O COF 2025-2027 e uma mesa onde todos concordam …

Por VIcente Criscio

Na última segunda-feira, dia 31 de março, foi eleito o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) da SE Palmeiras para o biênio 2025-2027. Este órgão é composto por 15 conselheiros titulares eleitos pelos membros do Conselho Deliberativo. Além destes 15 titulares, ex-presidentes fazem parte do COF, como membros vitalícios. E na mesma reunião que são eleitos os 15 conselheiros titulares, são eleitos ainda sete suplentes que ocupam, pela ordem de votação, o lugar neste fórum em uma eventual ausência de um dos titulares.

O Estatuto Social da SEP define em seu artigo 103 o “Fim” do COF, ou seja, o objetivo e o papel deste importante órgão. Segue abaixo reprodução, o negrito é nosso (páginas 42 e 43 do referido Estatuto).

Mais adiante, na página 45, o artigo 110 define em 26 tópicos quais são as competências do COF. Vou listar todos, com a licença poética de retirar ou abreviar […] trechos mais burocráticos ou detalhes. E peço perdão pelo excesso de informação, mas julgo ser importante o palmeirense mais antenado com as questões de gestão e governança da SEP entenderem exatamente o papel do COF.

Em resumo, o COF tem o importante papel junto ao Presidente da SEP e toda sua Diretoria Executiva de orientar, fiscalizar, dar parecer, conceder autorização, recomendar, apurar responsabilidade, aconselhar, decidir, dar ou negar autorização.

O COF eleito e sua atuação

Os 15 cofistas eleitos para este próximo biênio são todos ligados à situação. Todos! Sem exceção. E dentre os sete suplentes apenas dois podem ser considerados de oposição. No último biênio ao menos tínhamos dois conselheiros oposicionistas.

Não bastasse essa goleada de 15 a zero, temos quatro cofistas eleitos que fazem parte da Diretoria do Palmeiras, sejam diretores, sejam assessores. Ou seja, no órgão que existe para fiscalizar as ações da Diretoria Executiva, temos membros que pertencem à própria Diretoria do Palmeiras.

Quem resumiu bem a reunião do COF da última segunda-feira nas redes sociais foi o Conselheiro do Ocupa, Felipe Giocondo. Segue o link da sua thread.

Governança!

O que o Conselheiro GIocondo fala em sua thread em essência é sobre Governança. Sobre regras, estruturas e processos pelo qual o Palmeiras é dirigido, fiscalizado e monitorado, para garantir que as ações da Diretoria estejam no sentido dos valores e objetivos da instituição (futebol principalmente mas não somente), além da geração de valor sustentável para o Palmeiras (no sentido amplo) para seus sócios e para os torcedores de maneira geral

Claro que não somos ingênuos. Antes, com outros presidentes, também era assim? Sim, antes o Presidente eleito tinha a preocupação em ter um COF mais simpático a ele. E desta forma cada Presidente buscava proteger-se tentanto eleger o maior número possível de aliados para evitar alguns opositores que pudessem fazer um papel no COF destrutivo ou que tumultuassem as reuniões. Mesmo assim, naqueles tempos, buscava-se ou lograva-se um balanço entre cofistas situacionistas e oposicionistas.

E infelizmente o histórico não é bom. Dado o próprio comportamento dos conselheiros cofistas ligados a esta gestão no último biênio, dado os desafios que temos pela frente nos próximos anos, nos parece um risco para o Palmeiras em termos de Governança a configuração final deste órgão. É impensável, e deveria ser inadmissível, ter um órgão tão importante com o risco de ser apenas um formalizador de decisões em uma instituição com a relevância que a SE Palmeiras tem, com milhões de torcedores, com faturamento bilionário e que tem pela frente temas a discutir como Sociedade Anônima do Futebol, relações com TV e ligas, e outros não menos importantes.

A regra deveria ser a competência. Os eleitos para ajudar o Palmeiras e a Diretoria Executiva deveriam ter ao menos uma qualificação dentre os assuntos jurídicos, contábeis, fiscais, planejamento financeiro, ou gestão esportiva. E/ou ao menos terem conselheiros no COF ainda que “oposicionistas”, construtivos, capazes, para fazerem o contra-ponto e trazer o debate e a discussão.

Como disse um jovem conselheiro na tribuna, nesta mesma sessão que elegeu um COF 100% situacionista, “em uma mesa onde todos concordam, é porque alguns não são necessários ali”.

As consequências desse modelo, no médio e longo prazo, podem gerar um retrocesso em muito do que se evoluiu no Palmeiras em termos de estrutura, gestão e competitividade nos últimos 12 anos.

Saudações Alviverdes!

***

Leia mais

Comments (2)

  1. Preocupante. Estamos voltando à era das trevas??????? Em tempo: só nós não ganhamos do Corinthias. é Brincadeira.

  2. CLAUDIO LONGO

    EXCELENTE ESCLARECIMENTO DE UMA TRAGEDIA ANUNCIADA, ESCOLHER PEROLAS ENTRE O ESTERCO , TORNA-SE UMA EVIDENTE REALIDADE NA POLITICA ATUAL, CRISCIO ESCLARECE , OS FATOS DE FORMA DIRETA, POIS A INCOMPETENCIA , ESTA ENRAIZADA NAS ALAMEDAS ALVIVERDES , MAS HA UM POREM , A OPOSIÇÃO ESTA FRAGILIZADA , ESTAMOS PRESENCIANDO CAPITULOS REPETITIVOS DE DESASTRES ANTERIORES , AS SEQUELAS ESTÃO SENDO FOMENTADAS PELA VAIDADE , O TEMPO DIRA !

Leave a Reply