112 anos de Palmeiras: lealdade como padrão

Há 112 anos, em 26 de agosto de 1914, nascia o Palestra Italia. Nascia ali mais do que um clube de futebol: começava uma história construída na coragem, no trabalho, na resistência e, sobretudo, na capacidade de honrar suas origens sem jamais deixar de olhar para o futuro.

O Palestra precisou enfrentar a intolerância e, em 1942, foi obrigado a abandonar seu nome. Primeiro Palestra de São Paulo, depois Sociedade Esportiva Palmeiras. A mudança foi imposta pelas circunstâncias, mas não mudou a alma. Naquela que foi conhecida como Arrancada Heroica, o Palmeiras mostrou que poderia mudar o nome, mas jamais mudaria sua identidade.

E então vieram as glórias. Em 1951, diante de mais de 100 mil pessoas no Maracanã, o Palmeiras venceu a Juventus e conquistou a Copa Rio, reconhecida pelo clube e pela FIFA como o primeiro campeonato mundial interclubes. Foi uma conquista que ajudou a devolver o orgulho ao futebol brasileiro, apenas um ano depois da dolorosa derrota para o Uruguai na Copa de 1950.

Nos anos 1960, veio a Primeira Academia, com Ademir da Guia, Djalma Santos, Dudu, Julinho e tantos outros craques. E há uma cena que talvez resuma como poucas o tamanho do Palmeiras: em 7 de setembro de 1965, na inauguração do Mineirão, o Palmeiras inteiro vestiu a camisa da Seleção Brasileira. Jogadores, reservas e comissão técnica representaram o Brasil contra o Uruguai — e venceram por 3 a 0. O Verdão foi Brasil por 90 minutos.

Mas a grandeza do Palmeiras não está somente nas taças. Está também na maneira como enfrentou seus momentos mais difíceis.

O clube foi rebaixado duas vezes para a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2002 e 2012. E, mesmo quando a dor era enorme, não procurou atalhos, não buscou ajuda extra-campo para “virar a mesa”. Disputou a Série B, ganhou dentro de campo e voltou à elite pelas regras do futebol. A segunda queda, em 2012, aconteceu no mesmo ano em que o clube conquistou a Copa do Brasil. Em 2013, o Palmeiras disputou a Série B e retornou à primeira divisão em 2014.

Essa talvez seja uma das melhores traduções do verso do hino que diz: “transformando a lealdade em padrão”.

Lealdade às regras. Lealdade à própria história. Lealdade à ideia de que nenhum clube precisa deixar de ser correto para ser grande.

O Palmeiras também construiu sua trajetória sem depender de patrocínio público para pagar suas contas. Quando precisou se reconstruir, fez o que precisava ser feito: reorganizou-se, profissionalizou sua gestão, trabalhou, modernizou sua estrutura e construiu parcerias com a iniciativa privada. Desde a era Parmalat, passando posteriormente por WTorre, Crefisa, Allianz Parque, agora Nubank Parque. Investiu em sua Academia, investiu nas categorias de base. A transformação foi consequência de planejamento, disciplina e trabalho.

Muito foi feito em 112 anos. Por anônimos para a grande massa de apaixonados torcedores e por celebridades atuais. Mas o mais importante: as pessoas passam e o Palmeiras fica.

E o resultado está diante de todos: o Palmeiras de hoje é consequência direta de tudo aquilo que foi capaz de suportar e construir em 112 anos. Não em um ano, não em uma década: em 112 anos! Um clube que atravessou guerras, mudanças de nome, derrotas, rebaixamentos e crises sem perder sua essência.

Por isso, celebrar 112 anos não é apenas lembrar títulos. É celebrar uma maneira de ser. A torcida pode até se dividir nas redes sociais e criticar treinador ou diretor. Mas quando começa o jogo o torcedor palmeirense tem na sua essência toda essa história construída por lutas e glórias, por choros e risos, tristezas e celebrações. E sempre se une. Como uma família que briga unida e permanece unida.

Nós lembramos o que fomos ontem para valorizarmos o que temos hoje e lutarmos para sermos melhores amanhã.

Porque há clubes que ganham campeonatos. Há clubes que acumulam troféus.

E há o Palmeiras!

Parabéns, Palmeiras. 112 anos de história, luta, glória e paixão. Avanti, Palestra!

Comments (2)

  1. Donato, o Lúcido

    Um breve texto, que demonstra, perfeitamente, o que é a Sociedade Esportiva Palmeiras.

  2. Pinho – Bauru/SP

    Parabéns Palmeiras!!! 👏🏻👏🏻👏🏻

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