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Opinião: você sabe o que é caviar?

Por Vicente Criscio*

Fim de temporada. Liverpool consegue o título máximo pro futebol mundial – pelo menos considerado aqui em terras tupiniquins. Lá os ingleses dão menos importância a esse torneio que para a Premier League.

Do lado de cá é hora de falarmos de gestão e política palmeirense. Pelo menos até começar a temporada 2020.

Então senta que lá vem DR.

Na última sexta-feira, dia 20 de dezembro, tivemos a última reunião do ano do Conselho Deliberativo da SEP. A pauta era a aprovação da Previsão Orçamentária 2020.

Apenas 189 conselheiros presentes – de um total de – salvo engano – 285 cadeiras hoje ocupadas do total de 300 cadeiras disponíveis de conselheiros**.

Quórum baixo. E ainda temos os conselheiros que assinam e vão embora. Uma prática pouco ética uma vez que garantem presença – e não podem ser punidos por ausências acumuladas – mas não participam dos debates nem das votações. Uma vergonha.

Sobre o orçamento, uma decepção. Tanto no processo quanto no conteúdo.

No processo, porque apesar de ter sido apresentado ao Conselho de Orientação e Fiscalização na última 2a feira, dia 16/12, somente foi disponibilizado aos conselheiros por email no dia 19/12, um dia antes da reunião. Com pouco tempo para analisar, ficava quase impossível dar um parecer consistente para o voto de aprovação.

Sobre o conteúdo: nova decepção.

ORÇAMENTO 2020 SEP

Em apenas 5 páginas de conteúdo foi apresentado:

  1. Sumário executivo: Cenário Conservador, com resultado esperado para 2020 de superávit de R$ 12 MM;
  2. Premissas de receitas e despesas, onde os principais direcionadores de receitas mostram um enorme “conservadorismo” (olha a palavra de novo aí) no avanço dos torneios mata-mata: semi-final de Paulista, 4as de final de Copa do Brasil e Libertadores; G4 no Brasileiro. Lembrando que os torneios mata-mata pagam por etapa alcançada, além de gerarem mais receitas de bilheteria;
  3. Três páginas para o resumo das linhas do orçamento (demonstrativo de resultados) com receitas e despesas.

MINHAS CONSIDERAÇÕES

O Palmeiras tem a segunda maior receita do futebol brasileiro. Não pode ser tratado como um clube de futebol comum. Tem que ser administrado como uma empresa. Com um orçamento de receita previsto para 2020 (e esperado para 2019) de mais de R$ 600 milhões precisa ser administrado como tal. É maior do que muitas médias empresas brasileiras, mas não tem a mesma governança que elas.

O Presidente Maurício Galiotte foi reeleito para o triênio 2019-2021. Com apoio de Crefisa e das principais lideranças políticas da SEP. Eu inclusive. Está no seu terceiro ano como Presidente. Esperava-se desde o primeiro mandato que teria um plano de gestão. Pelo visto não tinha. Errou demais em 2019 ao não ouvir as pessoas mais próximas para tirar Mattos, muito antes de dar água. Uma gestão perdulária, com gastos altíssimos em jogadores questionáveis, deu no que deu. A conta chegou. O orçamento tímido de 2020 não é apenas fruto de uma gestão pouco ousada e pouco ambiciosa. É resultado de um ano de 2019 desastroso e sem planejamento. Sem rumo.

O orçamento deve refletir um plano de longo prazo. E qual o nosso plano? Pergunto: qual o plano do Palmeiras para os próximos 10 anos? qual a visão Palmeiras 2030 (sim, não errei a digitação: estou falando do ano de dois mil e trinta!)? como inserir o Palmeiras entre os maiores clubes do Mundo? como ter uma receita de R$ 1 BI por ano? e R$ 2 BI? quando? é possível? como integrar esse tema à SA do Futebol? esse será o futuro? como essas discussões são conduzidas dentro da SEP?

E o orçamento deveria refletir isso. O ano de 2020 deveria ser um passo a mais no sentido desse plano. Mas não parece ser assim.

Por isso que sou obrigado a repetir o poeta.

Você sabe o que é caviar?
Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar!

Você sabe o que é Planejamento na SEP?
Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar.

***

Está na hora do Presidente Maurício Galiotte se livrar de amarras e grupos políticos que representam o atraso da SE Palmeiras. Está na hora de se livrar do atraso na SEP. Está na hora de montar uma agenda de mudanças relevantes. Do futebol à Governança.

Perdemos muito tempo nesse ano de 2019. Esperamos que o ano de 2020 seja de recuperação do tempo que perdemos. Quem quer agradar a todos, no fim não agrada a ninguém. E pior, não leva o Palmeiras a lugar algum.

Avanti!

*Vicente Criscio é conselheiro em terceiro mandato na SEP

**São 300 cadeiras de conselheiros, onde 152 são eleitos e 148 são vitalícios; atualmente, salvo engano desse que escreve, temos 15 cadeiras vagas de vitalícios

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