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Vamos falar de gestão?

Por Vicente Criscio

Enquanto estamos esperando o afrouxamento do isolamento social – cuidem sempre das ações preventivas contra o COVID-19, essa é a mensagem mais importante nos dias de hoje – vamos tentar falar um pouco de futebol?

Os campeonatos estão paralisados e não sabemos quando nem como os times voltarão. Essa interrupção seguramente fará os times se nivelarem na retomada e nem sabemos como o Campeonato Paulista irá continuar. Luxemburgo e elenco estão devidamente em isolamento social, e que continuem assim. Dentro das quatro linhas é o que temos para o momento.

Mas e fora das quatro linhas?

Recebi um link muito legal de um artigo de um executivo do setor financeiro no Infomoney. Cesar Grafietti. Segue o link.

Meu querido amigo Serbino enviou o link – direto do Suriname, ou perto de lá. E é um excelente resumo sobre modelos societários no futebol mundial.

E o mesmo Serbino me lembrou, amigo que é por conta do antigo blog Terceira Via Verdão, esse mesmo, que nos primórdios do 3VV, mais de 10 anos atrás, nós já falávamos aqui sobre o modelos de gestão no futebol e quais caminhos um clube da dimensão do Palmeiras teria para se posicionar no século 21 em termos de gestão.

Aqui falei também algumas vezes sobre os modelos que mais gosto. Particularmente o do Bayern de Munique, onde o clube é o principal acionista mas tem ainda Adidas, Audi e Allianz como sócios. Gestão profissional. O link está abaixo.

Mas leiam antes o artigo na Infomoney …

***

Já leram? Então vamos lá.

Interessante notar que o artigo cita clubes como Palmeiras e Flamengo como sucesso em um modelo de gestão “associativa fechada”. Mas acertadamente o faz com ressalvas. Tomo a liberdade de reproduzir três quadros que o autor colocou em seu texto. Todos os créditos para ele.

Sobre os modelos de gestão….

Sobre os prós de cada modelo….

Sobre os contras de cada modelo… (o destaque em amarelo é meu).

Surgiu um sopro de esperança de que a mudança viria de cima pra baixo quando discutiu-se no Congresso a SA do futebol. Três links sobre o assunto:

https://www.migalhas.com.br/coluna/meio-de-campo/310685/motivos-para-criacao-da-sociedade-anonima-do-futebol-saf

https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/saem-clubes-entram-empresas-entenda-o-que-pode-mudar-no-futebol-brasileiro-ainda-em-2019.ghtml

Terra Econômico: Clube empresa e a SAF.

Não avançou. Na verdade, nem precisava. Especialistas no assunto afirmam que nao precisamos depender do Congresso. Qualquer clube pode tomar essa decisão e partir para esse modelo. Pode ser que a SAF volte à pauta pós pandemia. Até porque muitos clubes estão passando dificuldades e vão aumentar, com toda essa paralisação,

E o Palmeiras?

Todo esse contexto para dizer que apesar das melhoras nos últimos anos – todos reconhecemos isso – ainda patinamos e feio no assunto “gestão”.

O Palmeiras continua estaionado no modelo Associação Fechada, onde assim tenta preservar a continuidade do poder entre os grupos políticos internos. E isso na minha opinião é muito ruim no longo prazo. Por quê? Enumero 3 potenciais riscos, dentre vários:

  1. Não implementar uma profissionalização de verdade, que comece lá na diretoria executiva e possa permear todos os departamentos ligados ao futebol;
  2. Continuar refém de um modelo político onde um novo presidente, qualquer um, pode jogar no lixo qualquer evolução que tenha havido de 2015 até 2018;
  3. Não desenvolver uma governança que dê transparência e separação de interesses pessoais versus interesses da instituição;
  4. Não desenvolver ferramentas de capitalização e com isso continuar refém de mecenato ou fontes de receitas não alavancáveis;
  5. Não abrir de verdade a instituição Palmeiras aos que verdadeiramente geram valor, ou seja, sua torcida.

O modelo de gestão – independente daquele que eu defenda – deve ser orientado para despolitizar, colocar profissionais na cadeira do “presidente” (ou usando um anglicismo de mercado, o tal Chief Executive Officer), permitir capitalização e atrais os verdadeiramente palmeirenses para mais próximo da gestão.

Depois de mais de 10 anos falando sobre isso e tendo participado mais ou menos ativamente por algumas gestões, sinto que nada foi feito no sentido de avançar de verdade nesse tema. Por absoluta falta de interesse político de todos aqueles que possuem ou possuíram capacidade de decisão lá dentro, formal ou não.

Termino essa provocação com um texto do artigo de Cesar Grafietti, da Infomoney, que serviu de inspiração para esse texto:

O problema é que vamos tratar o modelo de controle acionário como a solução dos problemas, quando na verdade ele é apenas meio, não fim. O que muda a vida de uma empresa e de um clube de futebol é a forma como eles são geridos, e não seu modelo societário. Cesar Grafietti, Infomoney.

Independente do modelo, o que muda a vida de verdade de um clube de futebol é a forma como ele é gerido. Felizmente algumas poucas – eu diria bem poucas – pessoas dentro do Palmeiras compartilham dessa visão. Talvez em algum momento essas pessoas deixem de lado diferenças políticas que apenas colocam uma névoa na visão de longo prazo de nossa instituição, e se juntem sobre aquilo que as unem.

***

O momento é de Páscoa. Páscoa simboliza renascimento e renovação. Que essa renovação também passe e primeiro lugar nas nossas vidas e de nossos familiares e amigos, nos dando forças para superarmos esse difícil desafio que o Coronavírus impôs ao mundo e a nós.

E quem sabe, depois disso, que essa renovação ilumine a cabeça de palmeirenses que querem um modelo de gestão forte, duradouro e sustentável. E não com desempenhos de sucesso fugaz…

Feliz Páscoa. Saudações Alviverdes! Cuidem-se.

10 respostas em “Vamos falar de gestão?”

Só lembrando, estamos em maio e o Palmeiras é o único time que levantou taça em 2020!
Saúde a todos!

É. Acho q acabei me precipitando e me equivocando mesmo. Lá no São Jorge já cortaram até a luz kkkk

Muita coisa sempre temos para melhorar. E o Palmeiras de fato as vezes teima nós mesmos erros!
Mas eu pelo menos não esqueço que sofremos muito e que agora estamos num outro momento!
Estou assistindo um jogo de 2010 com a seguinte escalação:
Deola, Fernando, Leandro Amaro, Maurício Ramos, Gabriel Silva, Pierre, Márcio Araújo, Tinga, Kleber, Dinei e Luan.
E olha que está longe de ser o pior time que tivemos nos últimos anos…
Que dureza!!!!

Não quero bancar o pessimista mas a realidade é que com a crise q se instalará no país pós Covid 19 , a tendência é o Palmeiras voltar àquela velha política do “bom” e barato dos tempos do sapo boi. A crefisa certamente não irá mais injetar no clube a grana que vem injetando , irá diminuir drasticamente o valor do patrocínio, isso se não resolver ir embora de vez. Somando isso aos cancelamentos no sócio torcedor e a incompetência dos diretores palestrinos que nunca foram criativos pra gerar renda, pelo contrário, nunca souberam aproveitar esse bom momento do clube de 2015 pra cá, pode-se esperar novamente tempos sombrios nas alamedas do Allianz Parque. Repito , não quero ser profeta do caos mas é o cenário que me parece mais lógico. Se em tempos de vacas gordas os caras q comandam o clube já se mostram incapazes ; imagina então numa crise brava dessa que todos os clubes irão enfrentar? 2021 promete! Ainda bem que o futebol se tornará algo ainda mais supérfluo pra qualquer cidadão com cabeça no lugar, que certamente estará muito mais preocupado em acertar sua vida e de sua família do que com o time que torce.

Boa tarde Frois! Quanto tempo, hein?
Discordo um pouco de você, se as coisas ficarem ruim pro Palmeiras, imagine para os outros clubes… Tia Leila não abandonará o barco jamais, fique tranquilo.
O Galliote foi o primeiro a pedir para interromper o campeonato, não deve ter sido “à toa”…
O importante agora é esta pandemia acabar logo!
Abraço!

grobo lixo ,se não paga o que deve ,não renova a concessão .Vai sair fora do ar.
Essa rede de esgoto passou dos limites, tem um monte de trouxa que acredita nas mentiras encomendadas pela essa rede lixo de esgoto , jogando o povo contra o Presidente.
No futebol agente já sabe o que acontece com as arbitragens, a mal divisão da cota televisiva e o VAR, favorece os 2 afilhados e prejudica os outros e principalmente a Sociedade Esportiva Palmeiras.
#FORA Doriana
#grobo lixo.

Pelo contrário, Philipe Frois. Quando o futebol voltar, será o Palmeiras que estará em melhor situação (além do Flamengo). A epidemia abalou a todos os clubes, sem exceção, mas o Palmeiras estará em muito melhor condição do que os demais para manter um time forte e competitivo, enquanto os outros estarão desesperados para vender os seus melhores jogadores e, ainda pior, vários chamados “clubes grandes” estarão praticamente falidos. Nesta categoria não estão excluídos o SCCP e o SPFC. Por incrível que pareça, é a chance de o Palmeiras se tornar ainda mais protagonista.

Artigo longo e complexo, concordo que temos que buscar um modelo de gestão que privilegie a competência e a transparência, o problema é como fazer isso, pois estamos em um País onde essas duas palavras são praticamente desconhecidas, onde a maioria das pessoas ainda acredita em pessoas e não em processos como meio de resolver problemas e principalmente crises……..

Vicente, como conselheiro do clube, você não leva essas informações ao presidente? Não existe pauta, conversa ou reuniões para isso ser dialogado e debatido entre presidência, diretoria e conselho do Palmeiras?

Na minha opinião o Palmeiras avançaria muito se o galiotte tivesse dado andamento no trabalho feito pelo Paulo Nobre. Infelizmente ele deu um passo para trás. Abraços Vicente

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