Telões no estádio: boa solução, mas o problema deve se repetir

Telões no estádio: boa solução, mas o problema deve se repetir

abril 2, 2022 0 Notícias, Paulista 2022

Por Marcelo Moreira

Quem costuma assistir a mega-apresentações de rock no Brasil já se acostumou a pagar caro por ingressos considerados de valores mais “em conta” para ver os artistas pelo telão.

Nos estádios, seja nos modernos como o Allianz Parque ou nos arcaicos, como o Morumbi, os ingressos mais baratos colocam o espectador muito longe do palco, a visão é prejudicada e o som, precário. Faz parte do sistema de escolhas em cada evento.

No caso do futebol, o inusitado dará as caras no Allianz Parque no segundo jogo contra o São Paulo pela final do Paulistão: uma parte da arquibancada terá a visão do campo bloqueada por conta da montagem de um palco de um show que ocorrerá na terça-feira.

Como é final de campeonato, a diretoria do Palmeiras foi ágil e vai lotar o estádio, mesmo na parte bloqueada. Vai instalar telões e cobrar um ingresso mais barato para estas alas no Allianz.

Uma solução boa e inventiva diante das circunstâncias, ainda que não atenda as necessidades do público. Só em estádios modernos e eficientes esste tipo de coisa é possível, para a inveja dos rivais.

O que preocupa muita gente é o precedente que está aberto, propiciando a repetição de situações que, no futuro, podem prejudicar o clube de forma mais grave.

Enquanto os rivais insistem na tese estapafúrdia e mentirosa de que o Palmeiras não é o dono do estádio, o clube e a torcida seguem desfrutando de uma arena elogiada mundialmente e que transformou o destino do clube. Ajudou a dar um futuro a um Palmeiras que vivia em um limbo de administrações ruins e frustrações.

Quem não se lembra dos incontáveis shows nos anos 90 no antigo Parque Antártica que obrigaram o Palmeiras a jogar no Pacaembu e no Canindé? Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Whitesnake, Queensryche e muito e muitos outros…

Diante dos resultados recentes e da maneira como surgiu o Allianz Parque, o acordo que permitiu a construção é considerado modelo e genial por engenheiros, administradores e dirigentes do futebol.

Sendo assim, deixamos claro que não há dúvidas a respeito do acerto na estratégia de reforma do estádio e da maneira como está sendo gerenciado e do acordo para administrá-lo.

A questão do precedente, entretanto, vai causar incômodo no futuro, quando o time de futebol precisar de sua casa para conquistar mais títulos.

Será que os telões instalados na estrutura metálica de um palco voltarão a dar as caras? Será que o Palmeiras terá de jogar de novo com torcedor a metros do campo tendo de ver o que ocorre por meio de um telão, correndo o risco de comemorar um gol com “delay”?

A discussão é pertinente porque certamente as agendas vão colidir nos próximos anos, com a retomada dos espetáculos com o arrefecimento da pandemia.

Há uma demanda represada imensa de eventos por conta do estrago feito pela covid-19 e a casa do Palmeiras se tornou a arena mais requisitada da cidade assim que foi inaugurada. As chances de que tenhamos sobreposição de interesses, digamos assim, são grandes.

É urgente, neste momento, harmonizar os eventos tendo em vista as datas das oitavas, quartas e semifinais da Libertadores 2022, já que as chances de um tri consecutivo e tetra da competição são bastante plausíveis.

Não se trata de questionar contratos e acertos firmados lá em 2009, quando o sonho da casa nova começou a virar realidade.

Ninguém imaginava o mundo novo que se descortinava lá atrás, quando o Palmeiras jogou contra Grêmio e Boca Juniors nas despedidas do antigo estádio Palestra Itália.

O que é necessário, diante do episódio da final do Paulistão 2022 x show da banda Maroon 5, é um alinhamento de agendas e interesses.

Por mais inusitado e inventivo que sejam, os telões no palco instalado no Gol Norte, são paliativos e improvisos que não atendem o torcedor, sobretudo aquele que adquiriu e pagou por programas do tipo Avanti.

Se houve criatividade para buscar soluções imediatas para atender aos anseios dos torcedores, certamente haverá, com mais antecedência, criatividade para evitar novas sobreposições de agenda.

Independentemente da discussão originada pelo atual conflito de agendas, é importante ressaltar a agilidade e a criatividade da diretoria do Palmeiras no caso, fato que vem sendo elogiado pela imprensa que costuma ser tão crítica ao clube e à gestão da presidente Leila Pereira.

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