A Corneta do Cunio – Mudaram apenas as moscas

julho 10, 2009 17 Corneta do Cunio

POR ALBERTO CUNIO

Ansiosos alviverdes, estou escrevendo a coluna no meio do feriado,
quando até então nenhuma definição sobre os rumos da direção técnica de nossa
equipe de futebol profissional foi tomada. Ao longo desta semana, tivemos
apenas discursos, muita falação, muita especulação, celulares desligados,
jantares fictícios, declarações de incentivo, declarações conformadas,
declarações irritadas, em suma, tivemos de tudo e, não tivemos porcaria de
resultado nenhum, com o perdão da palavra. Assim, de nada adianta falar sobre o
que ainda não se sabe: Muricy, Dorival Jr., Jorginho Cantinflas…

Hoje vou externar mais uma vez minha preocupação com os rumos do nosso
amado Palmeiras, mas não abordando como outras vezes a falta de títulos, nem a
indefinição de técnicos, nem se vamos casar ou comprar uma bicicleta. Vou falar
sobre as pessoas que dirigem o clube.

Adianto, primeiramente, que não conheço pessoalmente ninguém de dentro
do Palmeiras. Funcionários, conselheiros, puxa-sacos, parasitas, secretários,
muito menos os diretores e o presidente. O mais próximo que já cheguei foi
conhecer o filho de um conselheiro.

Apesar de já ter sido estimulado a entrar nos meandros do clube, para me
“enturmar”, virar quem sabe conselheiro e ajudar a mudar alguma coisa, nunca me
animei muito. E digo isso porque tive a mesma decepção quando fui averiguar o
caminho para se chegar a vereador na cidade onde eu moro. É nauseante e não sei
se nasci para isso.

Como torcedor, sócio do Palmeiras desde 1972, posso dar uma opinião
“vinda de fora”, baseado em tudo o que já vi, ouvi, testemunhei e inferi sobre
as pessoas que dirigem o clube. Não diferente de qualquer outra agremiação
futebolística ou clube social, o Palmeiras possui um grupo de pessoas que o
comandam mais preocupadas com seu próprio EGO, com seus interesses pessoais,
com seu poder de influência e com sua ascendência sobre outras pessoas do clube
do que com o Palmeiras em si. Ou seja, qualquer semelhança com um grupo de
senhores engravatados, em qualquer “parlamento” brasileiro, NÃO é mera
coincidência.

Pois bem, onde queremos chegar: essa POLITICAGEM, inerente à cartolagem
brasileira (e mundial), traz como consequência que, todo e qualquer assunto tem
extrema importância, MENOS aqueles que venham a beneficiar a instituição
PALMEIRAS. Radical? Posso até estar sendo radical, mas afinal de contas,
prefeitos, governadores e presidentes também constroem estradas, viadutos e
obras faraônicas para “inglês ver”. Nos clubes, as direções também fazem uma ou
outra contratação bombástica, obras faraônicas, para “torcedor trouxa ver”.

Entre nossos leitores, comentaristas e colunistas, tenho certeza que
existem inúmeras pessoas que transitam pelo mundo corporativo, conhecendo os
mínimos fundamentos de administração, gestão, marketing, etc. E como todos
sabem, os clubes de futebol (e nosso amigo colunista Luís Fernando Tredinnick
pode endossar minhas palavras) não só devem como PRECISAM ser geridos com a
mesma seriedade e competência que uma empresa privada. Pela simples razão que
acabam indiretamente tendo o mesmo perfil, gerando receitas, tendo despesas,
recursos humanos e gestão de pessoas, marketing… Dão lucro e QUEBRAM como uma
empresa. Mas o que vemos dentro deles (e no Palmeiras, evidentemente) ? Um
descalabro total, onde certas atitudes tomadas parecem tão descabidas que nem
sequer compreendemos a sua razão.

Se olharmos a lista dos conselheiros e dirigentes do Palmeiras, vemos o
patriarca, o filho, o neto, o bisneto, numa sucessão nepotista inadmissível,
que não se preocupa com idéias, progressos, gestão competente ou com O
PALMEIRAS, mas sim a quem poderão beneficiar, o que têm para barganhar, com o PODER
e com a perpetuação de sua ingerência dentro das paredes do clube. Isso nos trouxe
resultados assombrosos nas últimas décadas, como colocar na presidência um cidadão
que  deu um golpe financeiro, ou outro
que disse não gostar de futebol. Olha a que ponto chegamos.

Por isso, nada me espanta que hoje, ao recebermos o respeitadíssimo
presidente Belluzzo como número um de nosso clube, depositemos nele todas as
esperanças como dignitário de uma tarefa messiânica. Até que ponto ele vai nos
corresponder às expectativas, não sabemos ainda. Espero apenas que aqueles que
deveriam (mas nem sempre o são) ser subalternos nas suas decisões, o respeitem
e colaborem para que ele consiga seu intento. E é para estes MAUS SUBALTERNOS
que eu desfiro o soar de minha CORNETA constitucionalista pós 09/07/2009.

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17 comentários em “A Corneta do Cunio – Mudaram apenas as moscas

  • Marcio Zambon
    julho 10, 2009
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  • Rogerio Rocha
    julho 10, 2009
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  • Marco Túlio de Vasconcelos Dias
    julho 10, 2009
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  • Rodrigo Bucciolli Pereira
    julho 10, 2009
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  • Alvaro G Mucida
    julho 10, 2009
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  • Ricardo Fassina
    julho 10, 2009
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  • Alvaro G Mucida
    julho 10, 2009
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  • Administrator
    julho 10, 2009
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  • Danilo Pescarmona
    julho 10, 2009
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  • Ivan Antipov
    julho 10, 2009
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  • Rodrigo Bucciolli Pereira
    julho 10, 2009
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  • Diego Caio Terense Peressinotto
    julho 10, 2009
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  • Fernando Talarico
    julho 10, 2009
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  • Marco Aurélio Novelini
    julho 10, 2009
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  • Ângelo Lista
    julho 10, 2009
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  • JOSELITO LUIZ GONÇALVES
    julho 10, 2009
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  • Gaetano Misiti Neto
    julho 10, 2009
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