Opinião: nossos erros

Parece que a temporada 2019 acabou. Libertadores encerrada pra nós faz tempo. E o Brasileirão é apenas questão de tempo.

Mas inegável que pro palmeirense o título deste sábado pro Flamengo teve um sabor amargo. Por que eles e não nós?

Diante de várias teorias conspiratórias ou apocalípticas sobre a queda do time pós Copa América, eu trago uma visão menos pontual e mais ampla sobre nossos erros.

“Nossos erros”. Coloco no plural nem sei por que… mas vamos lá. Óbvio que essa leitura é pessoal e como é uma mera opinião, como sempre, posso estar errado.

Existe no Palmeiras (e na figura de muitas pessoas lá dentro) que “dinheiro resolve tudo”. Não sei precisar quando começou. Talvez na era Mattos (lembrando que Mattos foi contratado por Paulo Nobre).

De certa forma essa tese podia ser metade verdade. Se você gastar bastante vai contratar um monte de jogadores. Os outros times não conseguirão acompanhar e portanto você formará um time melhor que os outros.

Foi assim em 2016, 2017, 2018… entretanto, como tudo que é meia verdade, também é meia mentira.

O futebol brasileiro caminha velozmente a ter apenas dois grupos de times. Os protagonistas:

  • Palmeiras foi o primeiro a se destacar, com arena, patrocínio milionário, receitas equilibradas, e com isso títulos e círculo virtuoso);
  • Flamengo, o candidato natural, apesar da ausência de estádio próprio;
  • Corinthians, o terceiro candidato, está com seus problemas pós-Lula-Odebrecht;
  • E o SPFC, o último candidato, sofre com seus problemas internos.

Eu dizia dois grupos. Os demais serão coadjuvantes. Terão que vender jogadores para compor renda. Ou subirão e cairão. Sorry Inter, Grêmio e demais. Talvez uma Copa do Brasil de vez em quando seja o seu prêmio.

Logo, o que se esperava do Palmeiras por ter largado na frente pós a pseudo reorganização (que nunca houve, diga-se de passagem) em 2013-2014? Ter um plano para conseguir a hegemonia do futebol brasileiro nos próximos 10 anos. Atingir o patamar de R$ 1 bilhão de reais em receitas. Ser protagonista em títulos no Brasil e América Latina. Ganhar Libertadores e participar do título mundial.

E desenvolver projetos para isso. Seja nas categorias de base (parece que foram feitos, mas diferente de servir de fonte para o time principal, é usada para vender jogador para o mercado secundário da europa/ásia).

#SóQueNão

Na gestão PN nunca houve nem planejamento nem profissionalização. Tudo era decidido entre o Presidente e Brunoro (depois Mattos). Deu no que deu.

Depois, a sequência foi a mesma. Mattos continua mandando. Contrata a seu critério. Pior. Agora tem o departamento médico na sua mão. Assim nossas contratações continuaram (aparentemente) com o modelo “quanto mais jogadores, melhor”. Priorizamos jogadores caros mas sem qualidade. Que não vieram para ser titulares. Mais ainda. Contramos treinadores para serem escudos de dirigentes (Cuca, Felipão, Mano) e não treinadores que pudessem trazer algo de novo para o futebol ou explorar jogadores que em tese eram talentosos (afinal, Scarpa é ou não talentoso? E Lucas Lima? Se não são, por que custaram os olhos da cara?).

Gastamos mal. Muito mal. Carlos Eduardo, Felipe Pires, Ramires, … a lista é longa… contratos de 4 anos …

Enquanto isso, olhemos por um instante a grama do vizinho.

Mal sabemos o nome do “Mattos” de lá.

Sabemos que a diretoria foi montada a partir de pessoas de mercado, se lixando para temas ligados à política interna.

As contratações seguiram critérios técnicos, e que buscaram titulares absolutos.

Usaram garotos da base.

Os resultados aí estão.

Ganhar ou perder é parte do futebol.

Perder do jeito que foi 2019, para quem tem o orçamento da SE Palmeiras, não é do futebol.

Saudações Alviverdes!

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