Corneta do Cunio: Conjecturas

novembro 27, 2009 12 Corneta do Cunio

Por Alberto Cunio

Estressados alviverdes, conjecturas, com a grafia “antiga”, mas ainda vigente. É mais bonita. Pode ser que não tenha usado o exemplo mais adequado de nosso léxico, mas vou continuar assim mesmo.

 

Fugindo a filosofias mais profundas sobre “de onde viemos” e “para onde vamos”, conforme a coluna da semana passada, gostaria de dividir com vocês uma coisa mais “light” e que nos mostra como o esporte e entretenimento que escolhemos como nosso maior foco é muito instável e assemelha-se às vezes a um cassino. Pequenos fatos, sutis decisões, todos são responsáveis por resultados extremamente positivos ou na mesma dimensão, catastróficos. E também somos vítimas disso. O maior problema é sermos SEMPRE vítimas. Sem síndromes, nem paranóias.

 

Estávamos a uma vitória de retomarmos a liderança antes do jogo contra o Fluminense. Jogo crucial, que dele dependia e muito nossa sorte no campeonato. Vínhamos de uma goleada sobre o Goiás e um empate creditado até como “heróico” contra nossos rivais da Marginal sem número. Apesar dos pesares, parecia ser uma sobrevida a nossa campanha titubeante, mas que estava retomando seu rumo e tinha tudo para chancelar o tão sonhado e merecido título para quem liderara tanto tempo um campeonato tão difícil.

 

Contra nós tínhamos: o calor infernal do Rio de Janeiro, na grade estipulada de forma estúpida pela Rede Globo, que se esqueceu junto com a CBF do Teixeira que estamos no horário de verão; a imprensa e os adversários, loucos para ver o circo pegar fogo nos lados do Parque Antártica e fazer com que nosso título virasse pó. Foi uma semana intensa de críticas e ataques; e por último, nosso adversário: o Fluminense. Em ascenção meteórica (aliás o meteoro acabou por se espatifar antes de ontem em Quito), o time das Laranjeiras parecia querer editar o impossível, quando as estatísticas já lhe davam o rebaixamento como quase inevitável (98% de chances).

 

Tudo começou dentro do esperado. O Palmeiras com cautela, o Fluminense pressionando. Eles precisavam da vitória muito mais do que nós. Sem ela, hoje estariam virtualmente rebaixados. Duas defesas do Marcos nos primeiros 20 minutos ceifaram as primeiras e únicas chances até então de nosso desesperado oponente.

 

A partir daí passamos a controlar a partida. A tranquilidade da equipe, que em até certos momentos irrita até os mais contidos palmeirenses, estava muito bem encaixada no contexto. O domínio progressivo nos levaria a abertura do placar e de lá em diante ao controle absoluto do confronto. Evidente, já que um estádio com mais de 50.000 torcedores vendo seu time perder e rumar para a Série B, entraria em colapso e desespero gradativos, fazendo com que nossa tarefa ficasse cada vez mais fácil.

 

BINGO! Chegamos ao que queríamos: cruzamento, Obina de cabeça, gol. Vibração, gritaria, fogos e palavrões de desabafos. A “zica” estava enforcada. Ressurgíamos rumo ao título e daí para frente era administrarmos a vantagem. O plano de Muricy Ramalho para o embate no Maracanã dera o resultado esperado, dentro do previsto até no tempo de jogo. O final de jogo nos traria um vento gelado e refrescante naquela mufla carioca, jogando uma cachoeira de animação e euforia que faria a corrida para os ingressos do jogos seguinte contra o Sport parecer final de Copa Libertadores.

 

Quis assim o destino que as decisões prévias extra-campo prevalecessem ao real. O imaginário tomou conta da história. O desespero tricolor se transformou em euforia. O vento gelado em labareda, incendiando o moral, ânimo, coragem e fé de todos os atletas e torcedores verdes. Tudo por causa de um apito. Ou melhor, um sopro nele na hora certa, mas com o intuito errado, seguido pelo gesto errado. CORNETA para o apito? Não sei. Mas a forma como ele agiu naquele momento apagou a nossa luz. Por mais um ano.

 

 

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12 comentários em “Corneta do Cunio: Conjecturas

  • Marco Túlio de Vasconcelos Dias
    novembro 27, 2009
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  • Rodrigo Bucciolli Pereira
    novembro 27, 2009
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  • Rogerio Rocha
    novembro 27, 2009
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  • Alberto Cunio
    novembro 27, 2009
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  • Alvaro G Mucida
    novembro 27, 2009
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  • Alvaro G Mucida
    novembro 27, 2009
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  • Emerson Prebianchi
    novembro 27, 2009
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  • Rogerio Rocha
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  • BLOG 3VV
    novembro 27, 2009
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  • Raul Ricardi
    novembro 27, 2009
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  • Marcio Zambon
    novembro 27, 2009
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  • Sérgio Modesto Frugis
    novembro 27, 2009
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