Dez meses com Abel Ferreira: um gringo que veio para ficar

Dez meses com Abel Ferreira: um gringo que veio para ficar

setembro 3, 2021 0 Notícias

Abel Ferreira comemora a Libertadores no Maracanã (FOTO: DIVULGAÇÃO/CONMEBOL)

Houve um tempo em que o Palmeiras só conseguia ganhar títulos se fosse treinado por Wanderley Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Foi assim entre 1993 e 2012. E aí a “maldição” terminou com a Copa do Brasil de 2015 com Marcelo Oliveira, para depois Cuca ser campão brasileiro em 2016.

Numa tacada de ousadia e risco, o Palmeiras apostou em um técnico português desconhecido para tirar o time do buraco em 2020, já que não respondia mais aos encantamentos de Luxemburgo. E então veio a improvável tríplice coroa em meio à pandemia.

Abel Ferreira completa dez meses à frente do Palmeiras com um saldo prá lá de positivo, ainda que esteja sendo contestado além da conta – para variar um pouco nas efervescentes alamedas palestrinas.

Foram três títulos importantes na temporada passada, mas que não foram suficientes para dar paz ao elenco. Três títulos, mas o futebol deixa a desejar e o técnico erra demais. É assim mesmo?

Foi no dia 2 de novembro de 2020 que o treinador chegou ao Brasil, conheceu a Academia de Futebol e esteve no Allianz Parque para acompanhar de um camarote a vitória por 3 a 0 sobre o Atlético-MG.

Abel também está muito perto de alcançar um recorde no Verdão: se tornar o técnico que mais vezes comandou a equipe no Allianz Parque.

Hoje ele soma 33 jogos dirigindo o Palmeiras em casa, contra 35 de Cuca. O português só não quebrou a marca ainda por conta de suspensões e o período que ficou fora por conta da Covid-19, já que, contando essas ocasiões, são 40 duelos sob comando da atual comissão.

Atualmente ele é o segundo treinador da Série A há mais tempo no cargo, perdendo apenas para Maurício Barbieri, que tem um mês a mais dirigindo o Red Bull Bragantino.

Abel tem 74 jogos no comando do Palmeiras (sem contar os 11 nos quais ficou fora). São 42 vitórias, 13 empates e 19 derrotas.

Amado pela maioria dos torcedores, contestado elos mais exigentes, Abel recusou várias propostas milionárias para cumprir a promessa de ao menos até o final deste ano – seu contrato termina em meados de 2022.

Temperamental, estudioso, explosivo e eloquente, não vive a sua melhor fase no Palmeiras, que custa a engrenar em partidas ao menos razoáveis. Ele não consegue explicar a contento porque o time tem jogado mal na maioria das vezes, mas uma coisa é certa: ele tem os jogadores nas mãos, está fechado com o elenco, que o adora.

É tamanha a identificação dele com o clube que não é de se descartar a possibilidade de que mantenha o cargo mesmo após a eleição presidencial no clube após novembro. Será que ele merece continuar?

O técnico já entrou para a história do clube e é o maior vencedor neste século pelo Palmeiras. Por mais que alguns queiram, é impossível pensar no time sem ele. E ele sabe disso. Para o bem e para o mal, ele permanecerá por um bom tempo. Tem cacife, e vai utilizá-lo, com ou sem cornetas nos ouvidos. Abel veio veio para ficar – e, para alguns, para encantar.

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