Os balanços dos clubes brasileiros – 6

setembro 11, 2009 8 Futebol com Números

 


POR LUIS FERNANDO TREDINNICK


 


Pessoal, o título do post de hoje deveria ser “A difícil arte de entender o balanço dos clubes”!


 


Pode parecer incrível, porém a contabilidade utilizada pelos clubes brasileiros não é padronizada.  Antes que isso os assuste vale lembrar que no mundo corporativo a contabilidade também não é padronizada.  Só para vocês terem uma idéia, o sistema contábil utilizado em cada país é chamado de GAAP, que é a sigla em inglês para Práticas Contábeis Geralmente Aceitas.  Isso mesmo, não são regras, são práticas, e, para piorar, são GERALMENTE ACEITAS! Quer dizer que algumas empresas utilizam, outras não, com espaço para discussão sobre como fazer a contabilidade….


 


ENFIM, O QUE APARECE NOS BALANÇOS?


 


Observem na tabela abaixo, os principais itens que constam nos balanços dos clubes:


 


 


Perceberam que é bem diferente um balanço do outro?


 


O Grêmio não publica dados sobre o clube social, que aparentemente estão no item “receitas patrimoniais”, porém nada é dito sobre o que são essas receitas. 


 


Alguns clubes discriminam o que é licenciamento, outros não.  No Palmeiras o licenciamento não aparece como receitas do futebol (aqui eu fiz esse ajuste), mas como receita do clube social.


 


O pessoal do Jardim Leonor contabiliza as receitas do estádio de forma separada. Também é o único que discrimina receitas da Lei do Incentivo ao Esporte (essa é outra discussão sobre se esses valores deveriam ser contabilizados como receitas, mas falamos disso depois), mas curiosamente também existem receitas da Lei do Incentivo ao Esporte no estádio e no clube social.


 


E POR QUE ESSAS DIFERENÇAS SÃO IMPORTANTES?


 


Simples, porque essas diferenças dificultam enormemente a comparação do desempenho financeiro dos clubes.


 


O sistema contábil pode ser utilizado para “maquiar” algumas ineficiências ou “inflar” alguns números. 


 


Um exemplo prático: um clube vende os direitos federativos de um atleta por R$ 10 milhões.  Só que o clube só possui 50% desses direitos.  A maioria das pessoas entenderia que o clube iria considerar uma receita de R$ 5 milhões, já que o clube possui metade dos direitos do jogador.  Só que geralmente o clube considera uma receita de R$ 10 milhões e uma despesa de  R$ 5 milhões como “Participação de Diretos Econômicos Repassados”. 


 


Outro exemplo que acontece com o Inter:  geralmente as empresas colocam a receita (ou despesa) financeira líquida, ou seja, a diferença entre a receita e a despesa financeira.  No caso do Inter, esses valores são apresentados separados: R$ 9MM de receita e R$ 16MM de despesas.  Poderia constar no balanço apenas como R$ 7 MM de despesa financeira líquida, porém como eles separaram os valores, alguns auditores adicionam esses R$ 9 MM como receita para o Inter. Particularmente eu não considero isso como receita e por isso não consta na nossa demonstração.


 


Essa são maneiras marotas de fazer com que as receitas do clube sejam maiores do que realmente são.


 


LEGAL, MAS E A COMPARAÇÃO ENTRE AS RECEITAS DOS CLUBES?


 


Bom, como o post ficou já muito longo, vamos fazer isso na semana que vem!


 


Até lá!


 


Saudações Alvi-Verdes


 


*Luís Fernando Tredinnick escreve todas as sextas-feiras no 3VV, explicando a quem conhece e também a quem não conhece os números no futebol.


Divulgação autorizada mediante explícita citação do autor e do blog Terceira Via Verdão

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8 comentários em “Os balanços dos clubes brasileiros – 6

  • Lucélia Batista de Almeida
    setembro 12, 2009
    Responder
  • Marco Túlio de Vasconcelos Dias
    setembro 11, 2009
    Responder
  • Marco Túlio de Vasconcelos Dias
    setembro 11, 2009
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  • Administrator
    setembro 11, 2009
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  • Eduardo Colli
    setembro 11, 2009
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  • Administrator
    setembro 11, 2009
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  • Eduardo Colli
    setembro 11, 2009
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  • João Gomes Yzquierdo Neto
    setembro 11, 2009
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