
Minuto 98: alguém precisa responder por isso
Por Jota Christianini; colaborou Erika Gimenez
A chamada segunda Academia do Palmeiras existiu e existiria tanto pela altíssima qualidade do time quanto pela direção professoral de Oswaldo Brandão, mas com certeza ela poderia não ter tido o mesmo brilho não fosse a firme atitude, em 1971, do presidente Paschoal Giuliano, peitando o status quo reinante nas federações e confederações que comandavam o esporte brasileiro.
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Roubados escandalosamente no Paulista de 71 com a célebre anulação do gol do Leivinha pelo juiz Armando Marques, palmeirenses e de resto quase a totalidade da imprensa durante muito tempo comentaram essa aberração.
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Até que, um ano depois, prestes a tornar-se campeão paulista de 72, o Palmeiras publicou nos jornais da capital o famoso manifesto com a foto do gol anulado de Leivinha ao fundo e com o tema “as rendas passam, os títulos ficam”, exigindo respeito ao seu mando de campo – o que não era absolutamente comum na época. Prevaleceu o direito do Palmeiras, abrindo a porteira para as conquistas de todos os títulos que a segunda Academia conseguiu.
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Firme posição do presidente do Palmeiras, aliada à imensa categoria da equipe, amenizaram as atrocidades que as arbitragens vinham cometendo, curiosamente sempre a favor de um único time. Decisão do Paulista de 70 contra a Ponte Preta e de 71 (gol do Leivinha) contra o Palmeiras eram pequenas amostras dos hábitos usuais na época.
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Agora, estamos diante de gravíssima infração às regras do jogo e, dessa vez, contamos com a confissão de culpa dupla da CBF. Primeiro, ao afastar os árbitros do VAR – tivessem cumprido as funções para as quais são pagos, a CBF os teria mantido e prestigiado.
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E, posteriormente – 2 horas após o fim do prazo recursal, a divulgação do áudio que evidencia claramente o grito de “ajustado” – símbolo entre os árbitros de possível impedimento – seguido da voz de “delay”, ou seja, “deixa correr e depois vamos ver”. Deixaram correr, mas não foram ver; olvidaram traçar as linhas de impedimento, o que anularia o lance a partir daí.
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Não discuto se antes não marcaram um pênalti no Dudu, se o atacante tricolor conduziu a bola com a mão, se agarrou a camisa – 2 vezes – do defensor palmeirense, e, enfim, se realmente sofreu pênalti. Não discuto nada disso. Mas o remorso corroeu demais o pessoal do VAR, tanto que ignoraram a falta desclassificante do Marcos Rocha já nos minutos finais.
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Portanto, nada de “já passou, vida que segue, deixa pra lá e etc”. Temos que continuar exigindo providências, os prejuízos esportivo e financeiro são intangíveis.
Alguém precisa responder por isso.
Comments (5)
a. cezar
naquelo jogo de 1971 , eu estava la. exatamente atras do gol do Sergio Valentin.. gol legitimo , so anulado pelo Laudo Natel, que o diabo o tenha.. e porque o Armando Marques, assim como alguns arbitros atuais , se vendem por pouca coisa
Aroni
✂️👅🤐🤫 Silêncio nas alamedas.
Cássio
Detalhe: Não podem mais traçar a linha de impedimento porque “tiveram que resetar à máquina. ”
Pessoal, já tentaram nos tirar o título do Paulista. Não conseguiram graças à fúria da torcida,dos jogadores, do Abel e dessa equipe técnica espetacular que o Palmeiras tem. Os trituramos no jogo de volta no Allianz.
Na Copa do Brasil se cercaram de todas as garantias. Não sejamos ingênuos. Mesmo fazendo o 3 x 0 não deixariam o Palmeiras passar.
Celso Pierin
Texto irretocável!!! Parabéns Jota !!!
Palmeiras 1×0 Cuiabá: os 3 pontos eram importantes – 3VV
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