Ética e Egos – Ainda sobre Luxemburgo

julho 3, 2009 27 Futebol com Números

POR LUIS FERNANDO TREDINNICK 

DIVULGAÇÃO AUTORIZADA MEDIANTE EXPLÍCITA 
CITAÇÃO DO AUTOR E DO BLOG www.3vv.com.br 

 

Pois é, amigos. Da mesma maneira que eu tive que falar sobre a briga entre o (pseudo) jogador do Santos e o Diego Souza, eu tenho que falar sobre o Luxemburgo.

 

Particularmente acho que era realmente hora dele ir embora. Afinal, a sua função no clube já havia sido cumprida.

 

Que função?  A de levar o Palmeiras a ser novamente um clube que impõe respeito. 

 

Devemos lembrar que em 2006 quase caímos novamente para a segunda divisão, em 2007 contratamos um técnico absolutamente desconhecido chamado Caio Júnior, que conseguiu levar o Palmeiras para a Libertadores ao repetir, com o Flamengo, os mesmos erros que cometeu no Verdão.

 

Com o tempo de fila aumentando, de forma proporcional o respeito dos adversários ia diminuindo.  De fato, era preciso um choque. Com a entrada de uma nova parceria, e a promessa de (finalmente) contarmos com bons jogadores, era preciso também um técnico cujo nome que impusesse respeito.  Neste contexto o nome de Luxemburgo realmente se encaixava no clube.

 

De alguma maneira, conseguimos novamente o respeito.  Conquistamos um campeonato Paulista, saímos da fila, e nos credenciamos para disputar o título do Brasileiro e a Libertadores. O Palestra Itália voltou a ser um trunfo. Voltamos ao patamar de onde nunca deveríamos ter saído (ou quase). 

 

Mas, no fim, o que ele fez foi só isso. Pouco dado o salário que ele tinha.

 

E muito pouco para aquele que, um dia, foi o melhor técnico do Brasil.   

 

Há tempos que não se vê esse técnico fazendo os jogadores renderem o máximo, mudando o jogo com uma simples substituição, dando um “nó tático” no adversário…

 

Procurei entender o porquê dessa decadência e, para minha surpresa, encontrei parte da resposta em um livro de negócios.  Jim Collins é autor de dois livros fenomenais da administração: Feitas para Durar e Empresas Feitas para Vencer.  Collins acaba de lançar um livro chamado Como as Poderosas Caem, em que explica porque empresas brilhantes acabam fracassando.

 

Ele identificou cinco estágios do declínio das empresas, e os três primeiros são assustadoramente parecidos com o que acontece com o Luxemburgo:

 

 

OS ESTÁGIOS DO DECLÍNIO

COMPORTAMENTO DO LUXA

1) Excesso de Confiança Originado pelo Sucesso – O primeiro passo do declínio é acreditar que o sucesso passado é garantia de um futuro igualmente brilhante.

 

Não seria a descrição perfeita do Luxa?  Dizendo que o salário dele era compatível COM AS CONQUISTAS PASSADAS? Ao invés dele dizer que era compatível ao retorno que ele daria ao clube?

 

2) Busca indiscriminada pelo crescimento – Companhias cegas pelo próprio sucesso buscam crescer a qualquer custo, muitas vezes deixando de lado os fundamentos que as levaram ao topo.

 

Ele não se contentou em ser técnico, mas queria ser Manager, negociar jogadores, abrir e franquear o Instituto Vanderlei Luxemburgo, comentar os jogos do Palmerias na Rede Globo… e o tempo para treinar, onde fica?

 

3) Negação do Risco – quando os sinais de que alguma coisa não vai bem começam a aparecer, as empresas em declínio simplesmente as ignoram – ou culpam o mercado, a concorrência e até o azar ao invés de procurar entender o porquê dos problemas.

 

Ele sempre negou veementemente que estava decadente!  Dizia que se havia ganhado o Paulista era prova que não estava! Colocou a culpa na “falta de base”, na torcida, no juiz, em todo mundo, menos nele.

 

É incrível como é a descrição perfeita dele, não é?

 

Adicionalmente, ele possui outras três características que me enervam profundamente:

 

1)      Mania de ser estrela (ou ego gigantesco) – em todos os clubes por onde ele passou, ele fez questão de brigar com o astro do time.  Foi assim com o Romário, com o Edmundo, com o Petkovic no Santos, com o Valdívia e até mesmo com o São Marcos.  Mas como o Marcos é o Marcos, ele não teve como manter a briga.

2)       Só trabalhar com jogadores que ele indicou – o que me impressiona é como ele consegue fazer isso em todos os clubes por onde ele passou. Ele simplesmente ignora a base existente e traz todos os jogadores de fora.  Sem surpresa, esses jogadores costumam ser dos mesmos empresários….

3)      Dizer que sucesso de um time é “herança” dele – ele adora dizer que os times que foram vencedores após a sua saída, foram vencedores por causa da “base” deixada por ele.  Mas, quando se pergunta sobre o rebaixamento do Palmeiras, aí ele não tem nada a ver com isso.

 

Enfim, como o Palmeiras deve olhar o futuro, e não o passado, não devemos perder tempo com alguém cujo ápice já passou.

 

Adeus, Luxemburgo. Estamos melhor sem você.

 

A verdade é que estamos muito melhor sem ele, seja em termos de capacidade técnica, de ego ou de ética.

 

Saudações AlviVerdes

 

*Luís Fernando Tredinnick escreve todas as sextas-feiras no 3VV, explicando a quem conhece e também a quem não conhece os números no futebol.

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27 comentários em “Ética e Egos – Ainda sobre Luxemburgo

  • valter palma
    julho 5, 2009
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  • Rodrigo Bucciolli Pereira
    julho 4, 2009
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  • Eduardo Picado
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    julho 3, 2009
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