Pré jogo Cerro Porteño x Palmeiras: do inferno ao paraíso

Por Vicente Criscio

Nesta quarta-feira, dia 19, o Palmeiras enfrenta o Cerro Porteño em Assunção, Paraguai, pela volta das oitavas de final da Libertadores, depois de um 1 a 1 capenga em casa. Se o Palmeiras cair, a temporada de 2026 perde de vez o seu principal objetivo internacional, e a pressão sobre Abel Ferreira, que já vinha crescendo, vai ficar mais intensa e pode custar o resto da temporada…

Por outro lado, se o Palmeiras sair classificado de Assunção, o palmeirense vai mais uma vez pegar o ticket do inferno ao paraíso. Sabe aquela frase né: vamos do paraíso ao inferno em um gol perdido pelo VItor Roque. E do inferno ao paraíso após um gol de Flaco López.

Sempre foi assim, e continuará sendo….

Mas antes de seguir nesse post, que por honestidade intelectual eu quis publicar hoje ANTES DA PARTIDA, deixe-me dar um spoiler: na minha opinião, o Palmeiras sairá classificado da partida de hoje à noite contra o Cerro Porteño. Se será heroico, se será nos penais, se será com goleada histórica, pouco importa.

Ah, papo de torcedor: pode ser. Mas cobrem-me depois.

Mas vamos ao tema do post.

As críticas contra Abel e o que esperar

A cobrança em cima de Abel não nasceu agora. Ela vem de uma base concreta: em 2024 e em 2025, o Palmeiras não venceu nenhuma das três principais competições do calendário — Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão —, mesmo mantendo um dos elencos mais caros e mais qualificados do país. Dois anos de investimento pesado sem um título grande é uma cobrança legítima, não implicância de torcedor.

O palmeirense não precisa ser lembrado das vitórias. Elas vieram logo no início. O problema de Abel Ferreira e parte dos que defendem o treinador é que “não podemos ganhar todas”. E aí está uma armadilha grande.

Abel chegou em 2020. Seus resultados nós já conhecemos e vibramos com eles. Foi campeão dos principais campeonatos em 2020, 2021, 2022 e 2023. Mas desde 2024 o único título que veio foi o Campeonato Paulista.

Muito pouco?

“Não dá pra ganhar todas…”

E é importante ser preciso sobre a natureza dessa cobrança. Boa parte da torcida não reclama só do resultado — reclama de uma queda perceptível na qualidade do futebol apresentado nesses dois anos, e atribui isso diretamente ao próprio Abel e à queda de rendimento de  alguns jogadores do elenco. Existe hoje uma desconfiança dentro de parte da torcida de que o técnico não consegue mais extrair o melhor deste grupo.

Portanto, é uma crítica mais dura do que “não ganhou título”: é uma dúvida sobre se o ciclo, tecnicamente, já deu o que tinha para dar.

E o que acendeu o pavio de vez foi a sequência do time depois da pausa para a Copa do Mundo.

O outro lado que a bronca costuma esconder

Dito isso, seria desonesto tratar 2026 como um ano perdido. O Palmeiras segue na briga direta pelo Brasileirão, chegou às quartas de final da Copa do Brasil e, com uma chave que deixou os outros favoritos do outro lado, e apesar do sufoco, ainda está vivo na Libertadores — a vaga nas quartas será decidida hoje.

A queda de rendimento é real e preocupante, e aconteceu justamente quando o time precisava mostrar força, logo após o período de “descanso e treinamento” da Copa do Mundo. Isso amplifica a crítica: o problema não é apenas um Palmeiras que joga mal desde 2024, mas é um Palmeiras que não parece ter forças para voltar a ser competitivo.

Parece… eu disse parece…

A resposta da diretoria

Do lado da diretoria, a resposta ds |Presidente Leila Pereira tem sido de sustentação pública ao técnico mesmo diante de resultados ruins ao longo da temporada. A decisão sobre o futuro de Abel não vai ser tomada nas redes sociais nem no calor de uma eliminação — ela passa por uma avaliação de continuidade que a cúpula do clube já vinha fazendo antes mesmo desse jogo contra o Cerro Porteño. Eu acredito que o resumo é o seguinte: a Presidente tem vários motivos para manter o Abel, e um deles, acredito que hoje seja o principal, é o que Abel Ferreira é o melhor para-raios que ela poderia ter. Entendam como quiser…

A pergunta fria: se perder hoje, demitir AGORA resolveria alguma coisa?

Aqui é onde a análise precisa deixar a paixão de lado. Por hipótese vamos assumir que não clasifica-se hoje. Caiu a casa, crise na Academia, os cliques disparam nas redes sociais e na nova mídia de “palestrinos”.

Neste caso, qualquer decisão após essa hipótese acompanha dois riscos concretos:

Em caso de NÃO DEMITIR – de manter um estado de coisas que, nos fatos, não entrega títulos grandes há dois anos e que agora também não está entregando um futebol consistente – o risco é o custo esportivo e institucional, e ignorar isso seria covardia analítica. Vai manter um treinador que não está entregado resultados? que perdeu para um time paraguaio nas oitavas de final da principal competição continental?

Do outro lado, ainda na hipótese do pior cenário ao final da partida, a opção DEMITIR, traz um risco que poucos querem discutir: demitir Abel Ferreira em agosto, no meio de uma temporada com Brasileirão e Copa do Brasil ainda em aberto, sem um nome de peso pronto para assumir, é uma aposta perigosa. O mercado de treinadores em agosto é pobre – ah o Arthur Jorge, ah o Jardim – pode esquecer esses nomes, porque esse trem já passou. Contratar um estrangeiro de peso no meio do ano é operação rara, alto risco, e no caldeirão verde e branco que temos hoje, corre-se o risco de não ganhar nada e levar a culpa pelo resto da temporada. Trocar de treinador sob pressão, sem essa peça resolvida, é reagir ao calor do momento, não gerir uma crise.

Minha leitura, sem paixão de torcedor

Ok, essa foi sacanagem. De qualquer forma insisto uma IMPROVÁVEL eliminação para o Cerro Porteño nesta quarta-feira não deveria, sozinha, decidir o futuro de Abel Ferreira. O risco de trocar o treinador sem um substituto à altura no meio da temporada é grande demais para ser uma reação de calor do momento.

Mas isso não é um cheque em branco — é um prazo. Se o padrão de resultados ruins continuar a cobrança deixa de ser sobre um jogo e passa a ser sobre um ciclo que precisa, sim, ser reavaliado.

Porém, ah porém…. ao fim da temporada!

Ou seja, hoje o torcedor palmeirense vai torcer como nunca pela classificação. Mas não deveria esperar, qualquer que seja o resultado, que ela resolva, sozinha, os problemas que estamos enfrentando. Uma vitória seguramente fará muitas coisas parecerem sombras do passado. O que não será verdade. Nem tudo estará resolvido a partir de amanhã.

Por outro lado, o cenário catastrófico não pode ser usado para não sobrar pedra sobre pedra. Isso não é proteção a Abel: é reconhecer que decisão de treinador em agosto, sem plano B pronto, raramente é decisão racional. O verdadeiro termômetro não é a Libertadores isoladamente — é se o Palmeiras volta a jogar o futebol que o colocou na ponta da tabela, ou se o resto da temporada confirma que o problema é maior do que uma fase ruim.

Do mais… Avanti Palestra e vamos sair de lá classificados e pegar a estrada do inferno ao paraíso. Pelo menos até a próxima crise.

Saudações Alviverdes!

***

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Comments (5)

  1. Alfredo Carrieri

    Faço minhas as suas palavras sem acrescentar nem tirar nada !!! Análise perfeita !!! Parabéns

  2. Parabéns pela análise Criscio!! Permita-me discordar em 01 ponto. Pegando o exemplo do nosso maior rival neste momento. Troca de técnico a toda hora e sempre esta beliscando 01 título. Não existe uma fórmula exata infelizmente. Acho que Abel deveria ter saído no final do ano passado. Minha preocupação é mantê-lo e a barca afundar por completo. Se perder hoje, agradeceria os serviços prestados, iria de Cebola até o final da temporada e no final da temporada tentaria um novo técnico.

    Abraços

  3. Donato, o Lúcido

    O texto descreve perfeitamente, como funciona a mentalidade do Palmeirense e também da imprensa.
    Entendo tanto quem critica o Abel, quanto quem defende. Analisando o “filme”, o trabalho tem sido muito bem feito. Analisando a foto, não é das mais bonitas.
    Como foi muito bem pontuado no post, se ganhar, não significa que tudo está correto e, se não ganhar (toc, toc, toc…), não significa que está tudo errado.

  4. Como sempre, sou mais pragmático (alguns chamam de passar pano) nesta situação de performance do Palmeiras. Estou contente com o desempenho do time? Claro que não, mas também não fecho os olhos para as dificuldades que Abel está encontrando em seu trabalho. Vamos começar pelas baixas que estão ocorrendo: Paulinho é uma incógnita, as esperanças nele são uma roda gigante, uma hora esta lá em cima e outra no res do chão. Voltou, oba agora sim… Torceu o tornozelo, não dá para confiar; voltou, agora pra ficar… Contusão muscular, está bichado, já era.
    Gustavo Gomez que é o leme da defesa, voltou a meia bomba.
    Tivemos as contusões de Vitor Roque, Khellven, Jefte, Barboza, que nunca se confundia, já teve duas. Felipe Anderson é uma partida e duas fora.
    Isto tudo sem contar a má fase de alguns jogadores, tipo Carlos Miguel, que de repente começou a falhar muito, sem confiança e sem sorte, ao ponto da bola bater na trave, em suas costas e entrar. Marlon Freitas caiu muito de produção, Andreas Pereira que nem bola parada está acertando mais. Giay que vinha subindo de produção a ponto de ser quase convocado a Copa do Mundo, não está acertando um passe de dois metros. Finalmente vamos falar de Abel Ferreira, que aparentemente esgotou todo seu repertório, como um cantor de um disco somente. Não está conseguindo se reinventar e os jogadores também não se esforçam para entender suas orientações. Mas …. Tudo isto são suposições de um torcedor de arquibancada. Desculpa o longo texto, digno de série Netflix.

  5. Walter Benvenuti

    Caro Mestre, concordo com quase tudo. O jogo será uma guerra e acho que futebol é o que menos vai importar. Só importa a classificação, nem que seja nas dores de um parto de pênaltis. Nesse caso, o da classificação, não acho que pegaremos a estrada do inferno ao paraíso. Sairemos da mata fechada, achando uma pequena trilha, que daí nos levará para uma estrada de terra, que com muita sorte desembocará em uma estrada asfaltada. O caminho de volta será longo…

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