‘Família Abel’ pulveriza obstáculos e se torna exemplo de gestão de grupo

‘Família Abel’ pulveriza obstáculos e se torna exemplo de gestão de grupo

novembro 28, 2021 0 Libertadores 2021, Notícias

Abel comemora o gol de Deyverson com Dudu (substituído no tempo normal) e Rony: técnico uniu o grupo e foi reverenciado por todos por conta disso (FOTO: CESAR RECO/PALMEIRAS)

Por Marcelo Moreira

São muitas as semelhanças entre alguns métodos de trabalho e mesmo de visão de jogo de Abel Ferreira com as de Luiz Felipe Scolari, que foi multicampeão com o Palmeiras e conquistou a Libertadores de 1999.

A mais impressionante, non entanto, é a devoção que os jogadores do atual elenco tem para com o português. Também foi assim na conquista do primeiro título sul-americano, um grupo sólido, cascudo e de qualidade que começou a ser formado no Campeonato Brasileiro de 1997 e foi consolidado nos títulos da Copa do Brasil e Mercosul em 1998.

A “Família Scolari”, muitas vezes ironizada pela imprensa, era uma realidade. Felipão conseguiu uma unidade tão rara de se observar que o espírito serviu de exemplo para a campanha que culminou com o título da Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira.

Se havia alguma desconfiança de que o grupo palmeirense de hoje é unido, ela sumiu diante das demonstrações de resiliência e resistência após a vitória épica contra Flamengo na final da Libertadores 2021. Seria impossível forjar disfarces e mentiras depois que o jogo acabou. Era bastante perceptível o clima de solidariedade, em que os reservas Luiz Adriano e Willian se mostravam radiantes e maravilhados com o que o elenco tinha conquistado.

De forma espontânea, o atacante declarou a satisfação pelo gol de Deyverson à repórter da ESPN. “É a amizade que o grupo tem, sou um dos mais velhos de dar um conselho, uma ajuda no dia a dia. Estou muito feliz de ser um dos grandes amigos do Deyverson. Ele me escuta bastante, fico feliz de ele poder observar tudo o que tenho pra falar pra ele.”

Também emanava sinceridade a declaração de Abel Ferreira, na entrevista coletiva, sobre como forjou uma unidade invejável em um elenco tão heterogêneo e criticado ao longo da temporada, principalmente nas séries de derrotas no Campeonato Brasileiro.

“Aprendi que para ter o grupo na mão tem que ser igual com todos”, comentou o treinador. “Hoje deixei o Willian fora, o que me custou muito. Aprendi que só sendo todos um é que podemos realmente ganhar títulos. Ensinei algumas coisas, não muitas. Aprendi mais do que ensinei, mas disse ano passado que tenho muito tempo para dedicar ao futebol. E tudo fica mais fácil com um amnbiente sincero, transparente e de muita compreensão.”

O “todos somos um” tão apregoado pelo português nunca fez tanto sentido quanto ao final da partida em Montevidéu, quando os jogadores comemoraram o título exaltando o grupo e a comissão técnica sempre que podiam, no gramado.

Não dá para negar que a briga entre Weverton e Gómez na derrota para o Fortaleza uma semana antes da final preocupou. Havia um ambiente tenso no ar, muito mais pelas críticas ao futebol ruim do time do que pelas derrotas em si. Parecia que as coisas estavam deixando de dar certo.

Por mais unido que um grupo seja, e por mais respeito que haja, uma rusga como a que ocorreu no Castelão, em Fortaleza, às vezes tem potencial para corroer os pilares de um ambiente sólido.

Segundo pessoas que conhecem o ambiente do Centro de Treinamento da Barra Funda, o entrevero sequer chegou a arranhar o foco e o comprometimento do grupo. A desavença foi dirimida ainda no vestiário, minutos depois de ocorrida. O Palmeiras voltou mais forte para o segundo tempo contra o Fortaleza e ainda teve um gol mal anulado pela arbitragem.

No voo de volta a São Paulo, goleiro e zagueiro postaram fotos nas redes sociais mostrando que não tinha passado de uma rusga de jogo. A cobrança dentro do grupo é muito forte, comentou um ex-profissional que passou pelo clube. Por via das dúvidas, uma rápida conversa do treinador com os dois durante a semana acabou com qualquer vestígio de problema, se é que tenha restado algum.

Pode ser que a vitória contra o Flamengo tenha sido o encerramento de um ciclo – altamente vitorioso – caso o técnico português realmente queira sair. Dois dos principais pilares para o sucesso tenha sido justamente o bom ambiente e o respeito grande que o treinador português conseguiu entre os jogadores.

Que esse então seja o principal legado que Abel Ferreira e sua comissão técnica deixem no Brasil. Será pouco provável que outro técnico consiga tamanho sucesso em conseguir a adesão de um elenco como Abel Ferreira conseguiu.

303140cookie-check‘Família Abel’ pulveriza obstáculos e se torna exemplo de gestão de grupo

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *