Opinião: quando egos e cargos valem mais que a instituição

Opinião: quando egos e cargos valem mais que a instituição

fevereiro 27, 2022 4 Notícias, Opinião do Criscio

Por Vicente Criscio

A instituição Sociedade Esportiva Palmeiras vive um momento curioso: disputa uma final de Recopa em condições de vencer; foi tricampeão da Libertadores faz menos de três meses em Montevideo; venceu pela primeira vez a Copinha e tem revelado grandes talentos da base, como esse jovem e excelente jogador Danilo dos Santos.

Mas politicamente continua na idade média!

O assunto da semana foi uma carta assinada por “apenas” 33 conselheiros, onde faziam questionamentos ao Departamento de Comunicação, ainda sobre o assunto Olivério Jr.

A carta começava da seguinte maneira, para quem ainda não leu:

A profissionalização efetiva do nosso clube é um assunto urgente e necessário. Não há mais espaço para acomodações políticas em nossa estrutura, um gigante que movimenta quase um bilhão de reais por ano.

Esse movimento deve ser realizado de maneira a não ferir nossa cultura e nossos princípios. Mais do que isso, é preciso que tal movimento se dê por meio da busca por profissionais com histórico positivo de atuação, que gozem de amplo prestígio em seu campo de atuação e que tenham o respeito das diversas partes com quem devem lidar (torcedores, jornalistas, clientes, funcionários, parceiros).

Claro, o assunto central dos questionamentos era sobre a empresa Tuddo do Sr. Olivério Jr.

Mas somente estes dois primeiros parágrafos bastariam para quem tem bom senso, e concorde com eles, claro, fechar questão. Se concorda, assina. Se não concorda, não assina!

Mas uma lógica assim simples, linear, objetiva, não funciona na cabeça dos ilustres conselheiros da SEP.

O número de desculpas que passaram pelo whatsapp de vários “companheiros de Conselho” nos últimos dias para não colocarem seu jamegão ao lados dos 33 foi de dar dó…. do Palmeiras.

Uns dizem que concordam integralmente com a carta e seu conteúdo e são contra a presença de tal figura no Palmeiras …. mas não colocariam seu nome ao lado de outros que lá estavam por serem adversários políticos do passado. Meu comentário: o seu nome não é maior que o Palmeiras nem a causa que está nesse documento!

Outros dizem que concordam, mas sabe como é, fazem parte da diretoria, e não pegaria bem assinar algo sendo da Diretoria e do grupo político que apóia a Presidente…… Meu comentário: meu caro, das três possibilidades, uma você escolhe. Ou você e os outros tantos que estão na mesma situação, se apresentam na frente da sua Presidente e digam claramente que discordam e porque discordam da presença de tal figura dessa cadeira; ou aceitam, abraçam essa figura como amigo, aliás como alguns de vocês já o fazem hoje; ou saiam dessa cadeira e do apego a ela, à carteirinha de diretor, e do tal grupo político…. há outros grupos políticos mais higiênicos, fortes, melhores e de portas abertas a vocês.

Outros, cofistas, vejam só, dizem que “a grandeza do cargo de cofista não permite assinar tal documento”. Ora meu caro, é exatamente o contrário. Um cofista é um conselheiro com responsabilidades maiores. Orienta e fiscaliza o Presidente, com o risco de “prevaricar” se não o fizer. Se está vendo algo errado ou se concorda que a presença desse indivíduo é prejudicial à Sociedade, tem obrigação de se manifestar, inclusive publicamente, e não se enconder embaixo da mesa.

Ou seja, estes são apenas alguns exemplos, reais, de outros tantos. Infelizmente temos muitos e muitos conselheiros e diretores que discordam da presença do “cabeça branca” andando como dono da SEP, e principalmente discordam que a Presidente aja como se fosse dona do Palmeiras. Mas não se manifestam.

O fato, meus amigos, é que na política palmeirense, assim como na política nacional, há anos existe a necessidade de se criar a figura “do bem contra o mal”. Não importa quem seja o bem nem o mal. Os antagonismos são necessários para que essa polarização se sobressaia ao que seja melhor ao Palmeiras.

Com isso não há debate. Não há discussão sobre projetos, temas, ideias. O que existe é um “nós” contra “eles”. Ficam mantendo a imagem de “Paulo Nobre” e “Mustafá Contursi” como os politicamente antagônicos para forçarem conselheiros a se posicionarem. E muitos caem nessa ladainha. Os que não caem nisso são trucidados pela máquina política que outrora era do senhor Maurício Galiotte (toc toc toc) e agora pertence à Sra. Leila Pereira.

Você vai assinar o documento? Então você é do lado de lá! Você vai criticar o orçamento? então você está com eles! você vai votar em quem para o COF? então você não faz parte do nosso grupo!

Prática pouco higiênica de fazer política cujo único perdedor é a Sociedade Esportiva Palmeiras. Não hoje, domingo, 27 de fevereiro. Nem quarta feira que vem, no Allianz, final da Recope. Perderá no longo prazo. Porque enquanto dentro dos muros das alamedas ficam brigando pelas migalhas, as coisas estão acontecendo do lado de fora e, nossos rivais passarem a nossa frente, é apenas uma questão de tempo.

Enfim, o Conselheiro da Sociedade Esportiva Palmeiras precisa ter a grandeza de pensar no Palmeiras, e no que é melhor para o Palmeiras. Se não tiver coragem para encarar pessoas, ou não quiser perder seus privilégios de “deretô”, pede pra sair!

Abaixo escrevo com todas as letras quem são os trinta e tantos que assinam o documento; que não necessariamente precisam beber juntos, nem serem amigos, nem concordarem politicamente. Mas sobre os questionamentos do Departamento de Comunicação, concordam integralmente!

Vicente Criscio,
Sócio da SEP desde Dezembro de 2002 (não por coincidência)
Conselheiro em terceiro mandato

Antônio Rosário
Aurélio Davanço
Emerson Rosa
Felipe Giocondo
Francisco Vituzzo Neto
Genaro Marino
Gilberto Cipullo
Guilherme Pereira
Gustavo Pereira
João Carlos Minello
José Carlos Tomaselli
José Corsini
José Roberto Christianini
Juan Berrospi
Leonardo Fioretti
Luis Fronterotta
Luiz Arcas
Luiz Fernando Marrey Moncau
Luiz Mousinho
Marcelo Puggina
Marcos Gama
Maurício Pegoraro
Maurício Vituzzo
Norberto Liotti
Reinaldo Machi
Renato Mazzaro
Ricardo Galassi
Ricardo Signorini
Roberto Fleury
Valdomiro Otero
Vicente Criscio
Victor Fruges
Vinicius Zucca



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4 comentários em “Opinião: quando egos e cargos valem mais que a instituição

  • Primeiro Campeão Mundial 51
    março 19, 2022
    Responder
  • lito
    março 11, 2022
    Responder
  • Benjamin Benson
    fevereiro 27, 2022
    Responder
  • Corneta 3VV
    fevereiro 27, 2022
    Responder

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