Tempo de bola rolando no Mundial com as novas regras

Por Oiti Cipriani

No final de fevereiro de 2026, a IFAB – Órgão da FIFA que determina alterações e como as regras serão aplicadas após suas decisões, anunciou alterações substanciais na reposição de bola em jogo, com o objetivo primordial de evitar retardamento, a chamada “cera”.

Com base nas divulgações das decisões, fizemos uma matéria (https://3vv.com.br/novo/alteracoes-nas-regras-de-futebol-para-2026/) e colocamos alguns pontos que deixavam as decisões em dúvida, e estranhando não ter sido contemplada neste rol de agilização os eventos de “escanteio”.

Esclarecemos ainda que toda e qualquer federação poderia colocar as novas decisões em prática imediatamente, se assim o desejassem.

O que constatamos nas diferentes séries do Campeonato Brasileiro, na Copa Libertadores e em outros campeonatos ao redor do mundo, foi que nenhuma entidade de qualquer país utilizou desta prerrogativa. Entendemos que estas Federações e entidades queriam ver na prática (ou seja, na Copa do Mundo), a aplicação destas novas determinações e seus efeitos.

E estamos vendo!

Passadas a primeira rodada da Copa do Mundo, percebemos que os árbitros continuam a dar palestras aos jogadores em escanteios e faltas próximas à área defensiva, retardando o reinício de jogo. Identificamos ainda que a contagem de tempo para laterais e tiro de meta tem sido invariavelmente iniciada somente após os jogadores estarem com a bola nas mãos ou na área de meta (área pequena). E desta forma, o que fazem os jogadores? Não tão lentamente quanto anterior à aplicação das novas determinações, mas continuam a retardar o reinício do jogo, quando isto lhes convém.

Isto em partidas onde o mundo inteiro está assistindo. Imaginem então como será em campeonatos da gloriosa e inocente América do Sul, com a aplicação do famigerado “bom senso”, provavelmente, conforme frisamos na matéria publicada anteriormente aqui nesta coluna (link acima), o efeito prático destas determinações será a tal “água de salsicha”. Já vimos isto na regra dos 8 segundo do goleiro, que em bolas lentas e fáceis, quando o seu time está ganhando, se joga ao chão com a bola dominada, sem a menor necessidade, e o árbitro inicia a contagem após ele demonstrar que irá recolocar a bola em disputa. É a aplicação prática do “uso de bom senso”.

De qualquer forma para analisarmos o resultado da aplicação das novas determinações, fizemos um levantamento do tempo corrido de jogo e de bola rolando na primeira rodada do Mundial, comparando-o com a última rodada do Brasileiro Série A, imediatamente anterior a parada para a Copa. Vejam abaixo:

O tempo ideal proposto pela FIFA em jogos é de 60 minutos de bola rolando, e até o início da rodada 2 do Mundial tivemos 20% de jogos que atingiram a desejada marca (5 em 24).

N a última rodada do Campeonato Brasileiro, em 10 partidas analisadas, tivemos apenas uma partida (partida Flamengo 3×0 COritiba), que apresentou 60’16’’ de bola em jogo. Ou seja, uma partida em 10 (10%) atingiu o mínimo de tempo de bola em jogo recomentado pela FIFA (veja tabela abaixo).

TABELA COMPARATIVA DA ÚLTIMA RODADA DO CAMPEONATO BRASILEIRO ANTES DA PARADA DA COPA

O resultado visto na primeira rodada da Copa do Mundo, ainda que prematuro em termos de análise (precisaremos acompanhar estes indicadores ao longo do desenrolar do Mundial), parece ser ainda pouco efetivo.

Ainda que este resultado represente o dobro do que tivemos aqui na nossa terra, 20% lá versus 10% aqui, onde as determinações não estavam sendo aplicada, nos parece que o impacto das modificações na agilização do jogo será mínimo.

Será? O que o leitor acha?

Vamos acompanhando…

***

Leia mais

Leave a Reply