Nunca o Palmeiras precisou tanto de alguém como Abel Ferreira

Nunca o Palmeiras precisou tanto de alguém como Abel Ferreira

novembro 18, 2021 3 Brasileiro 2021, Libertadores 2021, Notícias, Opinião

Por Marcelo Moreira

Um time displicente em campo comandado por um técnico obcecado em fazer história. É dessa forma que os principais programas esportivos de televisão analisam o desentrosado e desconjuntado time que foi amplamente dominado pelo São Paulo na derrota por 2 a 0.

Displicência é algo recorrente neste elenco mediano de 2021, capaz de partidas memoráveis, como contra São Paulo e Atlético-MG na Libertadores, e de coisas terríveis, como a humilhação contra o Bragantino, em casa, e a vergonha contra o mesmo São Paulo nesta quarta-feira (17).

Nada ilustra melhor do que a inacreditável perda de bola de Patrick de Paula no segundo gol são-paulino: um time sem foco, sem comprometimento e alienado.

No jogo desta quarta-feira foram vários os momentos em que o time parecia desinteressado e sem forças para combater e retomar a bola. Os jogadores correram bastante e mostraram algum esforço, mas sem organização e sem objetivo.

Já em relação ao técnico Abel Ferreira, a avaliação é exagerada, mas com algum fundo de razão. A postura raivosa e predisposta à briga na entrevista ao final do jogo contra o São Paulo demonstram que o ambiente é tenso, uma do que deveria.

É possível ficar por horas discutindo a conveniência de se escalar reservas desentrosados, mal treinados e displicentes em um clássico, que é sempre importante. Ainda mais se tem a oportunidade de afundar o adversário no rebaixamento. Abel deixou claro que não liga para rivalidades regionais e questões politicas alheias ao vestiário.

No mundo ideal seria possível deixar essas coisas de lado. Mas, no Brasil, isso não é possível – e nem desejável. Neste Brasileiro, as derrotas para São Paulo e Corinthians foram inaceitáveis porque os adversários estavam claramente “nas cordas” e eram/são inferiores. Renasceram quando venceram “um dos melhores times do país”.

A aposta de Abel Ferreira é alta. Se ganhar a Libertadores, ninguém lembrará desses jogos inúteis e resultados desprezíveis. Se perder, será execrado justamente por desprezar a importância das rivalidades e pelos desempenhos horrorosos em muitos jogos que “passarão a ser considerados importantes”.

Na avaliação geral, diante dos desfalques e da maratona massacrante de jogos em 2021, Abel acertou ao colocar um time alternativo contra o São Paulo para não desgastar o elenco. E deve acertar ao fazer isso nos próximos jogos.

A questão é o tal “planejamento”. Se vencer o Flamengo, definitivamente vira gênio; se perder, será responsabilizado diretamente pela derrota e pela frustrante temporada em que o time jogou mais vezes mal do que bem.

Será cobrado pela falta de padrão de jogo e pelas performances muito abaixo do esperado mesmo tendo um time mediano, mas melhor do que o de quase todos os adversários. Como é possível um time reserva não apresentar nada de nada contra o São Paulo?

É evidente que o treinador palmeirense demonstra uma convicção extraordinária em seu trabalho, o que justifica a sua obsessão em fazer história. Nada contra. Resta saber qual é o cacife que ele pensa ter para escantear questões políticas e históricas ao desprezar um clássico. Como ele sempre diz, é difícil manter o sarrafo no alto, e parece que ele sempre age para aumentar a altura do sarrafo em momentos de tensão.

Abel Ferreira acertou ao poupar titulares diante das circunstâncias? Sim, se confiarmos no planejamento do português e levarmos em conta os seus êxitos contra São Paulo e Atlético-MG na Libertadores. Mas será que era conveniente fazer isso contra o São Paulo desesperado por estar lutando contra o rebaixamento? Será que vamos perdoá-lo no caso de os mineiros forem campeões brasileiros em pleno Allianz?

Até na obsessão em fazer história Abel emula algo das passagens de Luiz Felipe Scolari elo Palmeiras. Atrai todas as atenções e se torna o muro de proteção em um clube em constante ebulição e que sempre foi mal acostumado por conta das constantes glórias.

Para o bem e para o mal, Abel Ferreira é o personagem fundamental e necessário neste momento da história do Palmeiras, assim como Felipão foi em 1999. Raivoso ou presunçoso, precisamos mais do que nunca de Abel Ferreira.

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3 comentários em “Nunca o Palmeiras precisou tanto de alguém como Abel Ferreira

  • Jango
    novembro 18, 2021
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  • Cassio Andrade
    novembro 18, 2021
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    • Donato, o Lúcido
      novembro 18, 2021
      Responder

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