A Corneta do Cunio – Quem tem um só volante é automóvel

setembro 4, 2009 28 Corneta do Cunio

POR ALBERTO CUNIO

Catenaccio*
alviverde, hoje vou entrar de sola em defesa de nosso técnico e ao mesmo tempo
entrar levemente num tópico que eu francamente não gosto nada, que são os
esquemas táticos.
Não gosto porque não sou especialista no assunto, mas de tanto
ver, rever e viver o futebol, aprendi pelo menos algumas coisas básicas e
inquestionáveis, as quais, apesar de serem o óbvio, são esquecidas por muita
gente.

Ao contrário de algumas pessoas que ainda acham que o futebol
está no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, hoje em dia não há mais
espaço para maiores invenções ou romantismos. O futebol é pura competição.
Pequenos detalhes decidem a glória ou a desgraça. “Ah, mas o futebol sempre foi
assim.”. Concordo em partes. Mas houve tempo em que a agremiação perdia por
2×0, o craque do time colocava a bola embaixo do braço e em instantes o jogo
estava 2×4. Isso não existe mais.

Domingo passado muita gente DESCEU O PAU no nosso técnico por
ter voltado do intervalo com o Souza no lugar do Ortigoza. “Pronto, lá vem ele
com mais um volante. Coloca onze volantes de uma vez!”. Ouvi de tudo. Só
esqueceram o detalhe que, no meio do primeiro tempo, perdemos completamente o
meio de campo e ficamos na iminência de sofrer um ou mais gols. Graças ao
Senhor tivemos tempo de corrigir, senão estaríamos lamentando agora a perda da
liderança (hoje de 1 ponto), exatamente por “aquele pontinho” ganho no Morumbi.

Para aqueles que acham que jogar com dois ou mais volantes é coisa
de retranqueiro, vou avivar a memória dos que viram e contar aos que não viram.
Em 1986, durante a Copa do Mundo do México, o então técnico da Seleção
Brasileira Telê Santana, sempre famoso por jogar “para frente”, com times
ofensivos e rápidos, adotou um esquema utilizando dois volantes: Elzo e Alemão.
Foi um alvoroço, pois o Brasil passava a “ceder” a uma nova “ordem
internacional” do futebol, que já adotava esta formação com o claro intuito de
começar a vencer o jogo como no xadrez: dominando o centro do campo.
O
esquema foi brilhante e com o suporte dos dois volantes tínhamos um ataque
fulminante comandado por Careca e ainda a chegada surpresa dos alas, entre os
quais Josimar, que foi uma grata surpresa na competição.
Caímos fora
nos pênaltis contra a França, num dia muito infeliz apenas, quando até Zico
desperdiçou uma cobrança durante o jogo.

Passados alguns anos, o esquema se repetiu em 1990 com
a Seleção do “grande marechal da vitória” Sebastião Lazaroni.
O que ficou
conhecido injustamente como “ERA DUNGA”, sinônimo de futebol feio, só de
destruição e sem nossa tradicional inspiração, continuou sendo modelo até hoje
de eficiência. Quem imagina jogar sem PELO MENOS dois volantes hoje? Com a
saída de Pierre, esta semana tem se falado de tudo. Até de utilizar 3 VOLANTES!

Como nosso atual técnico, sou partidário do futebol moderno, que
começa por uma sólida defesa, para depois deixar a natural virtude do
brasileiro aflorar, que é atacar e fazer gols. Defender nunca foi nosso forte.
Por isso, devemos primeiro evitar tomar gols. E para aqueles que acham que
“atacar é a melhor defesa”, vou lembrá-los que nem para guerra este lema
estúpido serve: Napoleão e Hitler se deram mal justamente por não cuidarem da
retaguarda. E no futebol não é diferente. Usemos a cabeça: vamos nos preocupar
com nossos pontos fracos e não ficar depois como Aquiles, chorando as pitangas.
E CORNETA NA ORELHA daqueles que defendem a “não-defesa”, em especial para UM
COLUNISTA AQUI DO 3VV que só parou de xingar o nosso técnico na segunda-feira
depois do jogo. Só por conta da entrada do Souza.

* Catenaccio, que pode ser traduzido do italiano de várias
formas, mas que em suma quer dizer “tranca”, derivado de Catena que é
“corrente”, “grilhão”. É um sistema de defesa que foi criado nos anos 30, mas
foi eternizado nos anos 60 na Itália, no qual um forte esquema defensivo é
postado à frente do goleiro, transformando a entrada da área num verdadeiro
paredão. A Itália, por sinal, adora usar isso ainda hoje. E ganhou a última
Copa do Mundo assim.

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28 comentários em “A Corneta do Cunio – Quem tem um só volante é automóvel

  • Alberto Cunio
    setembro 5, 2009
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  • gilberto giangiulio Junior
    setembro 5, 2009
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  • Alberto Cunio
    setembro 4, 2009
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  • LOURENÇO CORSI NETO
    setembro 4, 2009
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  • LOURENÇO CORSI NETO
    setembro 4, 2009
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  • Cássio Andrade
    setembro 4, 2009
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  • Marco Túlio de Vasconcelos Dias
    setembro 4, 2009
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  • Raul Ricardi
    setembro 4, 2009
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  • Raul Ricardi
    setembro 4, 2009
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  • Marcio Zambon
    setembro 4, 2009
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  • Marcio Zambon
    setembro 4, 2009
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  • Cássio Andrade
    setembro 4, 2009
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  • Raul Ricardi
    setembro 4, 2009
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  • Cássio Andrade
    setembro 4, 2009
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  • Cássio Andrade
    setembro 4, 2009
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  • Raul Ricardi
    setembro 4, 2009
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  • Andre Luiz Martins Oltemare
    setembro 4, 2009
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  • Lucélia Batista de Almeida
    setembro 4, 2009
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  • Cássio Andrade
    setembro 4, 2009
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  • JOTA CHRISTIANINI
    setembro 4, 2009
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  • Raul Ricardi
    setembro 4, 2009
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  • Andre Luiz Martins Oltemare
    setembro 4, 2009
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  • VERA LUCIA CLORETTI
    setembro 4, 2009
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  • Raul Ricardi
    setembro 4, 2009
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  • João Gomes Yzquierdo Neto
    setembro 4, 2009
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  • JOSELITO LUIZ GONÇALVES
    setembro 4, 2009
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  • Rodrigo Bucciolli Pereira
    setembro 4, 2009
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  • Marco Aurélio Novelini
    setembro 4, 2009
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