Precisamos falar dos meninos da base que viraram moeda de troca

Créditos: Cesar Greco

Precisamos falar dos meninos da base que viraram moeda de troca

março 14, 2022 2 Notícias

Patrick de Paula (dir.) e Dudu comemoram gol contra o São Paulo pela Libertadores 2021; volante caiu demais de produção (FOTO: CESAR GRECO/PALMEIRAS)

Por Marcelo Moreira

Enquanto Leila Pereira usa como escudo muletas como “machismo”, “sexismo” e “preconceitos” ao justificar as críticas a sua gestão ainda no início, os opositores caem nessa armadilha e se perdem na tosquice de argumentos pueris como a “falta do 9”.

E ainda insistem em bater na tecla do “assessor gambá”, referindo-se a Olivério Jr, o ex-coordenador de imprensa do Palmeiras que também é o chefe das assessorias de imprensa da Crefisa e da FAM, empresas que pertencem à presidente do Palmeiras. Isso deveria ser página virada, já que ele pediu para sair do clube, mas é óbvio que continuará mandando e e dando opiniões.

Uma questão muito mais grave está envolvendo clube e elenco e parece não preocupar a maioria dos críticos, opositores e conselheiros: desvalorização de jovens valores do clube até pouco tempo atrás elogiadíssimos e com passagens por seleções de base e principal.

Não se trata de evitar o incontestável: a maioria dos jogadores da base promovidos por Wanderley Luxemburgo em 2020 e que encantaram, por algum tempo, o país mesmo com Abel Ferreira caiu de produção. E de forma assustadora. Só o volante Danilo parece justificar as expectativas.

Wesley ainda merece algum crédito depois de uma grave contusão e faz alguns gols, mas Renan, Patrick de Paula, Gabriel Veron (que teve grave lesão e depois se machucou várias vezes) e Gabriel Menino já não contam mais com a confiança do treinador, a ponto de ele fazer severas críticas generalizadas quando da inscrição para o Mundial de Clubes, em Abu Dhabi.

A comissão técnica e a nova diretoria ainda não conseguiram identificar os fatores que levaram à queda tão brusca de produção, mas não se preocuparam em preservar os jogadores. Ao contrário: na ânsia de querer um atacante de peso e que viria para resolver, “queimaram” dois deles, que foram transforados em moedas de troca.

O vazamento da suposta proposta de aquisição do reserva Pedro, do Flamengo – 20 milhões de euros (R$ 110 milhões) por 80% dos direitos federativos e mais Patrick de Paula e Gabriel Menino em definitivo foi uma demonstração gigantesca de falta de respeito e de amadorismo. A proposta não foi desmentida e, segundo algumas fontes, foi confirmada.

Os dois jogadores foram desrespeitados. Menino foi chamado cinco vezes por Tite para compor o grupo principal da seleção brasileira e ganhou a medalha de ouro na Olimpíada de Tóquio. Patrick de Paula ganhou fartos elogios de quase todos os comentaristas pelo futebol solto e hábil (fez gols importantes contra o São Paulo pela Libertadores).

Como podem ter virado moedas de troca meses depois de terem se destacado?

Anda que não estejam jogando com regularidade, supõe-se que não esqueceram de jogar. Por que a comissão técnica não identifica o problema? Por que a diretoria não pensa em algum jeito de recuperá-los?

Por que o promissor zagueiro Renan, que quase tomou o lugar de Luan, hoje é apenas a quarta opção, atrás ate mesmo do desconhecido Murilo, que jogava na Rússia? E por que rifá-lo dessa maneira, como ocorre com Patrick e Menino?

Além do óbvio desrespeito profissional, há a questão de “perda de patrimônio”, expressão horrível que remete ao capitalismo predatório e à escravidão. Mas é fato que, ao enfiá-los em uma negociação desesperada – e fracassada -, o Palmeiras desvaloriza o “passe” dos jogadores, tornando-os dispensáveis e sujeitos a outras negociações menos estreladas e, por consequência, mais lesivas aos cofres do clube.

Se o clube acerta ao resistir às investidas do holandês Ajax sobre o atacante Giovani, de 18 anos, erra ao escantear jogadores promissores em má fase.

O clube superestimou os jogadores da base promovidos por Luxemburgo? Não são tudo isso? Apresentam graves problemas técnicos ou de comportamento? então que haja transparência e que se defina logo o futuro deles. Todos ganhariam com isso.

O que parece ser desagradável é desvalorizar jogadores até há pouco elogiados ao colocá-los em uma prateleira disponíveis para eventuais “trocas” ou contrapeso em negociações pouco recomendáveis, seja por convicção ou desespero.

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2 comentários em “Precisamos falar dos meninos da base que viraram moeda de troca

  • Donato, o Lúcido
    março 16, 2022
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    • 3vvAdmin
      março 16, 2022
      Responder

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