{"id":42934,"date":"2026-07-22T04:44:25","date_gmt":"2026-07-22T07:44:25","guid":{"rendered":"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/?p=42934"},"modified":"2026-07-22T06:53:07","modified_gmt":"2026-07-22T09:53:07","slug":"a-copa-rio-de-1951-competicoes-mundiais-da-fifa-e-os-impactos-da-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/a-copa-rio-de-1951-competicoes-mundiais-da-fifa-e-os-impactos-da-segunda-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"A Copa Rio de 1951: competi\u00e7\u00f5es mundiais da FIFA e os impactos da Segunda Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Texto originalmente escrito por Felipe Virolli<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para entendermos o que foi a chamada Copa Rio de 1951, cujo nome oficial \u00e9 TORNEIO INTERNACIONAL DE CLUBES CAMPE\u00d5ES, vamos primeiro buscar entender o contexto do futebol e do mundo naquele tempo, organizando os fatos a partir de 1930.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tradicional Copa do Mundo que conhecemos, disputada por sele\u00e7\u00f5es a cada quatro anos, teve in\u00edcio em 1930, no Uruguai. Naquela \u00e9poca, ainda n\u00e3o existiam as chamadas \u201celiminat\u00f3rias\u201d. Pelo contr\u00e1rio. Qualquer pa\u00eds filiado \u00e0 FIFA estava convidado a participar, mas devido \u00e0s dificuldades da \u00e9poca para se fazer viagens intercontinentais, apenas 13 equipes participaram, sendo sete da Am\u00e9rica do Sul, quatro da Europa e duas da Am\u00e9rica do Norte. Ou seja, Copa do Mundo de Futebol por convite, sem eliminat\u00f3rias e sem participantes de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 na Copa seguinte, em 1934, disputada na It\u00e1lia, ocorreu o inverso de participa\u00e7\u00e3o: das 16 equipes que disputaram a competi\u00e7\u00e3o, 12 eram da Europa, duas da Am\u00e9rica do Sul, uma da Am\u00e9rica do Norte e uma da \u00c1frica. O Uruguai, campe\u00e3o em 1930, n\u00e3o quis defender seu t\u00edtulo em solo europeu, devido \u00e0 baixa participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses daquele continente na edi\u00e7\u00e3o realizada em seu pa\u00eds.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre as \u201cEliminat\u00f3rias\u201d, que passaram a existir a partir dessa edi\u00e7\u00e3o (de 1934), precisamos destacar que sele\u00e7\u00f5es classificadas acabavam desistindo da disputa. E at\u00e9 mesmo sele\u00e7\u00f5es que haviam sido \u201celiminadas\u201d acabavam convidadas posteriormente para repor as aus\u00eancias, e mesmo assim, em alguns casos, acabavam recusando o convite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso fez com que a Copa de 1938, disputada na Fran\u00e7a, ocorresse com apenas 15 participantes (um a menos que na edi\u00e7\u00e3o anterior), sendo Brasil e Cuba os \u00fanicos representantes das Am\u00e9ricas no torneio. E isso por conta da desist\u00eancia (ou boicote) de outras sele\u00e7\u00f5es, que sequer disputaram a vaga nas eliminat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil, por exemplo, enfrentaria a Argentina pelas Eliminat\u00f3rias da Copa. Mas os \u201cHermanos\u201d resolveram \u201cboicotar\u201d a competi\u00e7\u00e3o, e o Brasil se classificou para a Copa automaticamente, sem precisar jogar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Situa\u00e7\u00e3o inimagin\u00e1vel para os dias de hoje, n\u00e3o \u00e9 mesmo? E estamos falando j\u00e1 da terceira edi\u00e7\u00e3o de uma Copa do Mundo da FIFA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra grande dificuldade da \u00e9poca foi a chamada Segunda Guerra Mundial, que aconteceu de 1939 a 1945, e deixou boa parte do planeta em ru\u00ednas, inviabilizando duas edi\u00e7\u00f5es da Copa do Mundo da FIFA (previstas para 1942 e 1946).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante esse per\u00edodo da guerra, a ta\u00e7a mais cobi\u00e7ada do mundo ficou na casa de um dirigente italiano e membro da FIFA: Otorino Barassi. <strong>Guarde bem esse nome.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o fim da guerra, a FIFA queria retomar o quanto antes a disputa da sua competi\u00e7\u00e3o, embora muitos governos entendessem que o cen\u00e1rio internacional n\u00e3o estivesse favor\u00e1vel para uma celebra\u00e7\u00e3o esportiva desse porte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das dificuldades, em 1946 a FIFA encontrou um candidato para sediar seu evento: o Brasil, que atrav\u00e9s da Prefeitura do Rio de Janeiro ergueu o maior est\u00e1dio do mundo da \u00e9poca, o Maracan\u00e3, que teve como grande entusiasta o jornalista M\u00e1rio Filho <strong>(guarde bem esse outro nome).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Surge a ideia do Mundial de Clubes antes mesmo da realiza\u00e7\u00e3o da Copa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mat\u00e9ria de 5 de agosto de 1950, do <em>Jornal dos Sports<\/em>, o jornalista Geraldo Romualdo da Silva relata como surgiu a ideia de uma competi\u00e7\u00e3o mundial entre clubes, antes mesmo da realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no Brasil: num fim de tarde, dentro de um autom\u00f3vel, no percurso que liga o centro da cidade do Rio de Janeiro a Copacabana, dois dias antes do desembarque do primeiro contingente da embaixada espanhola.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"521\" src=\"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-1024x521.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42931\" srcset=\"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-1024x521.jpeg 1024w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-300x153.jpeg 300w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-768x391.jpeg 768w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-356x181.jpeg 356w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-470x239.jpeg 470w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-70x36.jpeg 70w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950-100x51.jpeg 100w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/jornaldossports_05081950.jpeg 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jornal dos Sports: 5 de agosto de 1950<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mario Filho foi quem teve a id\u00e9ia repentinamente. Ricardo Serran, Mario Julio Rodrigues e o pr\u00f3prio Geraldo Romualdo da Silva testemunharam e participaram dessa primeira conversa. Combinaram que nada divulgariam sobre o assunto, at\u00e9 que apresentassem a ideia aos dirigentes do futebol mundial. E assim foi feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dias depois, ainda antes do in\u00edcio da Copa do Mundo, o Departamento de Imprensa Esportiva, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa, juntamente com a CBD, realizou um evento no \u00faltimo andar da &#8220;Casa do Jornalista&#8221;, onde recepcionaram as delega\u00e7\u00f5es estrangeiras, dirigentes e jornalistas. E foi nessa ocasi\u00e3o que Mario Filho exp\u00f4s &#8220;publicamente&#8221; seu plano, que contou com o imediato apoio e entusiasmo de todos os presentes, especialmente de Ottorino Barassi, que deixou o assunto em seu radar para ser discutido com mais \u00eanfase ap\u00f3s o mundial de sele\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o Brasil tenha perdido a chance de se sagrar campe\u00e3o mundial na Copa de 50, ao perder o t\u00edtulo para o Uruguai na \u00faltima rodada do quadrangular final, a Copa do Mundo em solo brasileiro foi um sucesso, especialmente financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso fez com a ideia da realiza\u00e7\u00e3o do torneio interclubes voltasse \u00e0 tona com muita for\u00e7a. Antes mesmo dos dirigentes retornarem aos seus pa\u00edses, foram realizados mais alguns jantares e encontros para costurar todos os detalhes dessa nova competi\u00e7\u00e3o, sempre mencionada pelos envolvidos como &#8220;Campeonato Mundial de Clubes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornal &#8220;A Gazeta Esportiva&#8221; tamb\u00e9m fez ampla cobertura desses encontros, que definiram os membros participantes da chamada &#8220;Comiss\u00e3o Diretora do Primeiro Torneio Internacional de Futebol&#8221;, que seria coordenada por ningu\u00e9m mais, ningu\u00e9m menos que Ottorino Barassi (lembra dele?).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Barassi era secret\u00e1rio-geral da FIFA, onde chegou a ser vice-presidente na \u00e9poca, e tamb\u00e9m foi presidente da Federa\u00e7\u00e3o Italiana de Futebol. Al\u00e9m disso, o italiano tamb\u00e9m exerceu um papel importante na funda\u00e7\u00e3o da poderosa confedera\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia de futebol, nada mais nada menos que a (UEFA).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome popular pelo qual a competi\u00e7\u00e3o ficou conhecida (Copa Rio) tamb\u00e9m foi sugest\u00e3o de Barassi, que em um desses encontros disse: \u201cJ\u00e1 tenho um nome para o Campeonato Mundial de Clubes: Copa Rio de Janeiro. Ali\u00e1s, Copa Rio. Mais simples, mais popular. Pegar\u00e1 depressa. O Rio ganhou esse direito de tornar-se sede de um Campeonato Mundial de Clubes. O Rio e o Brasil, pois deram o mais elevado exemplo e a mais elevada prova de dignidade esportiva.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sobre a nomenclatura, vale destacar que o nome oficial ficou definido como \u201cTorneio Internacional de Clubes Campe\u00f5es\u201d, e o nome de \u201cCopa Rio\u201d, como sugerido por Barassi, foi o nome do trof\u00e9u, tamb\u00e9m como forma de homenagear a Prefeitura do Rio de Janeiro, uma das patrocinadoras do evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, a competi\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se chamou oficialmente de &#8220;Torneio Mundial de Clubes Campe\u00f5es&#8221; &#8211; como era a inten\u00e7\u00e3o de parte dos organizadores &#8211; para se evitar qualquer tipo de confus\u00e3o com a Copa do Mundo de sele\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m conhecida como &#8220;Campeonato Mundial de Futebol&#8221; &#8211; inclusive, a express\u00e3o &#8220;Campeonato do Mundo de Football&#8221; e suas varia\u00e7\u00f5es j\u00e1 eram de propriedade da FIFA desde aquela \u00e9poca, e ficavam reservadas exclusivamente \u00e0 disputa da &#8220;Ta\u00e7a Jules Rimet&#8221;, como era popularmente conhecida a Copa do Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda em agosto de 1950, antes mesmo de regressar \u00e0 It\u00e1lia, Barassi j\u00e1 havia deixado tudo encaminhado para que a competi\u00e7\u00e3o fosse disputada entre Junho e Julho de 1951, com quatro clubes europeus e quatro sul-americanos, sendo dois deles brasileiros, os campe\u00f5es estaduais de Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vasco e Palmeiras foram convidados? E os times de outros estados, por que n\u00e3o puderam participar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como j\u00e1 pudemos observar no cap\u00edtulo anterior, em agosto de 1950 j\u00e1 estavam definidos que os representantes brasileiros seriam os campe\u00f5es estaduais de Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. E ambos os campeonatos estaduais n\u00e3o haviam sequer come\u00e7ado, portanto n\u00e3o houve convite a Vasco da Gama e Palmeiras. As vagas no torneio seriam destinadas aos campe\u00f5es desses estados, e obviamente poderiam ser outros clubes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inclusive, o Palmeiras, que se sagraria campe\u00e3o mundial, garantiu sua vaga ao faturar o t\u00edtulo estadual de 1950 em janeiro de 1951, diante do S\u00e3o Paulo num famoso confronto que ficou conhecido como &#8220;O Jogo da Lama&#8221;, disputado no Pacaembu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42930\" srcset=\"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial.jpeg 700w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial-300x169.jpeg 300w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial-500x280.jpeg 500w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial-356x200.jpeg 356w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial-470x265.jpeg 470w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial-70x39.jpeg 70w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jogo-da-lama-palmeiras-se-classifica-para-mundial-100x56.jpeg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jogo da lama; Palmeiras se classifica para o Mundial<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras federa\u00e7\u00f5es estaduais &#8211; especialmente de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul &#8211; esbo\u00e7aram pressionar a CBD para pleitear a chance de disputar essas vagas destinadas aos clubes brasileiros, mas n\u00e3o obtiveram sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o Brasil ainda n\u00e3o tivesse um Campeonato Nacional de Clubes, existia o Campeonato Brasileiro de Sele\u00e7\u00f5es Estaduais, no qual Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo eram campe\u00e3o e vice, respectivamente. Sem contar o prest\u00edgio \u2013 algo subjetivo, mas que tamb\u00e9m foi levado em considera\u00e7\u00e3o \u2013 que o futebol desses dois estados gozava na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conta de tudo isso o plano original foi mantido, e os campe\u00f5es de Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo foram os representantes brasileiros no torneio de n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Curiosidades sobre a Copa de 1950 e a Copa Rio de 1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o tem como falar sobre a Copa Rio e n\u00e3o mencionar alguns fatos curiosos sobre a Copa do Mundo ocorrida no Brasil. Uma est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 outra, e tiveram dificuldades muito parecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para se ter uma ideia, a Copa do Mundo de 1950 estava prevista para ser disputada por 16 equipes, mas apenas 13 acabaram participando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portugal, que era uma das sele\u00e7\u00f5es que n\u00e3o havia se classificado nas &#8220;Eliminat\u00f3rias&#8221; foi convidada a repor uma das aus\u00eancias, e mesmo assim recusou o convite. E isso n\u00e3o aconteceu apenas com Portugal, e nem apenas nessa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso fez com que os grupos A e B da Copa do Mundo de 1950 tivessem quatro equipes (com cada uma delas realizando tr\u00eas jogos), o grupo C tivesse tr\u00eas equipes (com cada uma realizando dois jogos), e o grupo D com apenas duas equipes (que fizeram apenas um jogo na primeira fase).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiosamente, o Uruguai &#8211; que acabou se tornando o campe\u00e3o &#8211; estava no grupo D, e classificou-se para o quadrangular final da Copa do Mundo fazendo apenas um jogo &#8211; contra a fraca sele\u00e7\u00e3o da Bol\u00edvia &#8211; enquanto o Brasil, por exemplo, fez o triplo de jogos e diante de sele\u00e7\u00f5es muito mais fortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Regulamento bizarro, n\u00e3o \u00e9? E estamos falando de uma Copa do Mundo da FIFA, j\u00e1 em sua quarta edi\u00e7\u00e3o, e realizada apenas um ano antes, e no mesmo pa\u00eds-sede da Copa Rio. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante compararmos essas competi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas, para entendermos o contexto de como eram disputadas as grandes competi\u00e7\u00f5es naquele tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E apesar de tudo isso, com os regulamentos e os formatos de disputa bem diferentes da atual Copa do Mundo que conhecemos, os dois t\u00edtulos mundiais do Uruguai s\u00e3o indiscut\u00edveis. Ou voc\u00ea v\u00ea algu\u00e9m por a\u00ed gritando que &#8220;O Uruguai n\u00e3o tem Mundial&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, as ta\u00e7as que o Uruguai tem tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o iguais \u00e0 atual. Eles t\u00eam duas ta\u00e7as \u201cJules Rimet\u201d. E o Brasil tem tr\u00eas. Inclusive, o Brasil ficou com a posse definitiva desse trof\u00e9u ao venc\u00ea-lo pela terceira vez, em 1970. Mas sabe o que aconteceu? O trof\u00e9u acabou sendo roubado. Por\u00e9m, independentemente da ta\u00e7a ou do nome da ta\u00e7a, os t\u00edtulos valem a mesm\u00edssima coisa em termos hist\u00f3ricos. E \u00e9 exatamente isso que deve ser avaliado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim sendo, fica claro que a chamada Copa Rio foi criada com o objetivo de ser a \u201cprimeira copa do mundo de clubes&#8221; da hist\u00f3ria do futebol. E Isso n\u00e3o quer dizer que foi uma competi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o teve nenhum problema ou nenhuma recusa. Apesar de todo esfor\u00e7o dos dirigentes europeus e membros da FIFA, tais como Ottorino Barassi e Stanley Rouss, clubes campe\u00f5es da Inglaterra, Espanha e Esc\u00f3cia, que estavam cotados para jogar o torneio de n\u00edvel mundial no Brasil, acabaram desistindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como j\u00e1 pudemos observar, nem todas as equipes estavam dispostas a atravessar o mundo para jogar futebol. Mas de fato, a Copa Rio era a competi\u00e7\u00e3o entre clubes que dava ao seu vencedor o t\u00edtulo de campe\u00e3o mundial. Ali\u00e1s, a \u00fanica competi\u00e7\u00e3o daquele tempo que dava ao seu vencedor esse titulo. E os problemas enfrentados pela Copa Rio, como podemos ver, eram muito semelhantes aos problemas que afetavam as Copas do Mundo de sele\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rio de Janeiro, a \u201cCapital Mundial do Football\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista M\u00e1rio Filho foi um dos principais entusiastas do Est\u00e1dio do Maracan\u00e3, e um dos principais defensores da id\u00e9ia de que o local deveria ser \u201co maior do mundo\u201d para a pr\u00e1tica do esporte. At\u00e9 por esse motivo o nome do est\u00e1dio (Jornalista M\u00e1rio Filho) \u00e9 uma mais do que justa homenagem. N\u00e3o fosse por Mario Filho, e talvez o Maracan\u00e3 n\u00e3o fosse do tamanho e do jeito que conhecemos, como um verdadeiro \u201cTemplo do Futebol\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inten\u00e7\u00e3o do jornalista- que escrevia exaustivamente sobre o tema no <em>Jornal dos Sports<\/em> &#8211; era fazer do Brasil, e mais especificamente do Rio de Janeiro, a &#8220;capital mundial do futebol&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a Europa ainda se recuperando da guerra, e com o trunfo do Maracan\u00e3 ser &#8220;o maior est\u00e1dio do mundo&#8221;, al\u00e9m dos recordes de arrecada\u00e7\u00e3o na Copa do Mundo, sua id\u00e9ia de formular uma esp\u00e9cie de \u201cCopa do Mundo de Clubes\u201d imediatamente ganhou o apoio dos principais dirigentes do futebol mundial e tamb\u00e9m da Prefeitura do Rio de Janeiro, que viu a oportunidade da cidade continuar sediando grandes eventos de repercuss\u00e3o internacional ap\u00f3s a Copa de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como n\u00e3o se sabia quando surgiria algum est\u00e1dio que pudesse &#8220;rivalizar&#8221; com o Maracan\u00e3 &#8211; al\u00e9m da ideia ter partido de um jornalista brasileiro -, durante as negocia\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o e formata\u00e7\u00e3o do campeonato, a CBD usou tudo isso a seu favor e convenceu os dirigentes da FIFA a lhe concederem autoriza\u00e7\u00e3o para ser uma esp\u00e9cie de &#8220;organizadora oficial do mundial de clubes&#8221; &#8211; n\u00e3o apenas da primeira edi\u00e7\u00e3o, como era inicialmente esperado -, praticamente lhe garantindo exclusividade nesse tipo de competi\u00e7\u00e3o enquanto quisesse continuar realizando o evento, que passou a ser previsto em regulamento para ser disputado de dois em dois ou de quatro em quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, enquanto a FIFA focava os seus esfor\u00e7os em melhorias para a sua j\u00e1 consagrada &#8211; e agora muito lucrativa &#8211; Copa do Mundo de sele\u00e7\u00f5es, deixava o mundial de clubes autorizado a ser promovido pela sua &#8220;grande parceira&#8221;, a CBD &#8211; como se fosse um &#8220;presente&#8221; ou &#8220;retribui\u00e7\u00e3o&#8221; para o Brasil, que colaborou efetivamente para uma mudan\u00e7a de patamar financeiro da entidade m\u00e1xima do futebol. Inclusive, o fato da FIFA passar a desejar ter uma sede-pr\u00f3pria luxuosa tem uma \u00edntima liga\u00e7\u00e3o com a Copa realizada no Brasil, que foi um evento sem precedentes para a hist\u00f3ria financeira da entidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, n\u00e3o pensava-se mais, a partir daquele momento, na possibilidade de se fazer um &#8220;rod\u00edzio&#8221; de sedes, como acontecia no mundial de sele\u00e7\u00f5es &#8211; embora pa\u00edses como It\u00e1lia e Inglaterra tenham manifestado publicamente o desejo de sediar futuras edi\u00e7\u00f5es da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim sendo, o plano dos organizadores e demais membros envolvidos passou a considerar que a &#8220;capital mundial do futebol&#8221; patrocinaria e sediaria todas as edi\u00e7\u00f5es dos mundiais de clubes &#8211; da mesma forma que vimos acontecer anos mais tarde na chamada &#8220;Copa Intercontinental&#8221;, que foi disputada exclusivamente no Jap\u00e3o, de 1980 a 2004.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Copa Rio de 1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do Palmeiras (campe\u00e3o paulista de 1950), o torneio contou com as participa\u00e7\u00f5es do Estrela Vermelha (campe\u00e3o da Copa da Iugosl\u00e1via, em 1950), do \u00c1ustria Viena (campe\u00e3o austr\u00edaco em 1949-50), da Juventus (campe\u00e3 italiana de 1949-50), do Nacional (campe\u00e3o uruguaio de 1950), do Nice (campe\u00e3o franc\u00eas de 1950-51), do Sporting (hexacampe\u00e3o portugu\u00eas e vencedor da temporada 1950-51) e do Vasco, campe\u00e3o carioca de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Mundial de Clubes ocorreu entre os dias 30 de junho e 22 de julho, e paralisou a disputa dos campeonatos regionais daquele ano, al\u00e9m de campeonatos como o Uruguaio. Os duelos ocorreram no Est\u00e1dio do Pacaembu, em S\u00e3o Paulo, e no Maracan\u00e3, no Rio de Janeiro. Estrela Vermelha, Juventus, Nice e Palmeiras jogaram na capital paulista, enquanto \u00c1ustria Viena, Nacional, Sporting e Vasco atuaram no Rio. As equipes se enfrentaram em turno \u00fanico dentro de seus respectivos grupos. Os dois melhores colocados de cada chave avan\u00e7aram \u00e0s semifinais, e, em seguida, \u00e0s finais, disputadas em dois jogos cada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do Olympique Nice, campe\u00e3o franc\u00eas da temporada 1950\/51, os palmeirenses estrearam no torneio com o p\u00e9 direito. Apesar do nervosismo que tomou conta do semblante da equipe alviverde na etapa inicial de jogo \u2013 naquele 30 de junho de 1951, o \u00e1rbitro austr\u00edaco Franz Grill encerrou o primeiro tempo com um persistente 0 a 0 no marcador do Pacaembu. Na segunda etapa, Aquiles, de p\u00eanalti, Ponce de Le\u00f3n e Richard sacramentaram a vit\u00f3ria alviverde por 3 a 0.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">30\/06\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Fase de grupos (1\u00aa rodada)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras 3&#215;0 Nice-FRA<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Pacaembu, em S\u00e3o Paulo-SP<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Franz Grill (\u00c1ustria)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras: Oberdan; Salvador e Juvenal; Waldemar Fi\u00fame, Luiz Villa e Dema; Lima, Aquiles (Richard), Ponce de Le\u00f3n, Jair Rosa Pinto (Rodrigues) e Canhotinho. T\u00e9cnico: Ventura Cambon.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Nice-FRA: Robert Germani; Serge Pedin e Mohamed Firoud; Jean Belver, Cesar Gonzalez e Rossi Leon; Bonifaci Antoine, Bengtsson Per, Yeso Amalfi, D\u00e9sir Carre e Hjalmars Ake. T\u00e9cnico: Numa Andoire<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gols: Aquiles (8\u2019 do 2\u00baT), Ponce de Le\u00f3n (11\u2019 do 2\u00baT) e Richard (30\u2019 do 2\u00baT)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O confronto seguinte do Verd\u00e3o foi diante do Estrela Vermelha, campe\u00e3o da Copa da Iugosl\u00e1via de 1950, e que possu\u00eda sete atletas na Sele\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds \u2013 equipe que, inclusive, deu trabalho para o Brasil na primeira fase da Copa do Mundo de 1950, mas acabou derrotada por 2 a 0.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pressionados ap\u00f3s os dois triunfos dos rivais italianos, os palmeirenses levaram seu primeiro susto no torneio. Tihomir Ognjanov, atleta da Sele\u00e7\u00e3o Iugoslava e que tamb\u00e9m marcou durante a Copa de 1950, abriu o placar. Ainda na primeira etapa, o veloz Aquiles tranquilizou novamente a torcida palestrina, igualando o marcador. Faltando 15 minutos para o apito final, quando tudo levava a crer que o empate se concretizaria, o atacante Liminha explodiu os alviverdes presentes no Pacaembu. O Verd\u00e3o chegou para enfrentar a <em>Vecchia Signora<\/em> \u2013 apelido da Juventus de Turim \u2013 com 100% de aproveitamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">05\/07\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Fase de grupos (2\u00aa rodada)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras 2&#215;1 Estrela Vermelha-IUG<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Pacaembu. S\u00e3o Paulo-SP<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Gabriel Tordjan (Fran\u00e7a)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Palmeiras: Oberdan; Salvador e Juvenal; Waldemar Fi\u00fame, Luiz Villa e Dema; Lima, Aquiles, Liminha, Jair Rosa Pinto (Canhotinho) e Rodrigues. T\u00e9cnico: Ventura Cambon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Estrela Vermelha-IUG: Krivokuca Srboljuc; Tadic e Stankovi Branko; Palfi Bena, Duratinec e M. Disuic; Ognjanov, Mitic Raiko, Tomasevic Kosta, Djajic Predrag e Vukosavljevic Bane. T\u00e9cnico: Lubisa Brocci.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gols: Ongjanov (8\u2019 do 1\u00baT), Aquiles (30\u2019 do 1\u00baT) e Liminha (35\u2019 do 2\u00baT)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O confronto entre Palmeiras e Juventus ocorreu na tarde de 8 de julho. Para o Verd\u00e3o, bastava um empate para assegurar a primeira coloca\u00e7\u00e3o do grupo. O advers\u00e1rio, por\u00e9m, contava com Giampiero Boniperti em dia inspirado \u2013 o futuro artilheiro da competi\u00e7\u00e3o marcou duas vezes antes de o cron\u00f4metro atingir a casa dos 20 minutos. O Alviverde n\u00e3o teve for\u00e7as para se recuperar e assistiu aos dinamarqueses Karl Hansen e Praest ampliarem, totalizando um inesperado 4 a 0.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da derrota, o Alviverde se classificou em segundo lugar e enfrentou o advers\u00e1rio mais dif\u00edcil nas semifinais. Mas a principal sequela daquela partida foi a sa\u00edda do hist\u00f3rico goleiro Oberdan Cattani do time titular \u2013 o experiente arqueiro acabou culpado pelos gols sofridos, e F\u00e1bio Crippa assumiu a titularidade no restante da campanha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">08\/07\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Fase de grupos (3\u00aa rodada)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras 0x4 Juventus-ITA<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Pacaembu. S\u00e3o Paulo-SP<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Edward Graigh (Inglaterra)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras: Oberdan; Sarno e Juvenal; Waldemar Fi\u00fame, T\u00falio e Dema; Lima, Aquiles, (Ponce de Le\u00f3n), Liminha, Canhotinho (Jair Rosa Pinto) e Rodrigues. T\u00e9cnico: Ventura Cambon.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juventus: Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parola e Piccinini; Muccinelli, Karl Hansen, Boniperti, Johan Hansen (Vivole) e Praest. T\u00e9cnico: Jesse Carver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gols: Boniperti (10\u2019 do 1\u00baT), Boniperti (18\u2019 do 1\u00baT), Karl Hansen (3\u2019 do 2\u00baT) e Praest (35\u2019 do 2\u00baT)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Advers\u00e1rio do Verd\u00e3o na semifinal, o Vasco da Gama, l\u00edder de seu grupo, atropelou os advers\u00e1rios com tr\u00eas vit\u00f3rias, sendo duas delas por goleada \u2013 5 a 1 no Sporting, 5 a 1 no \u00c1ustria Viena e 2 a 1 no Nacional. Apesar da derrota frente aos vasca\u00ednos, os austr\u00edacos venceram seus outros dois jogos e tamb\u00e9m avan\u00e7aram, para enfrentar a Juventus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Empolgado pela \u00f3tima fase inicial, o Cruz-Maltino recebeu o Palmeiras em um Maracan\u00e3 lotado. A partida ficou marcada pela contus\u00e3o de Aquiles, que fraturou a perna em dividida com o goleiro Barbosa, ficando sete meses sem poder atuar. O atacante virou uma esp\u00e9cie de m\u00e1rtir do elenco, que, ap\u00f3s o acidente prometeu conquistar o t\u00edtulo de qualquer forma. A primeira v\u00edtima foi justamente o Vasco, que saiu derrotado por 2 a 1 no primeiro jogo da semifinal, com gols de Richard e Liminha; Maneca descontou. Quatro dias depois, os valentes atletas do Verd\u00e3o seguraram a base da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de 50 e empataram em 0 a 0, tamb\u00e9m no Maracan\u00e3, classificando o Palmeiras para a grande final.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">11\/07\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Semifinal (primeiro jogo)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras 2&#215;1 Vasco<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Maracan\u00e3. Rio de Janeiro-RJ<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Edward Graigh (Inglaterra)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras: F\u00e1bio Crippa; Salvador e Juvenal; Waldemar Fi\u00fame (T\u00falio), Luiz Villa e Dema; Liminha, Aquiles (Ponce de Le\u00f3n), Richard, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. T\u00e9cnico: Ventura Cambon.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vasco: Barbosa; Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Ipojucan (Vasconcelos), Fria\u00e7a, Maneca e Djair. T\u00e9cnico: Oto Gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gols: Richard (24\u2019 do 1\u00baT), Maneca (1\u2019 do 2\u00baT) e Liminha (37\u2019 do 2\u00baT)<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">15\/07\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Semifinal (segundo jogo)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Vasco 0x0 Palmeiras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Maracan\u00e3. Rio de Janeiro-RJ<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Franz Grill (\u00c1ustria)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras: F\u00e1bio Crippa; Salvador e Juvenal; T\u00falio, Luiz Villa e Dema; Liminha, Ponce de Le\u00f3n, Richard (Lima), Jair Rosa Pinto e Rodrigues. T\u00e9cnico: Ventura Cambon.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Vasco: Barbosa; Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Vasconcelos, Fria\u00e7a, Maneca e Djair. T\u00e9cnico: Oto Gl\u00f3ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 chegado o momento das decis\u00f5es. Ap\u00f3s o balde de \u00e1gua fria na primeira fase, o esp\u00edrito alviverde para encarar a Juventus na final era outro. J\u00e1 a equipe italiana contava com uma infinidade de atletas em n\u00edvel de sele\u00e7\u00e3o, com destaque para os dinamarqueses Karl Hansen, John Hansen e Praest, al\u00e9m do lend\u00e1rio atacante Boniperti, que defendeu a Azzurra por 15 anos e foi algoz palmeirense no primeiro encontro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma \u201conda palmeirense\u201d invadiu o Rio de Janeiro e lotou o Maracan\u00e3 naquele 18 de julho. O est\u00e1dio veio abaixo quando Rodrigues marcou 1 a 0 para o Verd\u00e3o ainda no primeiro tempo, e o resultado foi mantido at\u00e9 o apito final do \u00e1rbitro Franz Grill.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O clima de euforia entre os palmeirenses era evidente. Para ser o primeiro campe\u00e3o do mundo de clubes, bastava um empate diante da <em>Vecchia Signora<\/em> para soltar o grito. Os caminhos das equipes se cruzaram outra vez no dia 22 de julho, e novamente no Maracan\u00e3. Aos gritos de \u201cBrasil, Brasil\u201d, entoados pela massa presente ao est\u00e1dio, o Verd\u00e3o viu o rival abrir o placar com Praest, aos 18 minutos da primeira etapa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vantagem <em>bianconera<\/em> persistiu at\u00e9 o final do primeiro tempo. Sem se deixar abalar, o Palmeiras buscou o empate logo no in\u00edcio da etapa final: ap\u00f3s boa jogada com Canhotinho, Liminha lan\u00e7ou Lima, que arrematou na trave. Na sobra, o atacante Rodrigues igualou o marcador e levou o Maracan\u00e3 ao del\u00edrio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A euforia verde no reduto carioca, no entanto, durou apenas 16 minutos. Karl Hansen, aos 18, recolocou a Juventus na frente, e trouxe \u00e0 tona novamente o clima de apreens\u00e3o. A esperan\u00e7a palmeirense de t\u00edtulo, por\u00e9m, veio dos p\u00e9s de Liminha. Aos 32 minutos da etapa final, o meia driblou dois marcadores italianos, chutou sobre o goleiro Viola, pegou o rebote e entrou com bola e tudo no fundo das redes. O est\u00e1dio veio abaixo com o tento palmeirense, e o apito final do \u00e1rbitro franc\u00eas Gabriel Tordjan minutos mais tarde \u201cdeu por terminada a peleja\u201d na voz do narrador Oduvaldo Cozzi: o Palmeiras conquistava o mundo pela primeira vez na hist\u00f3ria do futebol!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">18\/07\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Final (primeiro jogo)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras 1&#215;0 Juventus<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Maracan\u00e3. Rio de Janeiro-RJ<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Franz Grill (\u00c1ustria)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras: F\u00e1bio Crippa; Salvador e Juvenal; T\u00falio, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de Le\u00f3n, Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. T\u00e9cnico: Ventura Cambon.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juventus: Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parola e Piccinini; Muccinelli, Karl Hansen, Boniperti, Vivole e Praest. T\u00e9cnico: Jesse Carver<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gols: Rodrigues (20\u2019 do 1\u00baT)<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">22\/07\/1951<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Mundial de Clubes de 1951 \u2013 Final (segundo jogo)<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juventus 2&#215;2 Palmeiras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Est\u00e1dio do Maracan\u00e3. Rio de Janeiro-RJ<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juiz: Gabriel Tordjan (Fran\u00e7a)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Palmeiras: F\u00e1bio Crippa; Salvador e Juvenal; T\u00falio, Luiz Villa e Dema; Lima, Ponce de Le\u00f3n (Canhotinho), Liminha, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. T\u00e9cnico: Ventura Cambon<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Juventus: Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parola e Bizzoto; Muccinelli, Karl Hansen, Boniperti, Johan Hansen e Praest. T\u00e9cnico: Jesse Carver<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Gols: Praest (18\u2019 do 1\u00baT), Rodrigues (2\u2019 do 2\u00baT), Karl Hansen (18\u2019 do 2\u00baT) e Liminha (32\u2019 do 2\u00baT)<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"906\" src=\"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-1024x906.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-42928\" style=\"aspect-ratio:1.1302665881759313;width:531px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-1024x906.png 1024w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-300x265.png 300w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-768x679.png 768w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-356x315.png 356w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-470x416.png 470w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-70x62.png 70w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4-100x88.png 100w, https:\/\/3vv.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/8_final_jogo2_1_TIME-POSADO_palmeiras_2x2_juventus-4.png 1128w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reconhecimento definitivo em 2014<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A FIFA reconhece o Mundial (Copa Rio) de 1951 do Palmeiras?\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bJMjhX0kwoM?start=165&amp;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A FIFA reconhece o Mundial (Copa Rio) de 1951 do Palmeiras?\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bJMjhX0kwoM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto originalmente escrito por Felipe Virolli Para entendermos o que foi a chamada Copa Rio de 1951, cujo nome oficial \u00e9 TORNEIO INTERNACIONAL DE CLUBES CAMPE\u00d5ES, vamos primeiro buscar entender o contexto do futebol e do mundo naquele tempo, organizando os fatos a partir de 1930. 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