, o ano tem 52 semanas sendo que em pelo menos oito não há futebol por aqui. Acho que nem no calendário chinês cabe tanta data…

Quero acreditar que sua intenção seria fazer um Brasileirão com 18 clubes e 34 rodadas. Aí eu apoio, até porque tem muito time ruim na Série A.

Perfeito Vicente.
E digo mais, que por favor se pegue leve com a cornetagem nesse momento. Nossos jogares precisam estar bem fisicamente e tecnicamente quando pegarmos o Boca com 10 jogos a menos do que nós na libertadores. Foi nítida a diferença de intensidade física no primeiro jogo da bombonera ano passado. Paremos e pensemos: Queremos o verdão voando contra a Ferroviária, nesse campeonato que o organizador nos trata com desprezo, ou queremos o time competindo com intensidade na maratona de jogos verdadeiramente importantes que se avizinham??

Vamos respirar fundo, soltar o ar devagar, deixar a corneta de lado. Vamos assistir o verdão se preparando para o ano, e só. Claro que uma vez que entramos em campo, somos Palmeiras, mas se podemos classificar com o pé no freio que assim seja.

Só gostaria de deixar claro que pelo menos de minha parte critico jogador que não consegue uma atuação minimamente decente contra uma Ferroviária da vida, pois se isso acontece dificilmente será contra um Boca Juniors que ele vai decidir alguma coisa.

O desempenho ou o resultado do Palmeiras nessa competição meia-boca que se tornou o paulistinha, no contexto geral é irrelevante. Hoje, ele só serve pra desgastar jogador para o resto da temporada e pra dar pauta a programa vespertino de esportes.

E o problema do paulistinha não é só fórmula de disputa. É ausência total de qualidade técnica, falta de lisura de uma federação ultra corrupta, ingressos caros, partidas chatas de assistir, enfim…tudo que afasta cada vez mais as pessoas do futebol. Enfim, pra mim, já é um campeonato extinto. Só falta oficializar. E o Palmeiras, representado por seu atual presidente, que voltou atrás no que disse e vai ser roubado de novo nas finais, deveria ter colocado os piores jogadores possíveis nessa b.os.ta de campeonato. Agora aguenta a po.r.rada.

Não tem como discordar do que você escreceu Vicente, o problema é que lá trás alguém do Palmeiras concordou com esse formato de campeonato (estúpido e deficitário). A atual gestão até que tentou escalar só juniores e reservas, mas as “regras” do torneio não permitem, ou seja, corremos o risco de perdermos algum jogador fundamental e além disso, de ao chegar na final (se chegarmos….) sermos mais-uma-vez garfados por algum juiz que tem bar na proximidades de um certo estádio (eu escrevo estádio porque aquele pardieiro de arena não tem absolutamente nada) resolver não marcar um pênalti a nosso favor, ou então marcar um impedimento contra nós quando o jagador estava visivelmente atrás da linha da zaga (como foi hoje no primeiro tempo).

Apenas não concordo com ” juízes despreparados”. É preciso parar com o falso conceito de que as arbitragens são fracas. Quem chega à divisão principal não é fraco, sabe apitar muito bem e segue as determinações dos seus superiores.

Desculpe mas discordo. As arbitragens nacionais são sim horríveis, e prejudicam todos os times, mas só vemos e reclamamos quando o lesado é o Palmeiras. Quando somos ajudados (e eventualmente isso ocorre), “é do jogo”. Clubismo nessa hora não vai acabar com o problema.

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