A torcida que canta e vibra, mais do que nunca, vibra e encanta

Créditos: Cesar Greco

A torcida que canta e vibra, mais do que nunca, vibra e encanta

abril 4, 2022 1 Notícias

FOTO: CESAR GRECO/PALMEIRAS

Por Marcelo Moreira

Um estádio que “poderia” ter nos mandando para a segunda divisão pela terceira vez, mas que mudou ah história do clube de tal maneira que conseguiu mudar o comportamento de uma torcida antes marcada pelo fatalismo. Um estádio que mudou tudo, dentro e fora do Palmeiras.

Ninguém imaginava naquela tarde trágica, em dezembro de 2014, no ano do centenário, que o empate sofrido diante dos reservas do Athletico Paranaense pudesse mudar o destino de uma nação.

O péssimo time de Dorival Júnior se manteve na série A graças à incompetência do Vitória, mas foi o pontapé inicial para a mudança que transformaria o time verde na maior potência recente do futebol brasileiro, com início já no ano seguinte, com o título, em casa, da Copa do Brasil.

“Nunca vi coisa igual. É algo marcante, mais emocionante do que as duas Libertadores que ganhamos. A torcida nos abraçou desde o primeiro minuto após a saída do vestiários do Morumbi”, disse Weverton em entrevistas ainda no campo de jogo, após a vitória de 4 a 0 sobre o São Paulo.

Raphael Veiga, em entrevista nos estúdios da TV Globo, confirmou as palavras do goleiro. “Aquilo foi insano. Uma energia tão grande que não tinha como a virada não vir. Fomos conduzidos de forma tão emocionante do CT até o estádio, e isso tudo contagiou a todos. Jogaríamos por nós e por eles.”

Não foram os poucos os adversários que comentaram, ao longo dos últimos oito anos, a diferença que a torcida que canta e vibra faz no Allianz Parque. Já fazia no Parque Antártica, mas a coisa mudou de patamar com a nova arena. O som reverbera, cresce, assusta e intimida. E ganha jogos.

Os duros temos que enfrentamos entre a primeira queda à série B e a quase volta em 2014 ajudaram a colocar, por parte de alguns pobres de espírito da imprensa esportiva, o rótulo de “torcida melancólica e amarga”, que reclama de tudo, sempre envolta em um “fatalismo” e “vitimismo” que contaminava o ambiente de jogo.

“A torcida do Palmeiras tem prazer em sofrer, gosta de um clima ruim para satisfazer a compulsão pela tragédia. Desacostumou a ser feliz”, disse certa vez um jornalista importante do Estadão que era doente pelo Palmeiras.

Impressões à parte, o fato é que o Allianz Parque mudou tudo. É precipitado falar em mudança de perfil do torcedor com os programas de sócio-torcedor ou mesmo de padrão de capacidade de financeira – a tal da gourmetização ou suposta elitização da torcida por conta de eventuais ingressos mais caros.

O que é perceptível é que, progressivamente, a “turma do amendoim” da época de Felipão ficou menos ruidosa, engolida pela acústica do Allianz, que ressalta os gritos de apoio e não dá chances para o pessimismo.

O Allianz Parque jogou a autoestima do palmeirense lá em cima. Com a providencial ajuda financeira do presidente Paulo Nobre, bilionário, uma arena moderníssima e a montagem de um elenco competitivo, o Palmeiras decolou a partir da Copa do Brasil de 2015, desanuviando o clima de pessimismo e inaugurando uma nova fase.

O ônibus do Palmeiras deixa o CT cercado pela torcida (FOTO: REPRODUÇÃO/ TV PALMEIRAS)

Com uma postura mais pró-ativa e otimista, a torcida transformou o Allianz em um inferno para os adversários. Revigorados e bem tratados, os torcedores viam muito mis motivos para serem feliz. Até mesmo em derrotas chatas e estranhas era possível perceber que os ventos da mudança tinham chegado e mudado quase tudo.

É claro que a meia dúzia de sempre que adora pichar os muros estavam ativos – e continuarão para sempre -, mas são cada vez menos e mais raros.

A torcida continuará com o mau humor muitas vezes, como ocorreu na reta final da última passagem de Wanderley Luxemburgo, mas será um sentimento cada vez mais passageiro. A torcida recuperou, por inteiro, o prazer de amar o Palmeiras e mostrar que de fato é campeão.

A mudança progressiva de postura era visível ao longo dos últimos oito anos, mas parecia que faltava alguma coisa para consolidar o clima de paz e de otimismo. Faltava algo, ou alguém, para mostrar o quão gigante era o clube e o quanto era necessário almejar sempre mais e mais.

Foi necessário vir alguém do outro lado do mundo para que o foco não estivesse somente no campo e nas vitórias em si. Precisou que um Abel Ferreira tivesse de chegar e mostrar que a torcida sempre pode mais, que os jogadores sempre podem mais e que os dirigentes sempre podem mais.

E então não faltava mais nada. O comprometimento máximo dos jogadores de comissão técnica foi premiado com um clima positivo poucas vezes visto em estádios brasileiros. Se existe um estádio que pulsa e que estremece a cidade, é o Allianz Parque, e muito mais, atualmente, do que o Maracanã ou o Mineirão.

Weverton, Veiga e Abel Ferreira não cansaram de verbalizar o poder da torcida contra o São Paulo. É uma energia que contagia e contamina, que expulsa os maus pensamentos e que empurra com uma força inacreditável.

O Allianz Parque mudou a história do clube e também o comportamento da torcida. Somos privilegiados em observar e comemorar as glórias recentes, além de ajudar na consolidação de novos padrões apreciação e devoção.

Só há comparação, talvez, com as comoções provocadas pelo Santos de Pelé, do Flamengo de Zico, do São Paulo de Telê e Raí e do Palmeiras da Parmalat.

Entretanto, se ainda é cedo para medir o tamanho das mudanças provocadas pela era Allianz Parque, é inegável que elas transformaram a vida dos palmeirenses, que retribuem com imensa energia que emociona até mesmo seres graduados e elevados como Abel Ferreira.

Para quem gosta e conhece rock, associação imediata é a música “Winds of Change”, da banda alemã Scorpions, uma canção que celebra a queda do Muro de Berlim, em 1989, e celebra os ventos das mudanças para um mundo ao menos diferente, com esperanças.

O time da virada e do amor celebra títulos, mas uma inacreditável e inédita comunhão com a torcida como poucas vezes ocorreu na América do Sul.

Se a torcida do Liverpool, da Inglaterra, é conhecida por sua fidelidade ao cantar o hino “You’ll Never Walk Alone” (Vocês Nunca Estarão Sozinho, em tradução livre) mesmo nas piores derrotas e eliminações, a torcida verde ficará, por sua vez, conhecida par sempre pela sua força e pelo seu amor incondicional. Certamente será um “case” a ser estudado futuro.

324060cookie-checkA torcida que canta e vibra, mais do que nunca, vibra e encanta

1 comentário em “A torcida que canta e vibra, mais do que nunca, vibra e encanta

  • Donato, o Lúcido
    abril 5, 2022
    Responder

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.