Arte e coragem para torcer fora de casa, na visão de um palmeirense apaixonado

Arte e coragem para torcer fora de casa, na visão de um palmeirense apaixonado

agosto 5, 2021 1 3VV Indica, Notícias

Acordar cedo, rezar muito, acalmar a mãe, rezar mais um pouco e encarar a estrada em um ônibus velho. Seis ou oito ou dez horas depois, enfrentar a fúria dos adversários no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte, sujeito a pedradas ou garrafadas. E, se fosse no período mais bravo de nossa história, rezar por pelo menos um empatezinho salvador.

Na pátria do futebol, torcer por seu time no estádio do adversário, no Brasil, não é comum e quase sempre é uma aventura. Se for em uma capital mais próxima, dá para contar com alguma ajuda de torcedores palmeirenses locais. Se não ocorrer tal coisa, é bom se virar…

Mas e quando comemoramos títulos no estádio alheio? Copa do Brasil de 2012, transformando a noite curitibana em um mar palmeirense de comemoração… Ou o Brasileiro de 2018 em São Januário, diante do combalido Vasco…

Torcer fora de casa é objeto da atenção do jornalista Rodrigo Barneschi, que acaba de lançar, pela Editora Grande Área, seu primeiro livro, “Forasteiros – Crônicas, vivências e reflexões de um torcedor visitante”.

É uma obra que parte da experiência do autor – que já assistiu a mais de mil jogos em quase cem estádios – para apresentar a figura do aficionado que viaja longas distâncias e enfrenta condições adversas para ver seu time jogar.

Responsável entre 2006 e 2015 pelo blog “Forza Palestra” (http://forzapalestra.blogspot.com), um dos pioneiros da chamada “mídia palestrina”, Barneschi narra, a partir da arquibancada, quase todas as grandes tardes e noites do Palmeiras longe de casa nas últimas duas décadas: dezenas de jogos no Maracanã, outros tantos no Mineirão e nas principais canchas do país.

O livro traz os duelos de 2018 em La Bombonera, a batalha campal de Montevideo em 2017 e a final da Libertadores/2020 no Maracanã. Há espaço, também, para clássicos paulistas nos estádios dos rivais ou no Pacaembu e para grandes decisões de Copa do Brasil: no Olímpico, no Beira-Rio e no Couto Pereira.

Gustavo Scarpa, um entusiasta da leitura, já tem programa para a próxima folga: ler as sagas de Barneschi pelos estádios da América do Sul (FOTO: ARQUIVO PESSOAL)

“Forasteiros” é a segunda publicação original da Editora Grande Área, que, reconhecida por lançar biografias de grandes personagens do futebol europeu (Johan Cruyff, Pep Guardiola, José Mourinho, Jürgen Klopp, entre outros), reforça a proposta de investir em autores nacionais, a exemplo do que já havia feito com o lançamento recente de “O futebol como ele é”, do também jornalista Rodrigo Capelo.

Segundo Barneschi, “é um livro sobre futebol, mas os jogadores são personagens secundários, irrelevantes até, não havendo espaço para análises táticas ou técnicas”. O que interessa para ele são “as torcidas, os embates entre rivais, as interações sociais que se estabelecem em ambientes grandiosos e outrora populares”. Conhecido por defender essa causa em seu antigo blog e também em jornais, sites e revistas, Barneschi é integrante do coletivo Na Bancada, da Central3, e acredita que o livro pode ajudar a ampliar o espaço da literatura de arquibancada no Brasil.

Ao longo de 272 páginas, o autor visita 45 estádios de 28 cidades do Brasil e da América Latina, e direciona seu olhar para 52 torcidas diferentes. Há desde decisões de Libertadores a jogos esquecidos no interior paulista, de duelos aguerridos nos maiores estádios do país a experiências quase antropológicas em pequenas canchas dos subúrbios bonaerenses. “É uma obra dedicada a caravanas de ônibus, epopeias aeroportuárias, caminhadas de um estádio a outro, batalhas campais e tudo mais o que compõe a experiência de ver um jogo como forasteiro”, explica.

Com prefácio do historiador Luiz Antonio Simas e fotos selecionadas de Gabriel Uchida, criador do projeto FotoTorcida, “Forasteiros” está em pré-venda no site da editora https://editoragrandearea.lojaintegrada.com.br/livro-forasteiros-rodrigo-barneschi

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