Flamengo 0x3 Palmeiras: arbitragem de Davi de Oliveira Lacerda

Crédito da imagem: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Por Oiti Cipriani

FLAMENGO 0 X 3 PALMEIRAS

COMPETIÇÃO CAMPEONATO BRASILEIRO  2026 – 17ª RODADA

  • Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES)
  • Auxiliares: Bruno Raphael Pires (GO) e Bruno Boschilia (PR)
  • VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)

Árbitro  

Árbitro jovem de 30 anos (06/12/1995), natural de Serra – Espírito Santo, estreou na série A do brasileiro em 2023. No corrente campeonato este foi o 13º jogo, mostrando 70 cartões amarelos e três vermelhos (dois diretos e um pelo segundo amarelo) e assinalou uma penalidade máxima.

Curiosidade: até o jogo desta noite de sábado, no corrente campeonato, havia comandado um jogo de cada equipe, contra equipes do Sul (Inter e Grêmio) com vitória

de ambas equipes.

Análise Técnica

Lances polêmicos

Único lance polêmico foi a expulsão de Carrascal do Flamengo logo aos 20 minutos de jogo. Levantou o pé e atingiu o rosto do jogador Murilo do Palmeiras. Foi considerado pelo árbitro como jogo brusco grave, pelas regras, passível de expulsão. Foi assertivo e corajoso em sua decisão, não se impressionando com a imensa torcida do clube carioca presentes no Maracanã. Para quem acha que o árbitro foi rigoroso em sua decisão veja a foto do lance.

Carrascal agride o jogador Danilo com o pé em seu rosto; crédito: divulgação internet

Trabalho de campo

Surpreendente a atuação do jovem árbitro. Em um jogo com muita eletricidade contida, face a atual rivalidade entre as duas equipes, pela hegemonia do futebol brasileiro, fez uma arbitragem de “gente grande”.

Usou de uma qualidade que reclamamos nos árbitros brasileiros CRITÉRIO. Optou por deixar o jogo correr mais livre, não punindo disputas por espaço, simulações de faltas, etc. e desta maneira levou o jogo, não se deixando influenciar por jogadores de ambas equipes, grande maioria de “cobras criadas”, loucos de desejo de tirar vantagem de um árbitro jovem e, aparentemente, inexperiente.

Mas … ficaram apenas no desejo, pois o árbitro soube se impor. Talvez, repito, talvez, a única falha durante o jogo, foi não ter aplicado um cartão amarelo em Danilo, por agarrar o defensor Giay pelo pescoço, sem a disputa de bola; todavia, a seu favor podemos entender que estava de costas para o lance, acompanhando um ataque do Palmeiras e não tenha visto e seguindo sua opção de condução do jogo, se fez de surdo para as reclamações dos jogadores e comissão técnica do Palmeiras.

AVALIAÇÃO: 8,5

Disciplina

Foram punidas 28 faltas no total, 19 contra o Flamengo e 9 contra o Palmeiras. Com outro tipo de arbitragem de picotar o jogo, este número seria infinitamente maior. Além do cartão vermelho acima mencionado, foram mostrados 11 cartões amarelos, 5 para jogadores do Flamengo e 6 para jogadores do Palmeiras. O jogador que começou toda a desavença no final da partida, De La Cruz, acompanhado por Varella. De La Cruz já tinha cartão amarelo, deveria ter recebido o segundo cartão e consequentemente o vermelho e o árbitro contemporizou.

AVALIAÇÃO: 7,5

Controle de tempo

Acréscimos:

  • 1º tempo 4 minutos
  • 2º tempo 5 + 4 minutos

Foi um bom discernimento para os acréscimos. Na primeira etapa houve muito tempo de interrupção e na segunda, o tempo extra além do determinado inicialmente, foi pela confusão ocorrida após o terceiro gol do Palmeiras, com o atacante Paulinho pedindo silêncio à torcida do Flamengo.

Apesar de condenável, pelas consequências que pode acarretar, é um ato corriqueiro no futebol brasileiro.

  • Tempo total de jogo: 104’03
  • Bola Rolando: 60’53
  • Paradas de jogo: 93
  • Posse de bola: Flamengo 48% x Palmeiras 52%

Vejam pelo tempo de bola rolando, algo que há muito não tínhamos: 60 minutos de bola rolando, tempo mínimo recomendado pela FIFA.

AVALIAÇÃO: 8,0

Assistentes

Assinalaram dois impedimentos somente no jogo, ambos de jogadores do Palmeiras. O Assistente número 1 foi ativo em tentar impedir o tumulto de final de jogo. Não conseguiu, mas ao menos tentou.

VAR

Os dois lances que o VAR poderia intervir a avisar o árbitro: i. sobre a simulação de Samuel Lino, que gerou o cartão amarelo para Andreas Pereira – e foi uma atuação de ator canastrão em teatro mambembe, pois a mão de Andreas tocou o peito dele e não o rosto; ii. o agarrão de Danilo em Giay. Em ambos os casos, os lances são passíveiss de cartão amarelo e esta situação não entra no rol de protocolo do VAR.

Conclusão

Como dissemos acima, foi uma atuação excelente e surpreendente de um arbitro ainda em formação, que tem muito ainda a caminhar e se não se perder no caminho tem um espaço aberto para a internacionalização, visto termos alguns árbitros FIFA em vias de serem jubilados.

AVALIAÇÃO FINAL: 8,4

CONSIDERAÇÕES PÓS ANÁLISE

Com a baixa qualidade da arbitragem brasileira, especialmente dos árbitros FIFA, considerados a nata da arbitragem do país, em que muitos (a maioria) demonstram total incapacidade e muita incompetência, Davi de Oliveira Lacerda é um árbitro que está se apresentando como um bom nome para a promoção.

Única dúvida que pode restar, é se não será picado pelo inseto chamado CBF que minou os jovens bons árbitros que surgiram nos últimos anos, e após a efetivação como árbitro internacional, caíram assustadoramente de produção. Vide os casos de Rafael Klein e Rodrigo José, ambos promovidos em 2024 a “árbitros FIFA”, e Matheus Candançã, promovido em 2025, depois de consistentes atuações nos campeonatos brasileiros.

Oxalá tal situação não aconteça com este promissor árbitro.

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