Minuto 98: a solidão de Abel, bambu no alambrado do Palestra e as goleadas no dérbi

Minuto 98: a solidão de Abel, bambu no alambrado do Palestra e as goleadas no dérbi

outubro 14, 2021 4 Minuto 98

Editor: JOTA CHRISTIANINI Colaboradora: Erika Gim

FALA JOTA

A solidão imposta a Abel Ferreira é digna de nota. Treinador com ideias novas, buscando um trabalho a longo prazo (algo inédito em termos de Brasil), não usando de meias palavras, nem subterfúgios, falando francamente e mexendo em feridas históricas que muitos dos treinadores brasileiros, por diversos motivos (mas todos relacionados a mantença do status), preferem não comentar.

O que Abel está ganhando em troca? Silêncio sepulcral de quem deveria ampará-lo neste momento de crise aguda do time de futebol do Palmeiras.

A diretoria do Verdão, além da falta de ousadia na melhoria do elenco, peca pela inércia. Se agisse com um pouco de criatividade e sem impactar o caixa, traria os reforços que Abel pediu e que não foram entregues.

Este fim de mandato da gestão palmeirense parece aquela final da Mercosul*, quando estavam ganhando de 3×0 e, de repente, deixaram tudo desandar.       

* Naquela noite o arbitro meteu a mão no Palmeiras, nesse final de gestão nem disso podem reclamar. 

***

MENINOS EU VI

Tradição, palavra que alguns nem sabem o que significa 

Tinha bambu no alambrado do Palestra 

O Palestra alugou o Parque da Antárctica em 1917. Logo depois, comprou e já na escritura mudou o nome. 

Stadium Palestra Italia é o nome de nosso estádio desde 1920, quando a compra foi efetuada. 

Por causa dos jogos que lá aconteceram, da importância do estádio na vida esportiva brasileira e pelas sucessivas melhorias que os palestrinos fizeram – contando somente com seus próprios recursos – tornou-se o mais importante estádio do estado, e o mais tradicional. 

Foi lá que a seleção brasileira jogou pela primeira vez em Sampa. Foi lá que o Palestra, depois Palmeiras, conquistou tudo quanto é campeonato que disputou. 

Naquele sagrado terreno, que um dia tentaram nos roubar (obviamente não conseguiram, corridos com solenes chutes na bunda), além dos jogos importantes de futebol, aconteceram eventos de vanguarda. 

Foi lá que Roland Garros, aviador francês, fez pousar o primeiro avião a descer em terras paulistas; no Palestra terminou a primeira corrida de automóvel do Brasil, vencida pelo Comendador Silvio Penteado, pilotando um FIAT – epa! – de 50 cc. 

Enfim, tradição não falta ao “Stadium Palestra Italia”. 

Se não falta tradição, o inusitado, também, marcou presença algumas vezes. 

Nos anos 50, o campeonato brasileiro de seleções era o que havia em termos de competição nacional. Após o advento do Maracanã, a rivalidade entre paulistas e cariocas acentuou-se, mormente que depois da inauguração do estádio municipal do Rio os paulistas jamais perderam um único campeonato. 

Aquele era especial: pela primeira vez as finais seriam em dois turnos com os quatro finalistas. Além de paulistas e cariocas, os mineiros e os pernambucanos. Estes, com a famosa seleção cacareco do Gentil Cardoso (só essa seleção dá um causo), participaram do torneio final. 

Não adiantou aumentar o número de concorrentes: na última rodada sobraram paulistas e cariocas para decidir e, como os cariocas tinham empatado em Minas (jogo em que o Zagalo terminou a partida jogando como goleiro), os paulistas jogavam pelo empate. 

As rádios transmitiram a reunião em que decidiriam o local e o árbitro. 

Quanto ao juiz, deveria ser dos visitantes. Nenhum problema! Gama Malcher foi escolhido. 

E o local: Mendonça Falcão, folclórico presidente da FPF, travou o diálogo edificante com o Antonio Passo, presidente da Federação Carioca: 

– O jogo vai ser no Palestra Italia (confesso que, falando errado como era praxe, o Falcão deve ter chamado o campo do Palmeiras de Parque Antarctica). 

– Não aceito, rebateu o Passo. 

– Você conhece o estádio, já esteve lá? 

– Não! – confessou o atônito guanabarino. 

– Pois então não pode vetar. Se não conhece, vai ter que conhecer primeiro para reclamar depois. O jogo vai ser lá. – finalizou o Mendonça Falcão, que não costumava ter paciência com quem não concordasse com suas ideias. 

Não era última a encrenca em que o presidente da federação ia se meter naqueles dias. 

Dia do jogo, a TV Tupi vai transmitir. 

– Não vai ter TV! – disse Falcão. 

Naqueles tempos, nem se sonhava com direitos, essas miudezas. Era autorizar ou não e a cada véspera de jogo a polêmica se estabelecia. 

Proibiram a emissora de entrar com seus equipamentos no estádio. Não se fizeram de rogados, foram naquele prédio que fica perto da piscina, ainda em construção, e instalaram as câmeras na laje do sexto andar. 

Meus amigos! O que aconteceu nem dá para contar… Melhor ver a foto: 

FOI DO BAMBU 

O Mendonça mandou colocar bambus no alambrado tentando tirar a visão das câmeras que ficariam impedidas de mostrar o jogo. 

Não deu tempo nem do jogo começar. Torcedores revoltados – afinal, também tinham sua visão prejudicada – arrancaram os bambus e a TV mostrou o jogo. 

Só para constar, naquela noite o Palestra Italia foi palco de mais uma decisão do campeonato brasileiro de seleções. Os paulistas venceram por 2×0, tornando-se tricampeões. 

O presidente da Carioca conheceu o Palestra Italia e as tradições do Palestra Italia. 

Escrito em maio/2008. 

SÓ PRA CHATEAR

Todo mundo palestrino sabe que em 1933 enfiamos 8×0 no dérbi realizado no Parque Antarctica no segundo turno do campeonato. Porem vamos lembrar do jogo do primeiro turno quando enfiamos solenes 5×1 em plena Fazendinha, com direito a foto histórica do placar.

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4 comentários em “Minuto 98: a solidão de Abel, bambu no alambrado do Palestra e as goleadas no dérbi

  • Ivo Russo
    outubro 18, 2021
    Responder
  • Fabio Sgambato
    outubro 15, 2021
    Responder
  • Jose Roberto Tammaro
    outubro 15, 2021
    Responder
  • Ricardo Gni
    outubro 15, 2021
    Responder

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