A Corneta do Cunio – Zumbi do Palmeiras

julho 31, 2009 31 Corneta do Cunio

POR ALBERTO CUNIO

Quilombo alviverde, ele nasceu Manuel,
filho de Manuel. Manuel Filho. Um brasileiro como outro qualquer. Não sei qual
sua origem, nem fui atrás para estudar. Não sei se era pobre, se nasceu aqui ou
acolá, nem se é órfão ou se é casado. Também não sei se tem herdeiros, nem a
origem do apelido. A única coisa que sei é que ele é jogador profissional e
veste hoje a camisa do Palmeiras.

Quando o Obina foi contratado por
empréstimo, meio na “calada da noite”, sem nem ninguém saber quando, como e por
que, houve uma chuva de interrogações, indignações, chacotas e ceticismos.
Afinal, o que aquela figura “grotesca”, motivo de piadas, vindo do clube mais
falido do Brasil (que a cada dia que passa joga ainda mais sua grandeza indiscutível
no lixo) e, pior, sem fazer gols há séculos, poderia acrescentar ao nosso
elenco?

Voltamos ao papo furado do “bom e barato”
(afinal, ele veio de graça). Lembraram do Mustafá. Da Série B. De muitas
coisas. Só não se lembraram de uma coisa.

Obina é um ser humano. E como todo ser
humano, luta pelo seu espaço. Deve ser respeitado. Merece uma oportunidade de
mostrar seu trabalho, suas intenções. Chegou no Palmeiras com toda esta chuva
de olhares duvidosos, mas acima de tudo, nadando de braçadas nos preconceitos.
E por quê? Porque o palmeirense, assim como todo brasileiro, tem memória curta.
E como todo bom torcedor de um time da NOSTRA colônia, adora falar mal dos
outros sem nem saber a razão.

Ouvi esta semana num programa esportivo de uma
rádio paulistana uma coisa muito interessante. Obina nunca foi um jogador
polêmico. Criaram nele uma imagem que nada condiz com sua realidade. Compararam
seu futebol com um astro do futebol europeu muito mais pela gozação do que pela
admiração. Não se ouve nada de sua vida pessoal. Suas entrevistas são simples,
até humildes, sem estardalhaço, sem frases de efeito ou erros de português que
o caracterizassem como “broncão”. Ele apenas quer fazer seu trabalho bem feito.
E está fazendo.

Veio quieto, sem alardes, acima do peso
(afinal, ele tinha no RJ uma preparação atlética de qualidade duvidosa). Foi
colocado na fogueira, em plena Copa Libertadores, quando mais precisávamos
ganhar. Correu, lutou, deu carrinhos, saiu suado e ralado. Tentou ajudar o
claudicante Palmeiras daquele momento. Hoje, perdeu peso, está em boa forma,
luta, faz gols (ofício de atacantes), perde gols (revés de atacantes), respeita
a camisa que veste. O que ganhou em troca de seu carisma? Aplausos nos gols,
resignação dos céticos, admiração dos mais novos.

Falei no sábado passado para meu sobrinho
adolescente: “Você não se lembra, mas tivemos um atacante chamado Magrão que
fez 3 gols no mesmo jogo contra o Corinthians. Não virou ídolo, mas nunca mais
esqueceram dele”. Magrão não teve maior sorte no futebol. Obina também fez 3 no
arquirrival. Tão pouco saberemos se Obina terá maior sorte. Mas outros
jogadores muito semelhantes a ele tiveram seus momentos de glória no Palmeiras.
Não vou citar nomes, vou deixar aos leitores lembrarem quem jogava muito parecido
com o Obina e brilhou no Palestra.

Obina não é nosso salvador, nosso herói,
nosso “Zumbi do Palmeiras”. O Palestra Itália não é um quilombo. Obina é apenas
um atleta dedicado, um profissional e um homem. E que merece, acima de tudo,
RESPEITO DE TODOS.

Dedico assim minha CORNETA semanal aos que
não concordam com minhas palavras. Não porque eu seja o dono da verdade. Mas
porque certamente já negaram na vida oportunidade a alguém que a merecia.

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31 comentários em “A Corneta do Cunio – Zumbi do Palmeiras

  • Alberto Cunio
    agosto 2, 2009
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  • V Criscio
    agosto 2, 2009
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  • Alberto Cunio
    agosto 2, 2009
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  • Eduardo Carraro Milagre
    agosto 2, 2009
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  • Alberto Cunio
    julho 31, 2009
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  • Fernando Talarico
    julho 31, 2009
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  • Marco Bucci
    julho 31, 2009
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  • Administrator
    julho 31, 2009
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  • Marcio Zambon
    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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  • João Gomes Yzquierdo Neto
    julho 31, 2009
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  • João Gomes Yzquierdo Neto
    julho 31, 2009
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  • Ângelo Lista
    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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  • Gaetano Misiti Neto
    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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    julho 31, 2009
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  • Jeferson Nakamura
    julho 31, 2009
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  • gilberto giangiulio Junior
    julho 31, 2009
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  • Marcelo Breda Stocco
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  • Jobert Leite
    julho 30, 2009
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  • Alcides de Andrade Junior
    julho 30, 2009
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  • Marcelo Barbagallo
    julho 30, 2009
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