O orgulho é imenso, mas faltou futebol na final do Mundial

O orgulho é imenso, mas faltou futebol na final do Mundial

fevereiro 12, 2022 0 Notícias

Abel Ferreira bolou uma estratégia que não funcionou em relação à retomada da posse de bola na final (FOTO: FIFA/GETTY IMAGES)

Por Marcelo Moreira

A imagem do fim do jogo é forte: uma moça chorando, em close, enquanto os marmanjos em volta cantavam o hino do clube, igualmente com lágrimas nos olhos. O que a torcida do Palmeiras fez em Abu Dhabi é inédito na história do futebol, ainda que outras tenha feito algo quase igual no Japão.

O Palmeiras mobilizou o país e fez acreditar que era possível ganhar de um poderoso Chelsea que parecia capengar e estar aquém, de seu potencial. Realmente esteve, mas ainda assim não deu chance para o clube brasileiro.

Até que ponto os palmeirenses foram iludidos com a boa preparação e com o jogo seguro contra o frágil Al-Ahly? Até que ponto o Chelsea era tão superior assim? havia outra maneira de se ganhar um jogo contra um adversário muito superior tecnicamente?

Abel Ferreira mostrou elegância e inteligência ao reconhecer a grandeza do adversário, as dificuldades encontradas na partida e a pouca efetividade do ataque palmeirense.

“Sabíamos que seria um jogo difícil. Vocês não gostam dos três zagueiros, mas vejam como joga o Chelsea. Não quero falar do resultado, perdemos, e é dar parabéns a quem ganhou. Ano passado, fomos aonde fomos, e esse ano ficamos em segundo. Perdemos para uma grande equipe, em um jogo de detalhes, então estou muito orgulhoso dos meus jogadores”, disse o técnico ao final do jogo.

Em nenhum momento ele prometeu algo milagroso e, de certa forma, o Palmeiras encarou com firmeza e determinação as investidas do Chelsea, mas fica complicado resistir a tamanho volume de jogo sem que se tenha alguma posse de bola, coisa que o time brasileiro não teve.

“Nós conseguimos suportar a qualidade individual deles, atacar o adversário, igualando com o jogo coletivo. Mas o jogo foi decidido em um detalhe”, tentou justificar Abel. “Então é dar os parabéns aos meus jogadores. Sou um homem orgulhoso em ser treinador deles. Vamos agradecer nossa torcida por tudo que fizeram. É dar os parabéns ao adversário e seguir em frente.”

O técnico palmeirense cita algum tipo de equilíbrio e momentos em que o jogo foi igualado coletivamente. É visão de jogo respeitável, mas longe da realidade, dependendo do ponto de vista.

O Chelsea teve o controle do jogo, 75% de posse de bola e sofreu apenas duas jogadas perigosas contra o seu gol – as duas com Dudu no primeiro tempo. Em nenhum momento correu o risco de perder o jogo. Em nenhum momento sofreu. Em nenhum momento foi agredido. Se fosse derrotado seria uma grande injustiça.

Pode-se argumentar que o Palmeiras renunciou à posse de bola, viveu à base de chutões e que o meio de campo não funcionou e foi engolido, a ponto de o zagueiro Thiago Silva, do Chelsea, virar o armador principal do adversário. Isso tudo é verdade, mas não e esse ponto que precisa ser questionado. Foi uma estratégia que se mostrou vitoriosa em outros momentos.

A questão é que não dá para não jogar e esperar que um pênalti fortuito e casual empate um jogo que parecia perdido. É preciso jogar, atacar e ameaçar o adversário. Deixar a bola para o adversário e esperar o advento de um ataque preciso, como contra o Atlético-MG em dois jogos pode dar certo de vez em quando, mas as chances de que isso ocorra sempre contra adversários melhores e mais qualificados são remotas.

Por mais que a diferença entre Chelsea e Palmeiras seja muito grande, não conseguir articular três passes consecutivos e ter de escutar o insosso e superestimado técnico alemão Thomas Tuchel vomitar superioridade e dizer que só houve um time no jogo é demais para um clube de teve duas Academias de Futebol e o arte dos times da era Parmalat.

Da mesma forma que temos exaltado os feitos desse grupo e do técnico, que realmente tem muitos méritos no predomínio do Palmeiras na América do Sul, é preciso reconhecer que faltou futebol na final do Mundial de Clubes, independente da estratégia adotada ou do sucesso dela em alguns momentos do jogo.

Tomar sufoco faz parte, é do jogo, mas ser massacrado e não conseguir reagir, por mais limitações que o Palmeiras tenha ou da qualidade suprema do adversário, [e algo que precisa ser muito bem analisado e discutido exaustivamente para que possamos melhor e não mais estar submetidos a esse tipo de circunstância. Não foi a primeira vez que estivemos diante de um rolo compressor tão opressivo e dominante.

O saldo é extremamente positivo dos 15 meses de Abel Ferreira no comando do Palmeiras, um time que está em outro patamar na América do Sul. Mas a falta de posse de bola contra o Chelsea, a ineficiência do ataque e a articulação inexistente no meio de campo foram determinantes para que o time não tivesse chances de derrotar o time inglês.

O time correu muito, lutou muito, tentou cumprir um planejamento que foi minucioso, mas percebeu logo no início do jogo que são necessários sangue e suor, com o calor da torcida no cangote, mas que sem alguma qualidade técnica é impossível ganhar o mundo.

Essa estratégiaunciona uma vez ou outra, mas é impossível ganhar de um time top europeu na base do chutão e depender de lances fortuitos. O futuro é muito animador, mas conceitos precisam ser revistos.

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