Times grandes: quais sobrarão?

janeiro 29, 2010 20 Futebol com Números

POR LUIS FERNANDO TREDINNICK

Pois é amigo, para fechar essa série de artigos sobre o
conceito de “TIME GRANDE” temos que fazer um exercício de
futurologia: quais clubes continuarão a ser grandes?

Como eu disse anteriormente, realmente acredito que existe
um movimento de concentração das receitas do futebol!  Como existe uma relação
entre receitas e desempenho esportivo, podemos ter em um futuro próximo uma
concentração dos títulos dos principais campeonatos em alguns poucos clubes!

A questão é: quantos e quais clubes serão?

Talvez três questões sejam as principais: tamanho da
torcida, a participação na Libertadores e a receita de venda de jogadores.

A INFLUÊNCIA DAS TORCIDAS

O tamanho das torcidas tem influência direta em grande parte
das receitas dos clubes.  As cotas de TV são fixa, porém as cotas do PPV
(pay-per-view, ou pagar-para-ver em uma versão abrasileirada) dependem do
número de assinantes que na pesquisa respondem como torcedores dos clubes.

Mais do que isso, o tamanho das torcidas acaba influenciando
o valor dos patrocínio das camisas, que por sua vez é influenciado pelo tamanho
da audiência que esses clubes conseguem.  Afinal, o patrocinador que garantir
visibilidade à marca, certo? Então, quanto maior a visibilidade maior deve ser
o valor que o patrocinador está disposto a pagar, certo?

A INFLUÊNCIA DA LIBERTADORES

A Libertadores é o torneio mais rentável para os times
brasileiros.  Em receitas diretas de TV, premiações e bilheteria podemos chegar
a mais de R$ 20 milhões em um torneio.  Indiretamente a participação nesse
torneio também influencia os valores de patrocínio e a facilidade de
contratação de jogadores.  

Em um ambiente em que os maiores clubes faturam entre R$ 110
e 140 milhões esse dinheiro é muito significativo.

A INFLUÊNCIA DAS RECEITAS DAS
VENDAS DE JOGADORES

Nos últimos anos dois clubes se destacaram na obtenção de
receitas de jogadores: o Cruzeiro e o Internacional.  O Inter é o clube que
mais faturou em receita total de jogadores nos últimos anos, grande parte desse
feito se deve à venda do Alexandre Pato!  Já o Cruzeiro é o clube com maior
participação de receita de venda de jogadores no total da receita.

Se vocês pensarem um pouco, a diferença na
“habilidade” dos clubes em gerar receita com a venda de jogadores
tem diminuído.  Minha tese é que essa “diferença de habilidades”
tende a diminuir.  Não acredito que nos próximos anos nenhum clube consiga se
destacar de maneira consistente dos demais. 

ENTÃO, QUANTOS E QUAIS SOBRARÃO?

Dado esses três fatores, acredito que seis clubes devem
monopolizar os títulos nos próximos anos. Não por coincidência, são 5 clubes
brasileiros que jogam a Libertadores todos os anos.

Os clubes são: Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Flamengo,
Internacional e Grêmio.

POR QUE ESSES E NÃO OUTROS?

Os clubes de São Paulo tem dois dos principais ingredientes:
tamanho de torcida e capacidade de gerar receita a partir dessa torcida. 

O Flamengo mostrou por várias vezes que se não fosse,
digamos, o “filho favorito” da Globo, já teria tido problemas
maiores.  Provavelmente por esse favoritismos e pelo tamanho da torcida o clube
consiga se manter competitivo.  As informações diziam que no início do ano o clube
tinha que pagar R$ 90 milhões no curto prazo e não tinha como adiantar dinheiro
dos patrocinadores.  Ninguém disse como o clube conseguiu arranjar esse
dinheiro e nem como sobrevive com boa parte das receitas de bilheteria sendo
penhorada. Se estivéssemos em um país “normal”, provavelmente o
Flamengo estaria disputando a terceira divisão…

O Inter e o Grêmio vão se valer da eterna rivalidade dos
dois clubes.  O Inter é há muito tempo o clube mais bem administrado do futebol
brasileiro.  O Grêmio está “correndo atrás” do Inter e isso ajudou
o clube a se organizar melhor.  Também acredito que os gaúchos sempre vão
encontrar maneiras de “sustentar” os times para que eles briguem
contra os demais clubes brasileiros.

E OS QUE FICARAM DE FORA?

Particularmente, não acredito que nem o Santos nem o
Cruzeiro consigam se manter competitivos . 

O Santos foi competitivo nos últimos 30 anos talvez apenas
quando conseguiu formar uma geração inteira de base extremamente talentosa. E o
clube foi bi-campeão brasileiro.  Não por acaso a geração de Diego e Robinho
foi a última desse tipo que se viu no futebol brasileiro.

O Cruzeiro provavelmente não vai conseguir manter por muito
tempo essa vantagem de gerar receita com a venda de jogadores.  Como o
Atlético-MG há muito não é competitivo no âmbito nacional, o Cruzeiro talvez
não tenha uma “pressão darwiniana” suficiente para se
profissionalizar e gerar receitas suficientes para o clube se impor contra os
demais times brasileiros.

Também não acredito muito no Vasco.  Acho que a grande
chance do Vasco seria a de polarizar a disputa com o Flamengo no Rio, porém
mesmo sendo o clube de contraponto talvez falte alcance nacional para esse
clube. 

O Botafogo mesmo com um grande processo de
profissionalização e de melhoria interna, não conseguiu se tornar competitivo. 
O Fluminense passou por um processo completamente diferente no futebol
brasileiro onde um milionário acabou administrando o seu clube de coração. 
Acredito que o Celso Barros realizou o sonho de todos nós: montou a sua empresa,
a Unimed, ficou milionário e conseguiu administrar o clube de coração.  Não sei
quanto a vocês, mas se eu ficar milionário eu ficaria mais do que feliz em
gastar do meu dinheiro para ver o Palmeiras campeão!

E O QUE O LEITOR ACHA?

Então, amigos, vocês acreditam que são esses os clubes que
devem praticamente monopolizar os títulos nacionais?  Seriam outros? Ou vocês
acreditam que mais clubes continuarão grandes?  Ou será que o número será ainda
menor?

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no
3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

 

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20 comentários em “Times grandes: quais sobrarão?

  • Ricardo Araujo
    fevereiro 12, 2010
    Responder
  • Ricardo Araujo
    fevereiro 12, 2010
    Responder
  • Yzquierdo
    fevereiro 1, 2010
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  • Fernando Batista Emídio
    janeiro 31, 2010
    Responder
  • rudy de araujo maruyama
    janeiro 30, 2010
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  • Alberto Cunio
    janeiro 29, 2010
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  • Rodrigo Bucciolli Pereira
    janeiro 29, 2010
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  • Marcos Simonetti
    janeiro 29, 2010
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  • Marco Túlio de Vasconcelos Dias
    janeiro 29, 2010
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  • Marcio Zambon
    janeiro 29, 2010
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  • LAERTE PAVAN
    janeiro 29, 2010
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  • Signorini
    janeiro 29, 2010
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  • Fernando Talarico
    janeiro 29, 2010
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  • Edvaldo Vieira
    janeiro 29, 2010
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  • Yzquierdo
    janeiro 29, 2010
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  • Yzquierdo
    janeiro 29, 2010
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  • Administrator
    janeiro 29, 2010
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  • Andre Luiz Martins Oltemare
    janeiro 29, 2010
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  • Fernando Talarico
    janeiro 29, 2010
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  • Alberto Cunio
    janeiro 29, 2010
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