Retardamento de jogo ou busca de uma vantagem?

Retardamento de jogo ou busca de uma vantagem?

abril 11, 2022 1 Notícias

PRÁTICAS REPROVÁVEIS 

No texto que escrevi sobre a arbitragem do jogo de Palmeiras e Ceara critiquei a impunidade aos atletas do time nordestino em relação ao retardamento de jogo.

Com 13 minutos e um placar favorável de 2 a 0, o time cearense usou e abusou de retardar o andamento da partida sob o olhar complacente do péssimo arbitro.

Assistindo aos jogos dos diversos campeonatos europeus, não vemos essa prática, que é recorrente na América do Sul, onde os jogadores são useiros e vezeiros nesta burla ao tempo, com a cultura de querer levar vantagem em tudo (lei de Gerson), chegam ao limite da simulação para enganar o árbitro.

Querem um exemplo? Palmeiras e São Paulo, no Allianz Parque: o jogador Wesley, do Palmeiras, em um entrevero corriqueiro de jogo, levou um empurrão com o cotovelo do jogador Rafinha, do São Paulo. Jogou-se rolando ao chão, simulando cotovelada no rosto, que não existiu, e conseguiu a expulsão do adversário.

E O VAR?

Aqui cabe uma pergunta: o VAR, que entra nas horas mais impróprias, interferindo no andamento e mudando, às vezes até no seu resultado, não pode ser instruído a denunciar ao árbitro a simulação?

Já sei que o protocolo do VAR não permite este tipo de interferência, mas isso é muito bonito e válido para os campeonatos onde o “Fair Play” é obedecido, como na Europa.

Na América do Sul, o chamado “Fair Play” é um requinte descartado pelos  jogadores e técnicos ou até ironizado. Lembram-se das críticas públicas ao então são-paulino zagueiro Rodrigo Caio, quando foi admoestado por ter corrigido uma punição injusta ao jogador do Corinthians Jô pelo técnico Rogerio Ceni?

MUDANÇAS 

Já ouvi sugestões de que o jogo deveria ter um tempo cronometrado de bola rolando, com sugestões variadas entre 30 x 30 ou 35 x 35 minutos.

A IFAB, comitê que regula as modificações das regras do futebol, órgão extremamente conservador, jamais vai autorizar este tipo de modificação, restando ainda o tempo de TV, que tem sua grade de programas definida, principalmente na TV aberta. Não teria previsão da duração de um jogo, como é hoje, com o tempo corrido.

Eu, particularmente, entendo que uma ação mais enérgica do árbitro é necessária: percebendo a simulação, punir disciplinarmente. Talvez seja um paliativo para o embuste que hoje ocorre, onde enganam os jogadores enganam o juiz, os adversários e o público. Este, que com as construções das arenas paga caro o ingresso, assiste a, no máximo, 50 minutos de jogo, em vez dos 90 minutos. Tudo é uma questão de orientação firme e específica e cumpri-las na prática.

A LEI TEM DE ‘PEGAR’ 

Aqui no Brasil temos uma máxima que diz que uma lei não “pegou”. No futebol, em nível mundial, também há regra que não “pega”, por exemplo, a que manda os goleiros reporem a bola em jogo em 6 segundos, depois de uma defesa e ter a bola dominada nas mãos.

Alguém já viu algum arbitro punir esta transgressão a regra? Eu pelo menos nunca vi. Tem goleiro que leva ate 20/25 segundos para repor a bola em jogo, principalmente quando seu time esta à frente do marcador.

O futebol tem mecanismo para mitigar esta perda de tempo, como outros esportes assim o fizeram, sem alterar suas raízes (tempo de bola rolando).

PUNIÇÕES 

O primeiro passo seria punir com exclusão temporária compulsória  o jogador que interrompe a partida para atendimento medico, tendo verdadeiramente ou não se contundido, um tempo fora de campo, tipo 3 a 5 minutos.

Que tal, no caso do jogador que cai simulando contusão para ser substituído, o substituto aguardar um tempo determinado, para entrar em campo? Temos o goleiro que deve ter um tratamento diferenciado, terá no máximo um minuto para se recuperar, acabando com o teatro de tirar as luvas, tirar chuteira, etc, e, na segunda queda, com substituição compulsória em ambas as situações.

Tempo determinado para repor a bola em jogo, com reversão para o adversário e dependendo da situação, acompanhada de punição disciplinar. Por que não?

Todas estas situações são de fácil controle. No Campeonato Brasileiro  são escalados oito pessoas para fazer o jogo, tendo três no campo de jogo, com dois nas linhas laterais (quarto árbitro e observador). Neste caso, um deles pode facilmente se incumbir desta tarefa, de controlar o tempo de exclusão e de atendimento ao goleiro.

Outros esportes tem tempo determinado para repor bola em jogo e exclusão temporária previstas nas regras. Nada impede que o futebol não as tenha. Desta maneira, árbitros, adversários e publico não serão mais ludibriados em um jogo de futebol.

Sim, eu sei que tudo acima descrito são elucubrações mentais de sonho de um futebol com mais “Fair Play” e mais justiça e menos enganação. Mas não custa sonhar.

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1 comentário em “Retardamento de jogo ou busca de uma vantagem?

  • Carlos Roberto Silva
    abril 11, 2022
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