A guilhotina do futebol total não perdoa desleixo e inconsequência

Créditos: Cesar Greco

A guilhotina do futebol total não perdoa desleixo e inconsequência

março 21, 2022 2 Notícias

Abel Ferreira cobra postura e performance e deve aprofundar seus conceitos ao permanecer no Palmeiras (FOTO: CESAR GRECO/PALMEIRAS)

Por Marcelo Moreira

A família Palmeiras de Abel Ferreira está cada vez mais unida e focada, mas não admite deslizes em sequência. E não é coincidência haver uma ansiedade grande por conta da extensão do contrato de Abel Ferreira ao mesmo tempo em que dois jogadores que foram queridinhos da torcida estarem de saída.

O português manda cada vez mais, com todos os méritos, tomando conta de quase tudo e moldando o perfil de atletas que ficarão. Se ainda não trouxe o seu centroavante matador, aproveita para deixar claro que tipo de profissional ele quer no elenco.

O exemplo de Lucas Lima pareceu mostrar o que vinha pela frente. Indolente e desinteressado, mesmo recebendo boas oportunidades em campo, acabou trocando o banco acolchoado do Allianz Parque pela reserva não tão glamorosa da Arena Castelão, em Fortaleza.

Luiz Adriano teve seu exílio decretado depois de ter brigado com a torcida e ter demonstrado a mesma indolência de Lucas Lima. Não teve permissão nem mesmo de se despedir dos colegas e entrar no Centro de Treinamento da Barra Funda na volta das férias antes de se bandear para a Turquia. Os sinais estavam dados, mas não foram percebidos por todos.

Patrick de Paula e Deyverson estavam na mira, mas poderiam mudar seus destinos. Ninguém vai esquecer que foram reservas mais do que úteis na Libertadores 2021. Marcaram gols decisivos e ajudaram a levantar a taça, só que acharam que isso bastaria e que teriam créditos de sobra para queimar. Acabaram queimando os cartuchos rápido demais.

Mesmo com a falta de um centroavante, o Palmeiras não teve muitas dúvidas ao se livrar de Luiz Adriano e do meme ambulante Deyverson, que “brilha” mais pelo deixa do que fazer do que pelo que efetivamente faz. A confirmação de que não ficará, sacramentada na entrevista coletiva de Abel Ferreira após o empate com o Bragantino, no surpreendeu ninguém. Já fazia hora extra nas alamedas do Parque Antártica.

Em relação à promessa Patrick de Paula, não faltarão penas e línguas para condenar o clube e Abel pelo “fracasso” na recuperação do volante deslumbrado e marrento. Já circulam entre colunistas esportivos a convicção de que “faltou paciência” para uma das joias da base “descobertas” por Wanderley Luxemburgo.

Será que faltou mesmo? Não é de hoje que se comenta a queda vertiginosa de produção dele e de Gabriel Menino (que foi chamado por Tite para a seleção algumas vezes).

Aos poucos vão surgindo detalhes aqui e ali de que o comportamento de Patrick fora de campo foi determinante para que caísse em desgraça no Palmeiras ao longo de 2021 e começo de 2022.

Patrick de Paula pecou pelo pouco comprometimento com o time e pelo deslumbramento antes de passar de promessa a realidade (FOTO: CESAR GRECO/PALMEIRAS)

Ainda é cedo para se determinar se a “dispensa” de Patrick foi ou não um erro, mas chama a atenção a “unanimidade” na diretoria e comissão técnica sobre a possibilidade de negociação com o Botafogo. Ninguém se opôs. Não houve nenhum senão ou porém levantado que pudesse colocar em dúvida se seria prudente se desfazer de um talento reconhecido.

Irrecuperável aos 22 anos? os jornalistas esportivos que acompanham o Palmeiras não chegam a cravar isso, mas são claros ao mostrar que a paciência com o garoto acabou.

Cedo demais? Ainda é cedo para saber, mas os fatos mostram que definitivamente os ventos mudaram. A família faz questão de se dizer unida e focada, e os desvios serão cada vez mens tolerados. Se Lucas Lima e Luiz Adriano foram, inicialmente, casos isolados, Deyverson e Patrick de Paula foram os alvos visíveis das novas diretrizes.

Cada vez mais forte e reverenciado – com todos os méritos -, Abel Ferreira finalmente tem a possibilidade de implantar, e forma integral e com total apoio, os seus métodos e crenças filosóficas na formação de um grupo coeso e cada vez mais homogêneo na visão profissional.

Indolência, inconsequência e desrespeito não são mais tolerados, já que comprometem o resultado final e corroem a confiança nos métodos de trabalho. Podem não ser decisivos diretamente nos triunfos, mas certamente estão diretamente relacionados aos fracassos, como insiste o técnico português em várias passagens de seu livro “Cabeça Fria, Coração Quente”.

O comprometimento precisa ser total e, para isso, o nível de tolerância precisa ser baixo. Em todas as conversas que jornalistas tiveram com fontes do clube a respeito da saída de Patrick de Paula, esse aspecto foi ressaltado como preponderante na definição do futuro do volante: por mais que tivesse sido alertado e aconselhado, Patrick ignorou e preferiu continuar curtindo a vida e não dando a importância devida aos aspectos profissionais.

Ninguém no clube usa a palavra irrecuperável. Então o porquê de aceitar a sua saída? Duas palavras aparecem para explicar a decisão: confiança e disposição.

O suposto comportamento leniente e desinteressado no dia a dia, aliado a uma certa soberba, quebrou os laços de confiança da direção e da comissão técnica no jogador. Não detectaram disposição e vontade para cumpri os novos mandamentos e de recuperar o bom futebol de antes.

A avaliação foi a de que a insistência em mudar o comportamento do volante não valia o trabalho, a ponto de colocá-lo como terceira opção de marcação no meio de campo, entre os reservas, atrás de Atuesta e Jailson, e perigando ficar ainda atrás do do decepcionante Gabriel Menino.

Finalmente com o poder de moldar o elenco a sua cara, diante da perspectiva de ficar no clube até 2024 ou 2025, Abel Ferreira mostrou que a família é tudo, mas que exige abnegação, força de vontade, respeito e muito comprometimento. A não adequação a esse ambiente tem resultados implacáveis.

E isso significa rifar um xodó da torcida, Deyverson, capaz de ser o herói da Libertadores de 2022 com o gol do título contra o Flamengo, mas também de ser irresponsável e inconsequente a ponto de ser expulso por bobagem estando em campo ou não. Como seus gols são cada vez mais raros, teve o seu destino selado diante da pouca efetividade e de seu comportamento errático e pouco confiável.

Por fim, um conselheiro do Palmeiras, que pediu para não ser identificado, disse que a saída de Patrick de Paula terá um “efeito profilático”, ou seja servirá de alerta a jogadores jovens e da base que tenham potencial, especialmente os campeões da Copinha: comprometimento e profissionalismo andam juntos dentro e fora de campo. O mundo maravilhoso de engajamento total de Abel Ferreira entra em nova fase e veio para ficar.

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2 comentários em “A guilhotina do futebol total não perdoa desleixo e inconsequência

  • Thom
    março 22, 2022
    Responder
  • Gustavo Aroni
    março 21, 2022
    Responder

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