A Corneta do Cunio – O preço da fama

junho 12, 2009 17 Corneta do Cunio

POR ALBERTO CUNIO

Economistas alviverdes, vamos aproveitar a
emenda do feriado para focarmos um assunto que esteve na pauta de discussões
esta semana, pelo menos em alguns veículos da imprensa. Fazendo uma correção,
vou incluir aí a chamada “mídia palestrina”, na qual o 3VV anda despontando,
para nosso orgulho.

Até
que ponto dependemos HOJE de nosso atual técnico (treinador, apitador de
coletivos, “manager”, como queiram) para termos sucesso no futebol
profissional? Minha resposta curta e grossa: muito pouco. Poderia até dizer
“nada”, mas ainda temos alguma dependência justamente em virtude da palavrinha
de quatro letras que esta no título da coluna.

Durante muito tempo, VL foi considerado o
melhor técnico do Brasil. Lembro bem quando o país dizia, em tempos pós
Lazaronis e outros aventureiros, que se VL assumisse a seleção, “aí sim seremos
tetra, penta,…”. Ele foi, a partir de meados dos anos 90, o exemplo do
sucesso, do técnico vitorioso, do estrategista. O time entrava mal no primeiro
tempo, ia para o intervalo, voltava sem nenhuma alteração e parecia que tinham
retornado 11 novos jogadores para o campo. As equipes voavam.

Como fomos beneficiados em 93, 94 e 96 com
estas virtudes, quando saímos da fila e recuperamos o respeito perante nossos
adversários, achamos tudo lindo. Mas estes eram os tempos da projeção… De
ilustre desconhecido e técnico do Bragantino, então passou a treinar um time de
ponta, recheado de craques, que adotara uma co-gestão inédita no futebol
brasileiro, a qual depois de anos jamais foi igualada em termos de êxitos. Navegávamos
em águas cristalinas e sonolentas.

Nem todos, porém, sabem lidar bem com o
sucesso, a fama e os adornos que a mídia coloca no pescoço. Mike Tyson foi preso,
Michael Jackson negou sua própria raça, Kurt Cobain suicidou-se e VL… virou
“manager”. Por mais que muitos queiram defender que as pessoas devam progredir
e se lançar a voos mais altos na carreira, gostaria que me dessem mais um
exemplo de profissional do ramo que mudou a conotação do próprio cargo e passou
a dar pitaco na seara alheia. Começava aí a descaracterização de uma atividade,
o conflito explícito de interesses e a desconfiança de todos. A fama passou a
custar mais caro do que o produto. É como tomar Coca-Cola por R$ 10,00 a
latinha.

Agora o que eu pergunto a todos os leitores,
comentaristas e colunistas do 3VV, é até que ponto vale pagarmos esta grana por
esta latinha. Que benefícios VL trouxe a nós hoje que outro técnico, que fosse
trabalhador, com pouco mais ou menos de carisma, PROFISSIONAL e que custasse
infinitamente menos, não faria na mesma proporção? Poderia citar aqui inúmeros
técnicos que poderiam nos dar desempenho similar OU MELHOR, mesmo não contando
com jogadores que só vieram por sonhar em ser treinados pelo “profexô” (o que
para mim é, mais uma vez, exemplo de inversão de valores, pois um jogador
deveria sonhar em JOGAR NO PALMEIRAS, acima de trabalhar com qualquer
treinador).

Para não causar tumulto, não direi nomes, mas
vou pedir que olhem nossos maiores adversários, vejam o nosso passado e
reflitam sobre o presente, os resultados efetivos, CUSTOS, polêmicas, entre
outras coisas. E digam se isso tudo vale a pena. Semana passada disse que
estávamos olhando as coisas à luz de substituições, resultados de jogos e
contratações, quando na verdade vivemos uma crise de identidade. Reitero minhas
palavras. Ninguém pode ser maior que nossa instituição. Estamos pagando um
preço muito caro por isso.

***

Esta semana vou mexer no quintal de nosso
colega Danilo e deixar minha CORNETA tocar bem alto no ouvido da comissão de
arbitragem e de todos os árbitros deste Brasileirão, que juntos estão
protagonizando um verdadeiro circo dos horrores. Bom final de semana a todos e
sorte para nós no domingo, prévia da final da Libertadores! (que os anjos
passem e digam “AMÉM!”).

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17 comentários em “A Corneta do Cunio – O preço da fama

  • Alberto Cunio
    junho 13, 2009
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  • Ricardo Fassina
    junho 13, 2009
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  • Cássio Andrade
    junho 13, 2009
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  • Cássio Andrade
    junho 13, 2009
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  • Alberto Cunio
    junho 13, 2009
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  • Marcio Zambon
    junho 13, 2009
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  • Rogerio Rocha
    junho 13, 2009
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  • João Gomes Yzquierdo Neto
    junho 12, 2009
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  • Alberto Cunio
    junho 12, 2009
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  • Andre Luiz Martins Oltemare
    junho 12, 2009
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  • Sérgio Modesto Frugis
    junho 12, 2009
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  • Julio Coelho
    junho 12, 2009
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  • Andre Luiz Martins Oltemare
    junho 12, 2009
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  • Rogerio Rocha
    junho 12, 2009
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  • Arthur Azevedo Ribeiro
    junho 12, 2009
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  • Marco Bucci
    junho 12, 2009
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  • Andre Luiz Martins Oltemare
    junho 12, 2009
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