Desmistificando o Gramado Sintético

Crédito da imagem: divulgação internet; Ricardo Magatti | Estadão

A palavra “engenharia” deriva do latim “ingenium”, que significa “talento”. O termo “ingenium” está associado à capacidade inventiva e à inteligência, qualidades fundamentais para o trabalho dos engenheiros. A raiz latina “ingenium” evoluiu para “ingeniator” em latim medieval, referindo-se a alguém que cria ou desenvolve dispositivos e máquinas.

Desta forma, podemos definir a Engenharia, como aplicação de conhecimentos científicos, matemáticos e técnicos para planejar, projetar, construir e aprimorar estruturas, máquinas, materiais, sistemas e processos. O objetivo principal é resolver problemas práticos de forma segura, eficiente e econômica, utilizando materiais e tecnologias para melhorar a qualidade de vida humana. 

Podemos dar inúmeros exemplos de soluções oferecidas pela Engenharia, visando o desenvolvimento, a evolução e o conforto da humanidade. Neste texto, darei foco ao Gramado Sintético.

O desenvolvimento e a produção do gramado sintético envolvem, principalmente, a Engenharia de Materiais e a Engenharia Química, com foco na criação de polímeros duráveis, resistentes a raios UV e com características de fricção semelhantes à grama natural. 

A evolução moderna para uso esportivo envolve diversas áreas técnicas:

  • Engenharia de Materiais/Química: Responsável por criar os fios de polietileno, polipropileno ou nylon, além dos materiais de preenchimento (shockpad, areia, cortiça/termoplástico) que garantem maciez e absorção de impacto.
  • Engenharia Civil/Geotécnica: Atua na preparação da base do campo, drenagem e instalação da estrutura.
  • Engenharia de Superfícies: Focada na interação entre o atleta, a bola e o gramado, visando otimizar a jogabilidade e minimizar lesões.
  • Tecnologia de Campo (Stitching): A tecnologia moderna, como a usada em arenas, envolve máquinas automatizadas guiadas por laser que costuram fibras sintéticas no solo natural. 

A criação inicial da grama artificial é atribuída à divisão têxtil da Monsanto nos anos 1960. Atualmente, empresas especializadas, como Total Grass e Soccer Grass, atuam na instalação técnica no Brasil.

Talvez o texto acima seja extremamente complexo para o nível de inteligência da nossa imprensa esportiva. Fazer o quê?

Ex-jogadores, alguns deles ainda em suposta atividade, resolveram se manifestar contra este tipo de tecnologia. Porém, não se atentaram que o New York Cosmos jogava em gramado sintético durante a maior parte da sua era dourada na NASL (North American Soccer League) nos anos 1970 e início dos anos 1980. Logo, Pelé e outras estrelas do Cosmos, como Franz Beckenbauer e Giorgio Chinaglia, atuaram a maior parte do tempo nesse tipo de gramado. A tecnologia da época, no entanto, era bastante diferente e inferior aos gramados sintéticos modernos (como os de fibra de coco ou cortiça usados atualmente).

Se o Rei do Futebol, que somente se ajoelhava diante do “Divino”, jogou por anos em um gramado sintético de primeira geração, por que os “craques” da atualidade e os torcedores de microfone “rosnam” tanto contra os pisos atuais, que são de tecnologia muito mais avançada?

O que diz a ciência: a literatura médica já tem, inclusive, alguns estudos comparando o gramado natural com o gramado artificial em relação a diversos tipos de lesão, seja a lesão muscular, seja a lesão por entorse de tornozelo, de joelho, etc. Os estudos não mostram nenhuma diferença de um gramado para outro.

Esta semana, a convite do meu amigo José Manoel, tive a oportunidade de ir ao Allianz Parque, presenciar a inauguração do novo gramado sintético e o mesmo ofereceu perfeitas condições para a prática do futebol. Sem buracos ou ondulações.

Desta forma, por tudo o que fora exposto neste breve texto, podemos concluir que os argumentos contrários ao gramado sintético, não passam de uma mera tentativa de se criar uma narrativa leviana, a fim de atingir o melhor modelo de Arena Multiuso da América Latina, e que não demandou dinheiro público e esquemas de corrupção, como o ocorrido na zona leste da capital paulista.

O Allianz Parque é uma das molas propulsoras para o sucesso financeiro e esportivo da Sociedade Esportiva Palmeiras e, por obvio, causa pânico em boa parte da imprensa e nos atletas que atuam nos rivais, fazendo-os assumir discursos ridículos e ignorantes.

Seguimos em frente!

Saudações,

Donato, o Lúcido.    

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https://www.estadao.com.br/esportes/futebol/setima-geracao-o-que-mudou-no-novo-gramado-sintetico-do-allianz-parque

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Comments (5)

  1. Enquanto Arnaldo Ribeiro é especialista em sintético, Mauro Cézar tem Ph.D no assunto. Ele só não fala que já começou um movimento na Europa de alguns clubes, inclusive que joga a atual Champions, adotarem o sintético.
    Mas o pisca-pisca língua de fora prefere destilar seu ódio ao Palmeiras que ele tem desde criança.
    É só ler a cartinha de “amor” que ele fez para no nosso centenário em 2014.

  2. Alex Gagliardi

    Perfeito Donato.
    Mais uma vez, um texto esclarecedor, preciso e conciso.
    Nós palmeirenses sabemos bem onde esta narrativa, em relação ao gramado sintético, quer chegar. Aliás, gramado sintético do Allianz, pois não vemos esta mesma veemência quando os demais gramados sintéticos espalhados pelo Brasil se apresentam.
    O que denota, na verdade, que o problema não é o citado gramado palmeirense. Mas sim a Sociedade Esportiva Palmeiras que incomoda demais esse LIXO de crônica esportiva que assistimos hoje.
    Abraço do amigo !!!!

  3. Esta mídia, em geral, vende, corrompida e extorsão, falam na base do achometro, sem qualquer embasamento científico ou estatístico. Normalmente, a Esportiva, falam com uma camisavdevtimebpir baixo e este tipo de parcialidade é um tiro no pé, que sao prestigiados somente pelo público que tircen para o time comum. Vejam a entrevista de Moraci Santana falando de gramado sintético. Aí é uma opinião abalizada e nao na base do achometro. Moraci foi preparador e fisiologista de grandes clubes e seleção brasileira

  4. Mario La Regina

    Parabéns Donato.! Sensacional explanação e que mostra que se trata mais de uma questão política e ” dor de cotovelo” pelo nosso projeto estar dando ótimos resultados.

  5. Mauricio De Donato

    Contra tudo e contra todos! Sempre o mesmo chororô. O Dia que os Bambis colocarem lá na Bambilândia, param a reclamação.

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