O STJD e a falência do futebol brasileiro

Por Vicente Criscio

Recentemente, logo após a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo, surgiu nas redes sociais um enorme número de posts com teorias das mais diferentes possíveis sobre o porque o Brasil não participa de uma final de Mundial há mais de 24 anos.

Várias teorias. Talvez a soma de todas elas, limpando aquelas que são bobagens, apresentam a resposta final.

Mas o que ninguém fala, seja especialista em futebol/negócios nos charmosos porém insossos podcasts, seja jornalista “independente’, é que diariamente os dirigentes brasileiros (alguns, não todos, claro), junto com as instituições que estão aí para administrar e defender o futebol, estão decretando a falência do futebol brasileiro.

Diariamente.

Por quê?

Alguém pode achar normal um procurador do STJD denunciar um jogador que tomou amarelo em uma partida após verificação do VAR e da súmula do próprio juiz? O simples fato de um procurador passar por cima da decisão do árbitro da partida e do árbitro de vídeo já seria infame. Mais infame ainda o fato dele não se manifestar sobre lances semelhantes, na mesma rodada, de outros dois jogadores, de clubes diferentes.

E esse é um caso isolado? Claro que não.

Mas não para por aí. Um dos clubes rivais, que briga pelo título mas neste momento está oito pontos atrás do Palmeiras, vem através do seu dirigente pedir punição.

A Diretoria do Palmeiras se manifestou, acertadamente, nas redes sociais. O link é esse aqui. Mas esse tipo de comportamento dos dirigentes e das instituições vão minando o futebol.

Senão vejamos: o árbitro na partida de hoje, não importa quem seja, neste domingo, dia 2 de agosto, que for apitar Palmeiras x Fortaleza (Internacional), pode entrar em campo pensando: “caramba, se tiver um lance polêmico contra o Palmeiras é melhor eu marcar contra pra não ficar exposto a TJD, STJD, dirigentes, jornalistas“. É humano, não é falta de caráter ou desonestidade.

Ou então o jogador do time adversário: pode entrar em campo com um teatro na cabeça dele; na primeira bola contra o Maurício eu vou jogar minha cara contra o cotovelo dele e ver o que o juiz vai dar.

E por aí vai…. e se o leitor pensa que eu estou exagerando, assista ao VT do jogo Corinthians 0x0 Palmeiras no primeiro turno do campeonato brasileiro, dia 12 de abril. 0x0 na Neo Química Arena. Não houve jogo. Tempo de bola rolando foi de 45 minutos no total. Os jogadores corintianos entraram para arrumar confusão (post do pós jogo do nosso colunista Oiti Cipriani). Só um time quis jogar bola.

Ah mas o que isso tem a ver com a Seleção Brasileira? Tudo!

As consequências desse estado de coisas, que não é de hoje, vem de longa data.

Quais as consequências:? Cada vez mais o torcedor se afasta do futebol; não acredita que um clube bem relacionado na CBF vá cair pra 2a divisão (lembrem-se do caso Portuguesa de Desportos); não acredita em punição para quem corrompe árbitro (lembrem-se do caso Duailibi); não vê qualquer punição quando garotos morrem queimados em contêineres servindo de alojamento em categorias de base (ops… esse assunto é proibido…).

Junte isso a uma CBF cheia de problemas de Governança (para não falar o que todo mundo sabe e correr o risco de ser preso). Junte isso às suspeitas da CBF ter se tornado um balcão de negócios. Junte isso a convocações para a Seleção onde a meritocracia passa longe. Junte isso a um calendário do futebol que mata qualquer time grande e serve apenas de vitrine aos times pequenos que tornaram-se exportadores de jogadores. Junte isso a garotos que jogam futebol e têm como único sonho fazer 18 anos e ser vendido pra qualquer clube de futebol do mundo – não mais na Europa, não mais na Premier League, vale qualquer lugar, dos USA à China, passando pelos Emirados. Junte isso à pobreza institucional em termos de ética, corrupção e divisão de poderes que temos no Brasil de hoje.

E pronto: já sabemos qual o resultado da Copa do Mundo de 2030, pelo menos para a Seleção Brasileira.

Mas aqui não queremos resolver o problema do futebol brasileiro. Só queremos que o Palmeiras não seja a bola da vez, a entidade que vai ser odiada por todos porque alguns dirigentes assim definiram.

Por isso precisamos defender a instituição. Mais do que qualquer outra coisa!

Fazendo justiça… mas precisamos de mais manifestações.

No caso dos jornalistas, pelo menos um deles mostrou a cara sobre esse tema do tal procurador do STJD: Mauro Beting em seu perfil no Instagram se manifestou. Mas ainda é pouco. Precisamos de mais. Bem mais manifestações e não apenas de jornalistas esportivos.

O conselheiro da SEP Felipe Giocondo também se manifestou em seu perfil no twitter.

Precisamos de mais! Mais manifestações. A narrativa de que o Palmeiras é um time beneficiado pela arbitragem corre solta. Por diferentes jornalistas, pautados por dirigentes que não querem valorizar o futebol: querem apenas ganhar num jogo de soma zero.

O Palmeiras através da sua Presidente Leila Pereira, Mauro Beting, Felipe Giocondo, e outros ilustres ou não, devem se manifestar. O futebol brasileiro não pode suportar esse tipo de coisa. E muito menos o Palmeiras.

Saudações Alviverdes!

***

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Comments (6)

  1. Pinho – Bauru, SP

    Na mosca Vicente…. texto certeiro! parabéns!!!

  2. Fabricio Cirelli

    Perfeito, Vicente.

    Que textasso !!!

  3. Alfredo Carrieri

    Cada vez mais descarado a perseguição contra o Palmeiras , e isso só acontece porque somos gigantes !!! A diretoria está certíssima em expor em detalhes o que o STJD está fazendo e tem que ir na CBF também !!! Vergonha disso tudo ! E a imprensa calada como sempre !! Contra tudo e contra todos , AVANTI PALESTRA !!!

  4. Mario La Regina

    Perfeita análise. A cada dia me dá mais nojo a CBF e anexos como STJD. Já passou da hora de se mudar esta estrutura podre que só está destruindo o futebol brasileiro e visando atender os interesses de alguns.

  5. Marcos Lúcido Donato

    Caro amigo Vicente Criscio
    Perfeita análise.
    É por isso que eu tenho nojo da seleção da CBF.
    Ela representa muitos interesses.
    Menos o povo brasileiro.

  6. Brilhante. Mas existe um tribunal na FIFA, tipo Nuremberg, que julga estas situações. É o CAS. Só juntar os casos de Abel Ferreira e Leonardo Jardim, que ambos disseram a mesma coisa e um absolvido e outro pegou 6 jogos de suspensão; o caso de absolvição de Bruno Henrique, com o término de carreira de outros jogadores com o mesmo delito, além de que o jogador do Flamengo continua como réu na justiça. Suspensões suspeitas, e condenações discriminatórias e outras iguais absolvidos. Procurador do STJD com camisa do Flamengo, qual isenção que tem anti a jurisprudência?

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