O pequeno time azul de Londres que virou gigante em menos de 15 anos

O pequeno time azul de Londres que virou gigante em menos de 15 anos

fevereiro 11, 2022 0 Notícias

A tradição contra a emergência; a história pesada contra uma trajetória que só tem 17 anos de vitórias. Foi só o Chelsea confirmar a classificação para a final do Mundial de Clubes para que, na ânsia de querer exagerar o otimismo, torcedores e cronistas esportivos menosprezarem, em parte, o time de Londres.

Considerado por alguns como um “São Caetano” ou um “Bragantino” anabolizado, o Chelsea tema uma história longa de fracassos, mas uma recente repleta de conquistas – são 21 taças desde 2005, quando venceu o Campeonato Inglês depois de 50 anos.

Mas o que dizer de um time “pequeno anabolizado” que gastou na na compra do centroavante Lukaku o mesmo que o Palmeiras faturou no ano inteiro de 2020? Time sem história e sem camisa, como disse de forma irresponsável e leviana um comentarista estapafúrdio de televisão?

Ao contrário do São Caetano, um time pequeno e fundado em 1989, sem torcida e anabolizado por dinheiro público e apoio pesado de uma gigante do comércio, o Chelsea tem história. O time paulista foi campeão paulista e vice da Libertadores e brasileiro, mas voltou para o limbo de onde nunca deveria ter saído.

O Chelsea, fundado em 1905, é um time pequeno para médio de Londres, considerado menor que Arsenal, Tottenham e West Ham, rivais da cidade, e maior que Fulham, Charlton, Queens Park Rangers e Crystal Palace. Ganhou o titulo inglês de 1955, duas Copas da Inglaterra e um título europeu menor até 2004. Frequentou a segunda divisão em em algumas temporadas.

Time sem muita relevância, acabou comprado pelo bilionário russo Roman Abramocich, um dos muitos “empresários” que se beneficiaram (se apropriaram?) do espólio da antiga União Soviética e formaram fortuna de forma muito suspeita, tanto que teve de fugir de Moscou para a Inglaterra.

Tudo bem, na intensa briga pelo butim do que sobrou, não dá para dizer qual das máfias tinha razão ou legitimidade, mas o fato é que Abramovich teve de escapar da perseguição promovida pelo governo de Vladimir Putin para não ser preso.

A compra do Chelsea foi vista como uma operação de lavagem de dinheiro, mas os ingleses preferiram “relevar” esse detalhe, assim com em relação a vários outros “empresários” do Leste Europeu endinheirados, mas com origem suspeita de suas fortunas.

A pequena torcida do Chelsea não se importou. Fechou os olhos e tapou os narizes e festejou a chegada “dono” russo na virada de 2003 e 2004. A sorte é que Abramovich gosta de futebol e entende bastante do assunto, ao contrário dos donos americanos de Manchester United, Arsenal e Liverpool.

Transbordando de dinheiro, o russo dispensou o técnico italiano Claudio Ranieri (que seria campeão inglês pelo Leicester anos depois) e trouxe o melhor da época, José Mourinho, que tinha sido campeão europeu e mundial de clubes com o Porto em 2004.

Foram muitas contratações de impacto e a “Portuguesa” de Londres virou grande da noite para o dia. Os resultados foram imediatos: campeão inglês no ano do centenário, e depois de 50 anos, na temporada 2004 e 2005, encerrando o domínio de dez temporadas de Manchester United e Arsenal, que dividiam os títulos.

Bastaram três temporadas para que o time pequeno de Londres inflasse o número de torcedores e chegasse à final da Liga dos Campeões da Europa – perdeu nos pênaltis para o Manchester United de Cristiano Ronaldo em 2008.

Vieram títulos da Copa da Liga Inglesa e da Copa da Inglaterra até que, contra todos os prognósticos – e com um treinador interino -, vencesse a Liga dos Campeões da Europa em 2012, em Munique, contra o fortíssimo Bayern, nos pênaltis.

Com dinheiro de um bilionário, que usa o clube com um brinquedinho pessoal, o Chelsea virou um time global e com torcedores no mundo inteiro.

Conquistou até mesmo a torcida de Mick Jagger e seu filho brasileiro Lucas – até então sabia-se apenas que um dos integrantes dos Rolling Stones, o baterista Charlie Watts (morto no ano passado) torcia para algum time e era fanático por futebol, no caso o pequeno Queens Park Rangers.

Contra o fortíssimo e igualmente endinheirado Manchester City (que só tinha ganho dois campeonatos ingleses e doas Copas da Inglaterra antes da chegada dos árabes multibilionários), o Chelsea de 2021 era zebra na final da Liga dos Campeões, mas jogou melhor e venceu, calando os críticos que achavam que o elenco era bom e caro demais pelo futebol mediano que praticava.

Parece ser uma característica desse elenco desde 2019: oscilação entre períodos de avassaladoras vitórias e bom futebol e fases ruins com total falta de inspiração.

O futebol jogado contra Brighton, Plymouth Argyle (terceira divisão) e Al-Hilal foi ruim, mas ainda assim o principal permanece: é um elenco estrelado, onde o time B é uma seleção internacional e onde os salários de três jogadores é equivalente à folha de pagamento dos adversários, incluindo o Palmeiras.

E então o Chelsea entra em campo para final do Mundial de Clubes pela segunda vez, ostentando o invejável cinturão de bicampeão europeu, coisa que o rival maior e até então mais vencedor, o Arsenal, nem sonha em obter. Nada mal para um pequeno time da zona sul de Londres…

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