Arbitragem de Rodrigo José Pereira de Lima Botafogo 0x0 Palmeiras

Crédito imagem: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Por Oiti Cipriani

BOTAFOGO 0 X 0 PALMEIRAS

COMPETIÇÃO CAMPEONATO BRASILEIRO 2026 – 26ª RODADA

  • Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE)
  • Assistente 1: Francisco Chaves Bezerra Júnior (PE)
  • Assistente 2: Karla Renata Cavalcanti de Santana (PE)
  • VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)

Árbitro

Árbitro pernambucano de Jaboatão do Guararapes, nascido em 19/03/1987 (39 anos).

Estreou na série A do Brasileiro em 2022 e em 2024 foi promovido a árbitro internacional, depois de boas arbitragens no ano de 2023. Fato que preconizamos no balanço de final de ano da arbitragem brasileira, neste canal (https://3vv.com.br/novo/balanco-da-arbitragem-em-2023-e-o-que-esperar-de-2024/).

Todavia, nesta mesma matéria colocamos um parágrafo integral sobre carreiras vertiginosas de jovens árbitros guindados ao escudo máximo da arbitragem (FIFA). Vamos tomar a liberdade de transcrever aqui o que dissemos quase três anos atras:

“Conversando com um amigo (vou omitir o nome, por razões óbvias), ex árbitro FIFA, e que permaneceu 17 anos como profissional de arbitragem, disse-me que para chegar a árbitro internacional, comeu o pão que o diabo amassou, apitando em jogos no interior, séries mais baixas, sem policiamento, passível de agressões, perseguições na estrada, etc. Ficou muito tempo na FIFA, e arbitrou inúmeros jogos internacionais. Tinha grande prestígio em todos os estados brasileiros.

E hoje? O árbitro faz o curso em uma federação, mesmo com pouca relevância no cenário futebolístico brasileiro, e em dois ou três anos já está ostentando o escudo FIFA, maior escudo da arbitragem. Basta ser alto, forte, cabelo cortado na moda, cheio de gel, e já é visto com bons olhos pela cúpula da CBF.”

E assim vemos árbitros promovidos nesta situação, que depois que atingem o ápice da carreira, caem assustadoramente de qualidade, como vemos na arbitragem brasileira. Uma situação para se pensar com mais cuidado.

No corrente campeonato, foi escalado em 17 jogos (65%) mostrando 76 cartões amarelos, e 3 vermelhos (1 direto e 2 pelo segundo amarelo), assinalando 5 penalidades máximas.

Análise Técnica

Lances polêmicos

O lance que poderia ter definido o jogo foi a não expulsão de Marçal do Botafogo. Vamos esmiuçar este lance em detalhes. O que a grande maioria dos torcedores falam que o “último homem” deve ser expulso. Esta é uma afirmação muito simplista da análise de uma jogada para expulsão. Para se considerar uma situação clara de gol, tem que atender o chamado 4D’s. que significa: distância do gol, domínio de bola, direção do gol e defensores em condições de frustrar o gol.

Neste lance específico, os três primeiros itens são claramente preenchidos, tinha distância (dois passos da área); tinha direção do gol; e tinha domínio de bola. Resta o 4º D (defensores), e o defensor mais próximo era Ferraresi, em uma distância que não conseguiria chegar antes do arremate final. Portanto o cartão vermelho deveria ser apresentado, configurando-se uma situação clara de gol (e não o “último homem”).

Trabalho de campo

Não podemos dizer que se a expulsão tivesse sido concretizada teríamos um resultado diferente, consagrando um ou outro time vencedor, mas convenhamos, uma equipe jogando com um jogador a menos desde 24 minutos do primeiro tempo, tem menores possibilidades de vencer o jogo. No restante, se desconsiderarmos esta falha, foi uma arbitragem tecnicamente normal. De forma assertiva deixou o jogo correr ou interrompeu de maneira correta. Entretanto, sua falha na parte disciplinar influiu diretamente no andamento do jogo, que diminui muito sua avaliação.

AVALIAÇÃO: 5,5

Disciplina

Assinalou 27 faltas durante o jogo, 15 contra o Botafogo e 12 contra o Palmeiras, mostrando 5 cartões amarelos, 3 para jogadores cariocas e 2 para os paulistas.

Vamos analisar a expulsão de Barboza. Não vamos discutir o primeiro cartão, que o árbitro estava com a visão encoberta e vendo o jogo por trás, sem condições clara de ver a ação e nestas condições foi uma jogada para amarelo, mesmo, pelas imagens de TV o atacante não ter sido atingido. Mas o segundo foi intempestivo, visto ser uma disputa de bola pelo alto, e o braço mal tocou no adversário, além de ter sido braço de impulsão e esta interpretação gerou o cartão vermelho. Excetuando-se esta expulsão e a sonegação de expulsão acima, no restante foi uma arbitragem que teve muito a colaboração dos jogadores e assim evitou complicações.

AVALIAÇÃO: 6,5

Controle de tempo

Acréscimos:

  • 1º tempo 4+1
  • 2º tempo 4 minutos.

Justifica-se igualdade de tempo de acréscimos, visto no primeiro tempo termos ação do VAR no lance passível de expulsão e no segundo tivemos as paralisações para substituições e os jogadores não praticaram o retardamento de reposição de bola em jogo.

  • Tempo total de jogo: 99’40
  • Bola Rolando: 59’07
  • Paradas de jogo: 107
  • Posse de bola: Botafogo 33% x Palmeiras 67%

AVALIAÇÃO: 7,0

Assistentes

Assinalaram somente dois impedimentos do Palmeiras em todo o andamento do jogo e bolas fora de jogo e substituições.

VAR

Não podemos tentar adivinhar que o VAR chamou o árbitro para revisão, porém, com certeza discutiu com ele o lance da falta sobre Andreas Pereira e a possibilidade do cartão vermelho. É visto nitidamente pelas imagens o árbitro ouvindo as ponderações do árbitro de vídeo.

Conclusão

Igualmente a Rafael Rodrigo Klein (RS), este árbitro pernambucano não está reeditando suas boas atuações, que o elevaram a árbitro internacional. Já assistimos inúmeros jogos arbitrados por ele, depois da promoção, com trabalhos aquém dos anteriores que o mostraram como muito bom aplicador das regras. Esperemos que volte às suas origens de árbitro seguro, aplicando as regras corretamente, que atualmente está deixando a desejar. Aparentemente caiu na vala comum da arbitragem brasileira.

AVALIAÇÃO FINAL: 6,2

***

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Comments (1)

  1. Ronaldo Ramires

    foi razoavelmente bem, quem foi mal foi o Palmeiras que entregou de vez o campeonato.

    Nota: 6,5

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