As importantes lições do time de 2003 para a final da Copinha 2022

As importantes lições do time de 2003 para a final da Copinha 2022

janeiro 24, 2022 0 Categorias de Base, Notícias

Capa da revista Placar em 2003, com Vágner Love. Na imagem do lato, o atacante com Edmilson (em cima) e Diego Sousa (no meio) (FOTO: REPRODUÇÃO)

Por Marcelo Moreira

O melhor time do Palmeiras na história da Copa São Paulo tem bastante a ensinar a esse time multicampeão sub-20 dos anos 2020-2022. Principalmente se observarmos a atuação preocupante no segundo tempo contra o São Paulo, pela semifinal no último sábado.

Pressionadíssimo e com uma expectativa além da conta – o clube tinha sido rebaixado pela primeira vez em sua história no Brasileiro de 2002 -, o ótimo time que disputou a edição de 2003 mostrava uma qualidade técnica e uma maturidade surpreendentes e fez uma campanha ótima. No entanto, caiu na armadilha de tentar “controlar” o jogo na final contra o então inexpressivo Santo André, um time raçudo e que não tinha nada a perder.

A derrota nos pênaltis no Pacaembu, depois de um empate em 2 a 2 – com direito a um pênalti inexistente contra que resultou no empate no último lance da partida e a um gol mal anulado no segundo tempo – foi um baque pesado e injusto, mas que forjou a carapaça de aço que fez o time profissional tomar jeito a partir da vergonhosa derrota em casa por 7 a 2 na Copa do Brasil para o Vitória.

E então o time de Jair Picerni ganhou estofo com as chegadas de Vágner Love, Edmilson, Alceu, Diego Sousa, Gláuber e outros garotos que conseguiram estabilizar a crise e conduzir o time ao título da série B e ao retorno para a rimeira divisão.

Em 2003, o Palmeiras era o melhor time da competição, tinha ganho os principais torneios do ano anterior e chegava forte à final, com direito a um 7 a 0 contra a Inter de Limeira na semifinal.

Como agora, tinha um sólido sistema defensivo, armado pelo técnico Karmino Colombini, e incendiava o jogo no ataque com a velocidade de Edmílson e a letalidade de Vágner Love. O meio de campo funcionava e criava muito, mas contra o Santo André se acomodou e praticamente abdicou do ataque no segundo tempo, ainda que o time tenha sido prejudicado por um impedimento inexistente de Edmílson naquele que seria o terceiro gol.

Ainda que tenha sido prejudicado por duas vezes com gravidade, cm alteração de resultado, o fato é que o Palmeiras fez muita pressão e jogou pra vencer até o momento em que achou que o jogo estava decidido, mesmo com o perigoso placar de 2 a 1.

Bastou um erro (erro?) da arbitragem no último lance para determinar o empate, com expulsão de defensor, e uma enervante prorrogação com um jogador a menos. E o Palmeiras foi para a disputa de pênaltis derrotado.

Contra o São Paulo, o segundo tempo foi bizarro e resultou em um jogo perigoso, em que o time abdicou do ataque e correu muitos riscos. Por que a intensidade e o bom futebol do primeiro tempo não se repetiu? Ainda que o adversário tenha melhorado, o que justifica não ter dado um único chute a gol na etapa complementar? Será mesmo que os garotos acharam que poderiam manter o 1 a 0 indefinidamente?

Essa estratégia de controlar o jogo e “planejar” taticamente para supostamente anular o inimigo encontra aceitação grande na comissão técnica de Abel Ferreira. Foi assim na semifinal contra o River Plate na libertadores de 2020 e na semifinal do ano seguinte, contra o Atlético-MG. Deu certo, “costuma dar certo até que dá errado.

Enquanto o Palmeiras manteve o padrão de jogo alto na competição e o favoritismo, o Santos começou desacreditado e foi melhorando na competição, embora tenha sido inferior e Mirassol e Ferroviária, partidas eliminatórias em que passou nos pênaltis.

Na semifinal, contra o América-MG, um time muito bom, o 3 a 0 mostrou a evolução e revelou um time muito perigoso, com um ataque insinuante e mais eficiente que o do São Paulo. E o time chega sem grande responsabilidade à final, que será no Allianz Parque, com torcida única a palmeirense. A obrigação de vencer é do Palmeiras.

São muitas as lições e as coincidências com a final de 2003. Favoritismo e superioridade em relação aos adversários são os mesmos. O time de 2003 era melhor que o atual, tinha mais estofo e mais maturidade, mas ainda assim sucumbiu diante à pressão e às armadilhas do “jogo controlado”. Contra um time perigoso e sem tanta pressão, o perigo é iminente. Como é raro o Palmeiras chegar á final da Copa São Paulo, é bom não desperdiçar a oportunidade.

Para relembrar um pouco da trajetória de parte do time de 2003, um texto da revista Placar que recupera entrevistas com Vágner Love e outros jogadores.

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