Técnico africano desvia foco da competição e questiona ‘privilégio’ ao Palmeiras

Técnico africano desvia foco da competição e questiona ‘privilégio’ ao Palmeiras

fevereiro 6, 2022 0 Notícias

Uma guerra de nervos que pode reverter contra a própria equipe. O técnico do Al Ahly, Pitso Mousimane, optou por uma tática diversionista para mascarar alguns problemas evidentes que sua frágil – e desfalcada – equipe demonstrou contra o Monterrey.

Para desviar o foco, resolveu questionar o regulamento e a tabela, com o fato de que equipes sul-americanas irem direto para a semifinal. “Qual o critério?”

O demagogo e desinformado técnico do time egípcio muda de assunto e tenta jogar a “culpa” ao time brasileiro, como se o regulamento tivesse sido obra da CBF e da Conmebol.

Convenientemente, Mousimane esquece que o regulamento privilegia europeus e sul-americanos pelo fato de estes pertencerem a continentes que ganharam títulos mundiais com seleções e clubes. Quantos títulos mundiais africanos e asiáticos ganharam no futebol profissional?

A fórmula não é a mais adequada, mas é a única possível que atende às exigências dos europeus. Sem equipe europeia não existe Mundial de Clubes. E os europeus só aceitaram dispor de duas datas para o torneio que eles não gostam e não dão muita bola. O Mundial de Clubes, para eles, é um grande inconveniente no apertado calendário.

Claro que o ideal seria termos oito clubes divididos em duas chaves de quatro, todos contra todos dentro do grupo, para depois termos semifinais e final. Só que isso obrigaria os clubes a jogar, no mínimo, três vezes. Para chegar à final, seriam cinco jogos. Os europeus rechaçaram, desde sempre, esse formato.

Também foram irredutíveis na questão de terem jogar três jogos, na hipótese de eliminatórias simples envolvendo oito times – quartas-de-final, semifinais e final. Impuseram a sua vontade: dois jogos ou nada. A Fifa capitulou em 2005 a essa exigência e desde então tem sido assim.

O formato foi copiado da antiga Copa McDonald’s de basquete, que substituiu a Copa William Jones, o Mundial de Clubes da modalidade até os anos 90 – o Sírio, de São Paulo, foi campeão em 1979.

Esse torneio patrocinado de basquete, realizado quase sempre em Paris, na França, colocava direto nas semifinais um time da NBA, a liga de basquete profissional americana, e o campeão europeu. Os demais times das outras confederações disputavam uma partida eliminatória para chegar à semifinal.

Os times da NBA, como era de se esperar, ganharam todas as edições, tamanha a diferença técnica entres os times. Somente em uma edição um time europeu não fez a final contra os americanos.

Foi em 1999, em Milão, quando o Vasco da Gama, então o melhor time da América do Sul, bateu o Adelaide 36ers, da Austrália, nas quartas-de-final, por 90 a 79.

Nas semifinais, uma surpreendente vitória sobre o campeão europeu, o Zalgiris Kaunas, da Lituânia, por 92 a 86, na prorrogação.

Na decisão, o time carioca foi massacrado pelo San Antonio Spurs, que tinha como destaques os pivôs Tim Duncan e David Robinson – e que nem era o melhor time da NBA na época. O placar foi de 103 a 68 para os americanos.

Diante da resistência dos europeus, esse modelo estranho e não muito recomendável foi adotado. Sendo assim, era mais do que esperado que europeus e sul-americanos fossem alçados às semifinais diretamente por conta do retrospecto nas Copas do Mundo – e também por conta do chamado Torneio Intercontinental de Clubes, conhecido como Mundial na América do Sul, que envolvia o confronto entre entre o Campeão da Libertadores e o da Liga dos Campeões desde 1960.

Pitso Mousimane decidiu jogar para a torcida e desviar o foco para a “injustiça” a que seu time africano foi submetido – ainda que os sul-americanos tem nove Copas do Mundo e seis medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos, contra apenas duas dos africanos – e o futebol nos Jogos Olímpicos é um torneio menor, claramente desprezado atualmente pelos europeus.

Diante deste breve histórico, e entendendo que este é o formato possível de competição, nada há a contestar por parte dos times que não são europeus ou sul-americanos. Na verdade, devem agradecer a concessão da Fifa por participarem do torneio.

As zebras que ocorreram no torneio desde 2005 não justificam a alteração dos critérios no atual formato – Mazembe (Congo, 2010), Raja Casablanca (Marrocos, 2013), Kashima Antlers (Japão, 2016), Al-Ain (Emirados Árabes, 2018) e Tigres (México, 2020).

Por que essa contestação nunca aconteceu antes? Por que ninguém reclamou lá em 2005? E porque só os sul-americanos na semifinal são questionados? Por que não se contesta o “privilégio” europeu, que é o mesmo do do sul-americano?

O formato é ruim, mas é o possível diante das circunstâncias diante da pusilanimidade da Fifa em fazer um torneio minimamente decente, com cinco datas e dois grupos de quatro clubes. Que os africanos ganhem Copa do Mundo e Mundial de Clubes no formato que é possível e então algum tipo de conversa sobre formatos passa a ser possível.

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