CARLOS PRACIDELLI

CARLOS PRACIDELLI

março 26, 2008 35 Entrevistas

Em maio de 2008 o
então blog Terceira Via Verdão entrevistou o (na época) preparador de goleito Carlos Pracidelli.


Releiam aqui a
entrevista. Os comentários na época foram reproduzidos abaixo. Mas
podem ser vistos no formato original em
http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/03/3vv-entrevista-antonio-carlos.html.


***

Antonio Carlos Pracidelli é uma pessoa pouco conhecida para boa parte dos palmeirenses. Mas tem tido uma importância fundamental nos últimos anos: é das mãos dele e de sua equipe que saem goleiros como Diego, Bruno, Deola, Dida. E foi com ele que Marcos – o grande Marcos – explodiu, como o próprio Pracidelli profetizou em 1999, “como uma bomba atômica”.

Mas o que poucos sabem, mesmo os palmeirenses, é o enorme comprometimento que esse profissional de 51 anos de idade tem com a formação de ótimos goleiros e homens de caráter.

Carlos Pracidelli – ou Carlão – começou no Nacional de São Paulo. Jogou no XV de Jaú, Atlético PR, Juventus, e encerrou a carreira aos 34 anos de idade no Santo André.

Foi parar no Palmeiras pelas mãos de Nelsinho Batista, em 1992, inicialmente para ajudar nas categorias de base e posteriormente assumindo o departamento de formação de goleiros do Palmeiras.

Na sua carreira de 16 anos formando goleiros, tem 14 anos no Palmeiras, considerando as idas e vindas impostas pela vida e pelos imbróglios políticos do clube.

Passei 45 minutos conversando com o Pracidelli. Dentro do gramado do Palestra, véspera do jogo contra a Ponte. O treino ia começar em uma hora e era o tempo que tínhamos. Entrei no gramado e o Carlão estava lá, assegurando-se que a marca da cal da linha de fundo estava alinhada com a trave do gol da ferradura.

Já vi que ia conversar com alguém perfeccionista!

Fala mansa, alguém que conversa sem medo de expor sua opinião, olha nos olhos mas também olha pro além, como se vislumbrando que algumas coisas que vão acontecer no futuro estão se formando exatamente hoje.

É mais ou menos isso que deve pensar alguém que treina garotos para virarem goleiros e homens.

Conheçam um pouco as histórias do Pracidelli!
_______

3VV: Quando você chegou no Palmeiras?

Carlos Pracidelli (CP): No final de 1992. Quando eu estava encerrando a carreira o Palmeiras precisava de alguém para cuidar das categorias de base. O Nelsinho tinha sido meu técnico no Atlético PR e quando ele soube que eu estava encerrando a carreira ele me chamou.

No início viajava para fazer jogos com Nelsinho, fazer scout. Era observador de jogadores, trouxe o Edson Baiano, o Jean Carlo. Até que no começo de 94, o preparador de goleiros do profissional, professor Zé Mario foi pro Japão e eu assumi todo o departamento de formação de goleiros do Palmeiras.

3VV: Qual foi a sua primeira fase no Palmeiras?

CP: Dezembro de 1992 até 29 de dezembro de 2001. O Presidente Mustafá Contursi resolveu fazer uma mudança em toda a comissão técnica do departamento profissional. Aí fui desligado na véspera do Ano Novo. Mas no dia 2 de janeiro de 2002 eu já estava no Santos.

3VV: Quem era o técnico quando você saiu?

CP: Era o Celso Roth. Nós fizemos uma campanha muito boa naquele Brasileiro. Nós já estávamos quase classificados – naquele ano os 8 primeiros se classificavam para um octogonal decisivo – e a nossa equipe oscilava entre o 2º e o 3º colocado (quando não era o 1º colocado). E de repente não sei o motivo ou o porque decidiram dispensar o Celso Roth.

Eu me lembro, faltavam 9 partidas prá acabar e todos davam como certa a classificação pro Palmeiras no mínimo em 8º lugar. E na época os diretores eram o Sebastião Lapolla e o Américo Faria. E não sei por qual motivo mandaram o Celso Roth embora e colocaram o Marcio Araujo. O Marcio na época não era treinador, era o coordenador, e ia ficar esses 9 jogos restantes. Porque para eles era certa a classificação para as finais do brasileiro.

E nesses nove jogos o Palmeiras perdeu sete em seguida, ganhou o oitavo aqui no Palestra – e o 9º jogo era contra o Flamengo em Juiz de Fora e precisando vencer. E o Palmeiras perdeu.
E aí prá nossa surpresa, sem explicação, o Mustafá resolveu dispensar toda a comissão técnica.

3VV: E retornou quando?

CP: Fui para o Santos em janeiro com o Celso Roth. Aí fui para a seleção brasileira com o Felipão.

No meu retorno pro Santos não era mais o Celso Roth, era o Leão. E fiquei até agosto, setembro, quando eu recebi um convite para voltar pro Palmeiras. Aí eu voltei em setembro.

E você vê como as coisas são engraçadas né… de setembro de 2002 até o dia 6 de dezembro de 2004, quando novamente por intervenção do Mustafá ele decidiu novamente mudar totalmente a comissão técnica. Sendo que nesse ano, vê só as coisas [ expressão de desolado ] nós tínhamos a chance de sermos campeões brasileiros, já com o Estevam Soares. Nós fizemos uma partida contra o Goiás no Serra Dourada, o Sergio era o goleiro e nossa… o Sergio fez uma partida maravilhosa e empatamos em 1×1.

Quando chegamos na 2ª feira, ele fez todas as mudanças. O Walmir Cruz foi embora – era o preparador físico – [ atualmente Walmir Cruz está trabalhando no Japão ] , deu férias para sete jogadores e avisou que o próximo seria eu.

[ o Finelli explica ] O que falou-se nos bastidores era que naquela época, não sei se você lembra, estava-se discutindo com o sindicato dos jogadores sobre os 30 dias de férias que os atletas têm direito. E foram três jogadores do Palmeiras na reunião – Magrão, Sergio e Denis (goleiro). Aí o Mustafá falou: “ah é? Querem férias?”: deu férias para todo mundo, sem ter acabado o campeonato.

[ voltando Pracidelli ] Depois mandou embora o Walmir e disse que o próximo seria eu. Aí em dezembro de 2004 eles me mandaram embora, no dia 6. Na época o diretor de futebol era o Mario [ Giannini ] e até hoje eu me lembro das palavras. O Mario me chamou e falou:

“olha Carlos não me pergunte porque mas o Mustafá resolveu fazer novamente uma mudança na comissão técnica e pediu para dispensar você”.

No dia 16 de dezembro de 2004 eu fui contratado no São Caetano, e comecei a trabalhar. E fiquei no São Caetano até junho de 2006.

Ai eu saí e volte ao Palmeiras através do Presidente Della Monica e pelo Vice Presidente Dr. Gilberto Cipullo voltei em dezembro de 2006.

3VV: Com tanto tempo assim na profissão, quantos goleiros você já formou?

CP: Olha, muitos, muitos… são 16 anos como preparador de goleiros, 14 anos no Palmeiras. Então é lógico que todos esses garotos que estão aqui passaram por mim no departamento amador, quando eles tinham 10, 12 anos. Pela escadinha dos mais velhos: o Marcos veio fazer uma avaliação aqui, o Diego veio fazer avaliação aqui, o Bruno também. Quando eu digo avaliação é lá no pré-infantil e infantil.

O que está no Sertãozinho, o Andre Zuba que está no Juventus, o Gilvan que não pertence mais a nós, nós demos a liberação a ele, está no Guarani. Tem o Marcelo, que também não pertence mais a nós, está como titular no Juventus. O Igor que foi dada a liberação, o Otavio, que está nos Estados Unidos. Muitos que chegaram ao profissional, ou muitos que não conseguiram vingar porque esbarraram no Marcos, no Sergio, no Diego.

3VV: Qual o segredo para gerar tanto goleiro bom?

CP: 1º lugar pelo Palmeiras, o que o Palmeiras me ofereceu. Desde 1992 tudo que eu precisei o Palmeiras me ofereceu. Desde médico, infra-estrutura, tudo. 2º lugar a dedicação.

Depois, dedicação, muito trabalho, carinho com o garoto que vem no Palmeiras, porque quem vem aqui vem com um sonho. E as pessoas que trabalham comigo agem assim. Tem o meu xará, Carlos, que me ajuda na preparação, tem o Jefferson, que já foi goleiro nosso aqui nas categorias de base e que é treinador de goleiros da base. Tem o Fernando também que é da comissão técnica da base e que já foi meu goleiro. Então tem também a preocupação de se formar pessoas para também trabalharem na equipe de preparação de goleiros. Então o resultado é o trabalho de um time!

3VV: Quando você chegou aqui quem era o goleiro?

CP: Em 92 era o Cesar, depois o Cesar saiu o Palmeiras ficou num período meio escasso. Ficou com o Ivan e o Velloso (que tiveram um atrito que não foi na minha época). O Velloso saiu e foi pro São João de Araras. O Ivan também saiu.. . então nós trouxemos o Carlos – que era da seleção brasileira, da Ponte Preta – o Sergio, que substituiu o Cesar. Depois tivemos o Gato Fernandez, até o dia que trouxemos o Velloso de volta.

3VV: Porque na campanha de 93 o goleiro era o Sergio…

CP: Era o Sergio… e em 94 o Gato Fernandez. Depois trouxemos de volta o Velloso. E nesse período o Marcos vinha sendo preparado. Mas nesse período pegamos o momento áureo do Velloso. Claro que às vezes acontecem falhas. Mas era um grande goleiro…

3VV: E aí como foi essa mudança do Velloso pro Marcos.

CP: Em 99 o Velloso foi vendido pro atlético MG. E nesse período quando o presidente Mustafá na época achava que tinha que vender o Velloso (e vendeu) o Felipão, chegou pra mim e falou:

“Carlão e aí, ele [ o Mustafá ] vai vender o Velloso, nós precisamos contratar outro goleiro?

Eu falei: “seo Luis, nós temos uma bomba atômica aí pronta prá explodir. É o Marcos.”

“Você acredita?”

“Acredito muito!”

E o terceiro goleiro era o Marcelo (que hoje está no Juventus). Mas o Marcelo era muito novinho e ele falou: “então como nós vamos fazer com o reserva?”.

Eu falei: “eu já tenho um goleiro prá trazer de volta! Eu tenho o Sergio que é nosso e está emprestado.”

3VV: Estava onde?

CP: Estava emprestado… estava no Flamengo, passou pelo Portuguesa e Vitória, … Então eu disse: “Seo Luis, tá na hora de trazer o Sergio de volta… por dois motivos: além do caráter que tem o Sergio, além do profissional, que eu sempre achei o Sergio um excelente profissional, ele é muito amigo do Marcos. Eles são praticamente irmãos. E ele vai ajudar a formar o Marcos.”

E mais uma vez ele acreditou em mim! Trouxemos o Sergio, nós ficamos com o Marcos, o
Sergio e o Marcelo Moreira
como 3º goleiro. E aí foi a ascensão do Marcos.

3VV: O que mudou na vida do goleiro nos últimos anos? Ta mais difícil pro goleiro?

CP: Mudou tudo pro goleiro…. mas prá melhor

3VV: Prá melhor? [ risos. … ]

CP: Eu te pergunto: na década de 80 quantos goleiros brasileiros jogavam no exterior? E hoje?

Vou te dizer: Dida, Julio Cesar, Doni, Gomes, Marcelo Moreto, mais outros goleiros brasileiros que foram jovens e a gente nem sabe que estão lá. E outra: goleiros jogando em equipes de ponta: no Milan, na inter, no Roma, … nós temos o Marcos que não quis ir jogar no Arsenal em 2003.

Você viu como mudou? E por que mudou? Por causa da presença do treinador de goleiros.

3VV: Você acha que ele chega mais preparado?

CP: Muito mais preparado. Não falo só de mim… falo de todos os treinadores que formam os goleiros desde as categorias de base. Então hoje o goleiro brasileiro chega no profissional muito mais preparado muito mais em condições de jogar em qualquer time do mundo. Isso não é uma mudança prá melhor?

3VV: Interessante isso porque profissão de treinador de goleiros é recente… bem mais recente que a de jogador e treinador de futebol.

CP: É muito recente! E começou com o professor Valdir Joaquim de morais, em meados dos anos 70. E começou aqui no Palmeiras. Foi o Professor Valdir o primeiro treinador de goleiros da história do futebol brasileiro [ taí o Palmeiras, desde aquela época inovando… ]
3VV:
Quem era o técnico? Brandão?

CP: Acredito que era o Brandão. Mas o seu Valdir foi o precursor desta carreira. Eu mesmo, em 92, fui o 1º treinador de goleiros das categorias de base do Palmeiras. Você vê que o Nelsinho, naquela época, já achava importante ter um treinador de goleiros nas categorias de base do Palmeiras. O Nelsinho reconhecia isso, principalmente num clube que tinha por tradição revelar grandes goleiros.

3VV: O que é que muda no treinamento?

CP: Tudo. Eu não vou saber resumir para você numa entrevista… mas tudo.

3VV: Parte física também?

CP: Tudo, o goleiro precisa ser trabalhado em outras valências da parte física. Até mesmo na parte psicológica. Apesar de eu não ser psicólogo, hoje você tem que trabalhar seu goleiro desde as categorias de base. Tem que trabalhar com ele as dificuldades da profissão.
Então a gente tem que trabalhar com o goleiro desde a base, preparando e mostrando a ele que a vida de goleiro é uma vida de cobrança. Por exemplo, goleiro tem que saber se recompor em campo. Se comparar com o jogador de linha, a sua responsabilidade é infinitamente maior. O jogador de linha perde uma bola, perde um gol, é cobrado mas depois vai ter outra chance. O goleiro não. Se ele falhar ele vai ser eternamente cobrado. Felizmente hoje em dia o goleiro é mais reconhecido inclusive financeiramente.

3VV:
Qual foi sua maior alegria?

CP: Ah eu vou dizer prá você, cada defesa que um goleiro meu faz é uma alegria! É difícil falar em uma alegria….. é difícil falar qual foi a maior, foram tantas alegrias, tantos momentos felizes… assim como momentos tristes!

3VV:
Lembra de algum?

CP: Lembro, um que marcou demais, foi aquela final nossa em Tóquio… que nós tínhamos tudo para vencer… e foi um momento muito triste. Não só prá nós mas para toda a torcida palmeirense.

3VV: E imagino que para quem está mais próximo, como você e nesse caso era o Marcos, a tristeza é maior!

CP: A gente sofre junto, porque ele foi muito cobrado. Mas também foi muito amparado por nós e pela torcida…

Finelli: só uma ressalva, quando o time voltou de Tóquio… e logo depois jogamos contra o São Lourenço aqui, a torcida inteira gritou o nome dele no estádio…

CP: Até me arrepia! Eu lembro tantas horas de vôo e a gente chegando em Cumbica. A torcida em peso estava lá só prá apoiar o Marcos.

E eu lembro que falei pro Marcos depois: Marcos, agradeça a Deus esse momento porque eu tenho certeza que Deus vai nos dar outras chances de conquista. E jamais eu imaginaria que em 2002 nós estaríamos juntos de novo em Yokohama para uma final. E que nós íamos ser campeões juntos. Tudo bem, eu gostaria que fosse pelo Palmeiras, né, mas acabou sendo pela Seleção, onde o Marcos estava representando toda a comunidade palmeirense! E o Marcos teve uma atuação perfeita, em toda a Copa e principalmente no último jogo contra a Alemanha, que ele conseguiu conquistar o penta-campeonato.

3VV: Mas tem uma história que eu queria que você contasse sobre o Marcos no ano 2000 na decisão da Libertadores contra o Corinthians … me conta essa história…

CP: A dos pênaltis?

3VV: É…

CP: Ah…. pode falar palavrão aqui?

3VV: Deve…

CP: Pois é… nós sabíamos né que se houvesse uma vitória do Palmeiras, ia para as penalidades né? Então o que que eu fiz? Naquela época, não sei se pode citar o nome, mas falei com a Helô Campagnoto, da Record (que trabalhava no programa do Milton Neves). Então eu pedi: “Helô, você teria condição de conseguir a fita com os pênaltis que o Corinthians bateu nessa Libertadores? Porque se acontecer uma vitória nossa, e eu tenho certeza que vai acontecer, nós vamos pros pênaltis”.

E a Helô… nossa… foi ótima ajudou e conseguiu gravar os pênaltis que tinham sido batidos pelo Corinthians.

Aí nós fomos prá concentração e eu chamei o Sergio e o Marcos. E passamos a tarde toda vendo os pênaltis. E chegamos à conclusão que nas cobranças, os jogadores que eram incumbidos de bater as penalidades, não mudavam o jeito…

Eu falei assim: pô Marcos imagina o Morumbi com 100 mil pessoas: você acha que o batedor quando for bater o pênalti ele vai olhar pro goleiro prá ver se o goleiro vai se mexer ou não? Ele vai bater do jeito dele. Todo atacante tem o seu lado bom prá bater, né? Ele vai querer bater com segurança. E nós estávamos analisando e realmente acontecia isso, o jogador não mudava.

Então ficou decidido que, se acontecesse (e aconteceu) de ir prás penalidades, quando determinado jogador fosse bater o pênalti, e aquele jogador estava na relação que nós observamos, de imediato o Marcos tinha que esperar o juiz apitar e já ir no canto que nós já tínhamos visto na fita.

E acabou acontecendo a nossa vitória, e foi pros pênaltis. Morumbi lotado, nós assim abraçados né… eu e o Sergio abraçados e nós falamos… “putaquepariu Serjão, vai acontecer… vai acontecer… você vai ver…”

Aí começou a bater…

3VV: [ risos com o fim do “causo” do Pracidelli ]

3VV: Essa coisa da união do jogador, aquilo que a gente estava falando antes sobre a formação do caráter, tem alguma receita prá isso… porque prá mim não pode ser coincidência o nível de união entre o Diego e o Marcos, da mesma forma como foi entre o Marcos e o Sergio, independente do Marcos ser uma referência para eles, muitos chegaram aqui e o Marcos já era um goleiro consagrado…

3VV: Mas você olha outros goleiros, e não vou citar nomes aqui, mas tem goleiro de time grande que começa a fazer sucesso e já quer ganhar mais senão quer sair… outro diz que tem proposta do exterior (e ninguém sabe se tem mesmo) prá ganhar mais… enquanto o Marcos teve proposta e não saiu… Tem alguma receita prá isso? Eu sei que você é meio linha dura!

CP:Eu acho que o pai tem que ser durão quando o filho merece e tem que ser carinhoso quando o filho merece. Aqui nós chegamos todo dia por volta de 8:30, 9:00 horas, e ficamos até por volta de 11:30 e meio-dia. Depois almoçamos, descansamos e voltamos às duas. E ficamos até as seis horas. E lá pelas 11 horas, meia noite, o garoto vai dormir.

Então você vê o tempo que o garoto permanece dentro do clube. Por isso que eu falei prá você, não dá prá explicar como é o treinamento em uma entrevista. É uma vida! Não pense você que nós ficamos só treinando o goleiro, e chutando bola, ensinando a cair, ensinando a pular, nada disso.

Nós passamos ao garoto toda a situação de vida. Tudo que acontece lá fora… então toda essa orientação é dada ao garoto. O Palmeiras possui assistente social, possui uma psicóloga… então é dada toda uma retaguarda ao garoto.

E fora isso, tem a conversa! Eu tenho dois filhos… então eu sei tudo que se passa na cabeça de um garoto. Quando ele vai prá escola… quando ele vai pro cinema… quando ele vai pro Shopping! Porque eu também fui garoto e tenho filhos nessa fase… então minha preocupação não é só com a formação de dentro de campo.

Assim como você vê hoje o Marcos, você vê o Diego, você vê o Bruno, você vê o Deola, o Zuba, o Rafael – Alemão lá em Natal – , o Rafael Alves, o Dida, que tá subindo, toda essa base, assim como esses garotos que estão chegando, muitos, mas muitos também foram mandados embora, porque não seguiram, não quiseram seguir o perfil que é cobrado por nós aqui. Então a formação não se baseia só na formação física ou técnica; se baseia na formação como homem!

Então, eu digo a você que quando você pega a pirâmide… [ faz um desenho com a mão sobre da pirâmide representando os goleiros que o Palmeiras já teve ] olha lá no topo da pirâmide homens de caráter… vê pessoas responsáveis como foi o Velloso, como foi o Seo Valdir Joaquim de Moraes, como foi um Leão, como foi um Oberdan Cattani, e agora mais recente… o Sergio, o Marcos, você vê homens no topo dessa pirâmide … a base [ os garotos ] que é bem ampla, olha prá cima e vê que só chegam pessoas boas lá em cima. Só com caráter.

Então, se o topo é bom, a base tem que ser muito forte prá poder merecer chegar lá em cima. Então o que se vê por aí afora, eu não vou comentar, porque eu tenho 16 anos como treinador de goleiros… e desses 16 anos eu tenho 14 no Palmeiras. E tenho um filho de 16 anos… então como você vê, minha preocupação é com a formação em todos os sentidos. E a base é influenciada pelo topo da pirâmide. Por isso eu levo os garotos do juvenil, do infantil, do pré infantil para trabalhar com o pessoal do profissional. Para eles verem o jogadores do topo dessa pirâmide como eles são.

Quando eles vêem o Marcos aí ralando, o Diego ralando, em todos sentidos! O Bruno lá fora treinando, e além disso sendo homens fora de campo, eles não têm o direito, eles não podem cometer erros, senão eles jamais ele vão alcançar o topo.

3VV: Quem foi seu ídolo na infância?

CP: Na época, na época eu era criança, eu via muito o “seo” Valdir Joaquim de Morais. Depois, na época da Academia, o próprio Leão, um exemplo de atleta.

3VV: Arrisca a dizer quem foi o melhor?

CP:Não, não arrisco… prá não cometer injustiça. São momentos diferentes. Hoje eu diria o Marcos, pelas conquistas. Mas cada um teve o momento dele!

3VV: Esse momento do Palmeiras, onde as coisas começam a se acertar: o Palmeiras tem uma comissão técnica que está entre as melhores do Brasil (se não for a melhor), um elenco em formação com muito potencial, uma infra-estrutura no futebol profissional invejável. Você passou por várias fases aqui. Como você compara o momento atual com outros momentos que você presenciou no Palmeiras?

CP:É verdade, você foi muito feliz porque eu acompanhei o finalzinho daquela fase 91/92, onde o Palmeiras ficou muito tempo sem ganhar títulos, um período super difícil. Depois nós tivemos um período, aquele entre 93 até o ano 2000, com a Parmalat, onde praticamente o Palmeiras, se não ganhava o título disputava e chegava perto. E depois com a saída da Parmalat, tivemos aquela situação…

Então analisando aqueles períodos e comparando com o momento de hoje, eu vejo um momento do Palmeiras muito, muito bonito! Acho que é um momento onde o palmeirense pode ficar orgulhoso. Através do nosso Presidente, Della Monica, do Doutor Cipullo e de toda a Diretoria, eu vejo o que tem sido feito, os passos que a Diretoria de futebol vem dando … acho que é um momento que vai ficar para a história.

Por exemplo, nós estamos vendo aqui ações, projetos que vão colocar o Palmeiras para o 1º mundo do futebol; coisa que o Palmeiras merecia estar há muito tempo. Então nós temos pessoas importantes, pessoas que participam diretamente no processo de engrandecimento, e eu fico muito feliz de poder estar passando esse momento junto e poder dar minha parcela de contribuição nesse processo, porque eu acho que vai ficar para a história.

3VV: Quem serão os sucessores do Marcos? Quem está surgindo por aí?

CP: Nós temos uma safra maravilhosa. O trabalho que é feito lá em baixo [ nas categorias de base ], pelas pessoas da minha confiança, pessoas que cresceram comigo – o Carlos (Carlos Magno), o Jefferson, o Fernando, pessoas que saíram do departamento amador como eu saí… eu fico muito confiante. O primeiro goleiro, que já está pronto e nós temos aí é o Diego.

3VV: Com quantos anos está o Diego?

CP:O Diego está com 25 anos… e hoje ele é uma realidade! Você vê o próprio Marcos pedindo o Diego prá Seleção Brasileira. Veja como é nosso ambiente: o Marcos pedindo o Diego para a Seleção e o Diego rezando pelo retorno do Marcos!

Nós também temos o Bruno, um excelente goleiro, quando tiver a oportunidade de mostrar seu potencial vocês vão ver, excelente caráter, excelente emocional; o Deola, que está emprestado; o André Zuba emprestado. Rafael, que está no América de Natal.

Nós temos ainda o Rafael Alves, que todos conhecem por Dida, que é o goleiro da seleção brasileiro sub-18. Nós temos o Carlos, o Fabio, do juvenil pro junior, o Borges, do juvenil, o Vitor, do infantil. Nossa nós temos uma safra maravilhosa não só pelo aspecto técnico mas também pelo caráter.

3VV: Tem uma história aqui que eles são bons também porque você é muito habilidoso para bater na bola com pé direito e esquerdo. Como é que é isso?

CP:É verdade … o seo Valdir diz que eu sou o único que bate com os dois pés e não caio [ risos ] É verdade, graças a Deus eu tenho essa facilidade em ser ambidestro… e ajuda muito, é fundamental. Hoje você vai para uma partida e você não sabe se o jogo já começa a mil… então nos treinamentos, no aquecimento, também é importante para o formador de goleiros ter essa capacidade de chutar bem.

______

Fim da entrevista, caminhamos de volta… pelo mesmo campo – gramado diferente é verdade – em que ganhamos a Libertadores. Não tive como não olhar pro gol e lembrar da visão do Alex naquela pintura de lance contra o River. Ou então dar uma olhadinha da visão que Zapata teve quando chutou o pênalti fora… tenho certeza que ele olhou prá cima e viu um mundo de palmeirenses como eu, Emerson, Luigi, Jota, e todos vocês outros palmeirenses que estavam presentes (de corpo ou de mente) naquela curva secando aquele chute! Mas isso é passado… esperamos que o próximo título paulista, brasileiro, da Libertadores, continuem tendo na nossa meta goleiros que surgiram nessa fábrica de atletas e de homens de caráter que o Carlão e sua equipe montaram.

Créditos e agradecimentos para as imagens usadas neste POST:

Assessoria de Imprensa da SE Palmeiras
Imagens do PICASA de (mais) um anônimo torcedor palmeirense chamado Fabio (não consegui reproduzir aqui seu endereço; quando reencontrar, publicarei aqui)
http://www.pontoverde.com.br/
http://www.miltonneves.com.br/
http://palestrinos.sites.uol.com.br/
http://www.palmeirastododia.com/
Charges do http://www.mondopalmeiras.net/
http://www.gazetaesportiva.net/album/1959b/raiox.htm

E atenção palmeirense: foi uma briga enorme conseguir imagens dos trechos aqui citados. Uma dessas é do jogo que o Pracidelli cita, contra o Goiás, em 2004 onde o Sergio defendeu “muito” nas palavras do Pracidelli. Quem tiver, por favor, me envia e eu darei os devidos créditos no POST.

Mesmo nos pênaltis, muitas imagens que foram usadas pertencem a outros jogos. Foi “sem querer querendo”. Quem puder mandar mais imagens originais daquele jogão, pode enviar prá mim que farei as correções no áudio/vídeo e darei os devidos créditos nessa matéria.

E por último, mas não menos importante, meus agradecimentos ao Helder Bertazzi e ao Fabio Finelli, que organizaram essa entrevista.

Saudações Alviverdes…

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