Leivinha e os ídolos que eu não vi jogar
Ser Palmeirense é uma das grandes honras que tenho em minha vida. O Palmeiras, para mim, é como uma pessoa próxima, da minha casa. Da minha família. E tenho a plena certeza que, cada um dos milhões de Palmeirenses espalhados pelo mundo, sente a mesma coisa que eu.
Não basta torcer em dias de jogos. O sentimento que cultivamos pede que nos aprofundemos cada vez mais em nossa história, seja através de leituras ou mesmo, como ouvintes das histórias contadas com enorme entusiasmo pelos Palmeirenses mais antigos do que nós. E é fundamental que mantenhamos nossa “tradição” com as gerações futuras, de modo que nossa cultura e nossa paixão futebolística sejam eternizadas.
Neste sentido, apesar de ser filho de pai são paulino, fui mais do que privilegiado. Fui abençoado. O Sr. Onofrio, mesmo torcendo pelo “inimigo”, me alentava nos duros tempos entre 1978 e 1992, contando inúmeras histórias e memórias alviverdes – me lembro bem de uma delas, contada para mim em 1978, no caminho de volta da escola para casa, sobre um certo campeonato conquistado em 22 de julho de 1951…
Além do meu pai, tive o privilégio de conviver com tios e primos mais velhos (Victor, João, Maurício, Marcelo, Uk Pichet, Orlando, Walter e tantos outros), que reforçavam tudo aquilo que aprendi sobre a nossa história.
Posteriormente, a amizade com os grandes historiadores Jota Roberto e Fabio Marcello, me trouxeram mais ciência sobre a maravilhosa história da SEP. Mesmo não tendo vivido as conquistas e os ídolos anteriores a 1978, os relatos dessas pessoas citadas acima me transportaram, de forma mágica, a vivenciar tudo o que aconteceu desde o dia 26 de agosto de 1914, bem como os grandes protagonistas de nossa história. Heitor, Ademir da Guia, Waldemar Fiúme, Dudu (Olegário), Jair Rosa Pinto, Chinesinho, Romeiro, Nardo Djalma Santos, Liminha, Rodrigues entre outros, se tornaram pessoas próximas, apesar de nunca os ter visto atuar com nossa camisa. São os meus ídolos que nunca vi jogar.

Leivinha tem um lugar especial nesta minha galeria. É o craque da Segunda Academia com o qual eu mais me identifico. Seja pela aparência – para mim ele tem “jeito de Palmeirense” – seja pela importância histórica em conquistas relevantes da SEP. Seus 108 gols contribuíram decisivamente com a ampliação da nossa galeria de troféus – foram 2 títulos Brasileiros, 2 Paulistas e 2 Ramon de Carranza.
Sua partida deste mundo deixa saudades e um enorme sentimento de gratidão, que faço questão de externar nestas linhas, não só ao Leivinha, mas a todos aqueles que construíram nossa história.
E registro aqui um APELO à atual direção da SEP. Que possamos homenagear nossos ídolos, de todas as modalidades esportivas, em vida. A retomada do “Jantar dos Veteranos” seria um excelente começo, visando praticarmos um dos mais nobres sentimentos. A GRATIDÃO!
Saudações
Marcos “Lúcido” Donato
***
Comments (3)
Fabio Marcello
Parabéns Marcos texto fantástico, que mostra a afualidade dos nossos ídolos nessa diretoria..isso ai…
Oiti
Tive oportunidade de conhece-lo quando da organização do torneio de 100 anos, que foi realizado na Rua Javari, em 2014. Na época, já tinha feito a cirurgia de quadril (depois também fiz) e andava de bengala. Conversei um pouco com ele, e assim como o Divino, parecia que não tinha consciência de seu valor para o Palmeiras. Muito humilde, acessível. Mais um que vai estar brilhando nos céus, junto com Dudu, Servilio (que vc esqueceu na sua lista), Julinho, Romeiro, Geraldo Scotto, e muitos outros que participaram e fizeram do Palmeiras este gigante de hoje, em que pese administrações catastróficas que nos fizeram sofrer por muito tempo.
lito
Tive uma oportunidade em conhecê-lo no Oscar Inn. Fiquei admirado com sua humildade. Fiquei um bom tempo conversando com ele. Além de um de nossos maiores craques, demonstrou ser um grande ser humano. Que descanse nos braços do Pai. É merecedor de todo tipo de homenagem. Jogadores/pessoas desse tipo não existem mais. Uma enorme perda.