Histórias do Tri: uma escala inusitada em Porto Alegre

Histórias do Tri: uma escala inusitada em Porto Alegre

dezembro 23, 2021 0 Libertadores 2021, Notícias

Foi um período para jamais ser esquecido: os três filhos pequenos chorando enquanto o pai tentava acalmá-los. Estava a caminho do hospital e tentava acreditar que tudo acabaria bem – pelo menos era nisso que se apegava e pelo qual rezava.

A covid-10 o pegara em cheio e o pulmão começava a ser comprometido, assim como os rins. O excesso de peso não ajudava e as perspectivas ficavam mais complicadas.

A temporada no Hospital Samaritano, no final de 2020, foi dura, com recuperação lenta e, como presente depois de 25 dias, três sessões semanais de hemodiálise para sempre. Adeus, rins saudáveis…

Para o fanático palmeirense da zona zona norte de São Paulo, era uma restrição considerável, mas não um sacrifício impossível. Ver os sorrisos dos trigêmeos novamente compensava tudo, assim como o ingresso vitalício para ver o time no Allianz Parque.

A doença atrapalharia novamente os seus planos em janeiro de 2021. Mesmo ainda em recuperação, tentou de todas as formas ir ao Maracanã para ver o bi da Libertadores, contra o Santos, mas não conseguiu. Não estava entre os “convidados” da CBF e da Conmebol naquele estádio vazio e triste para um jogo tão especial.

A mente começou a trabalhar logo depois do fim da comemorações. Seria em 27 de novembro a decisão de 2021? No Uruguai? A logística começou a ser montada com a certeza de que o Palmeiras decidiria novamente a Libertadores.

Foram meses de expectativas e planejamentos até a confirmação da vaga contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte, estádio que conhecia tão bem. Abriu mão da viagem a BH para economizar e manter o foco na final contra o Flamengo.

Apreensiva, a mulher apenas pensava “naquilo”: como você vai a Montevidéu? Por quanto tempo? E a hemodiálise?

O tempo necessário pela glória eterna, não cansava de repetir. E lá foi ele para o Uruguai, enfrentando 1,5 mil quilômetros até Montevidéu, com a perspectiva de mais de 20 horas de viagem de carro.

Optou por ir sozinho, já que não queria atrasar o lado de ninguém. Não quis revelar aos amigos, mas teria de parar em, Porto Alegre. Não foi tão fácil, mas achou um local para fazer a necessária hemodiálise na sexta-feira, dia 26.

Tudo calculado e cronometrado: pagou os R$ 700 pelas quatro horas do procedimento e então seguiu quase que imediatamente para o país vizinho. Não havia tempo a perder, nem mesmo para algumas horinhas de sono.

A ansiedade piorou as coisas nas horas que antecederam a vitória sobre o Flamengo. Um mar rubro-negro tomou conta da capital uruguaia em um clima bonito de festa, mas também de soberba e arrogância. Os cariocas achavam que seria como em Lima, no Peru, em 2019, quando o título veio na raça para eles.

“Não fiz todo esse sacrifício para vir ao Uruguai, gastar uma fortuna que eu não tinha, para ouvir esses lixos, em maioria,. cantar uma vitória que esteve muito longe de estar garantida. Seremos campeões!!!!!”, gritou para si mesmo no quarto ridículo e inacreditável do “hostel” (na verdade, uma pocilga) reservada.

No retorno a São Paulo, uma viagem longa e leve, como que surfando em ondas perfeitas, ele refez todo o trajeto da ida e as dificuldades inerentes à aventura. Para quem achava que a hemodiálise ate o fim da vida iria restringir todos os seus movimentos, dá-lhe uma dose cavalar de persistência e fé!

O tri da Libertadores agora lhe trouxe outro problema: arrumar uma escala para fazer hemodiálise no caminho até Abu Dhabi, em fevereiro…

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